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22 dezembro 2014

26 anos do assassinato de Chico Mendes



70 ANOS DO CHICO - 26 ANOS DE SEU ASSASSINATO
 
Chico Mendes completaria, no dia 15 de dezembro, 70 anos. Impossível não se lembrar desta data com saudades do Chico, mas também com gratidão por tudo que o Chico deixou para todos nós e para a floresta que ele tanto defendeu.



Hoje, dia 22 de dezembro, há 26 anos atrás, na boca da noite, um tiro no peito tirou a vida de Chico Mendes, líder seringueiro que mostrou ao mundo inteiro o drama que se desenrolava na floresta.

Mas, seu sacrifício não foi em vão. Sua obra, seus ideais e seu legado estão vivos em todos que lutam em defesa da floresta e de seus povos tradicionais.

Como homenagem a essa data tão importante compartilhamos o depoimento de Raimundo Barros, primo e companheiro de luta de Chico, gravado no projeto “Um dia em que a terra parou”, do Silvio Margarido.

É um depoimento breve mas emocionante. Vale a pena assistir e refletir sobre a luta desse homem extraordinário para o Acre, o Brasil e o mundo.

 
Obrigado Chico Mendes!


(do perfil de Jorge Viana - senador do Acre - no Facebook)



Leia mais sobre Chico Mendes:
23 anos sem Chico Mendes

25 anos do assassinato de Chico Mendes 

20 anos da morte de Chico Mendes

22 de dezembro de 1988 - o assassinato de Chico Mendes

28 março 2014

DAMOCRACY - hidreletrecidade é uma energia limpa?


Realizado durante o ano de 2012, o filme Damocracy mostra a realidade e as lutas dos atingidos pelas hidrelétricas de Belo Monte, no Brasil, e de Ilisu, na Turquia, e desconstrói o mito de que a hidreletrecidade é uma energia limpa.

Assim como Belo Monte, a história do barramento do rio Tigre na região de Ilisu data da década de 1980, quando o governo turco iniciou o projeto da hidrelétrica, com capacidade projetada de 1.200 megawatts. Desde então, da mesma forma que Belo Monte, a usina é foco de uma intensa batalha judicial em função dos seus enormes impactos, principalmente a inundação e destruição de um dos maiores tesouros arqueológicos do mundo: a vila de Hasankeyf.

Dirigido pelo premiado documentarista canadense Todd Southgate, narrado em português pela atriz Letícia Sabatella e produzido pela organização turca Doga Denergi, com apoio das ONGs International Rivers e Amazon Watch e do Movimento Xingu Vivo para Sempre, o filme traça paralelos sobre os impactos dos dois projetos nas populações locais e o meio ambiente, colocando em cheque o discurso que aponta a hidreletrcidade como fonte de energia limpa.



DAMOCRACY: A documentary that debunks the myth of large-scale dams as clean energy and a solution to climate change. It records the priceless cultural and natural heritage the world would lose in the Amazon and Mesopotamia if two planned large-scale dams are built, Belo Monte dam in Brazil, and Ilisu dam in Turkey. DAMOCRACY is a story of resistance by the thousands of people who will be displaced, and a call to world to support their struggle. 



More info at http://www.damocracy.org



14 fevereiro 2014

Calor e ausência de árvores


Onda de calor e ausência de árvores nas calçadas

José Hamilton de Aguirre Junior – Engenheiro Florestal, Mestre em Arborização Urbana, coordenador do Projeto “Cambuí Verde”.

Estamos estarrecidos com a onda de calor e seca que atinge vários estados e cidades brasileiros. Em Campinas, a ameaça do racionamento de água, a temperatura de 36,8oC do dia 5 de fevereiro de 2014 e, a umidade relativa do ar, abaixo de 30%, impressionam, pela gravidade e, consequências em nossas vidas.

O que esses fatos tão assustadores têm a ver com a ausência generalizada de árvores nas calçadas de nossa cidade?

É nos passeios das vias campineiras onde mais sentimos os eventos extremos que nos penalizam. Se a Lei de Arborização 11571/03 e a Lei de Calçadas 11418/02 fossem respeitadas, as árvores nos protegeriam, amenizando a aridez viária atual. Trajetos a pé ou em veículos, em ruas sem o sombreamento da vegetação, em qualquer horário do dia, têm representado sofrimento e risco para a coletividade. Esse é um considerável gargalo da infraestrutura urbana por aqui: A ausência de uma rede de serviços ambientais capaz de fornecer qualidade de vida aos munícipes. O calor, a falta de umidade do ar, os raios solares prejudiciais e a poluição estão acentuados onde faltam árvores urbanas.

Alguns plantios têm sido realizados em Campinas, em canteiros centrais e em áreas verdes. Em calçadas, é lastimável o desrespeito do poder público com a população. Árvores de porte alto e copa densa são removidas e, em seu lugar, quando ocorre a reposição, os arbustos como o rededá – Lagerstroemia indica e as arvoretas têm avançado. Os canteiros são tão pequenos ou ausentes nas novas mudas e nas árvores antigas, que é um milagre a sobrevivência desses exemplares.

Na matéria “Vendaval muda paisagem no Cambuí”, do caderno A10 deste jornal, de 21 de janeiro de 2014: os Ficus – Ficus benjamin que caíram pela ventania, tinham suas raízes contidas em pequenos quadrados elevados de concreto; as palmeiras rabo de peixe – Caryota urens, estavam em final de ciclo de vida, bastante debilitadas. O manilhamento, a elevação de construções e de terra sobre o colo (base da árvore) e sobre as raízes, como o caso relatado, as apodrece, afeta e destrói sua estabilidade. Essas têm sido grandes razões para perdas de árvores em Campinas. A falta do uso adequado do conhecimento técnico sobre o tema tem levado à desarborização municipal e à perda dos benefícios que poderíamos usufruir.

O calor que sentimos está muito além do suportável. Faz-se imperioso rearborizarmos e entendermos a importância das árvores para o meio urbano. O asfalto, o cimento, as construções, telhas e os metais de coberturas, são grandes acumuladores e refletores de calor. Árvores grandes e de copa densa, funcionam como grandes bombas de água para o entorno, eficientes refrigeradores, sombreadores, filtros e umidificadores do ar. Essas qualidades das árvores não são lembradas antes de estarmos em catástrofes, como a atual.

Medidas concretas de ação individual, do poder público e empresarial precisam ser tomadas: O plantio e o replantio de árvores de espécies médio e grande portes, com benefícios ambientais; a abertura de canteiros generosos para irrigação e sustentação adequada dos vegetais; a manutenção preventiva dos exemplares, com remoção de ramos secos, doentes e das árvores mortas; o enterramento urgente da rede aérea de energia, em compartilhamento com as outras redes de utilidades (água, gás, esgoto, fibra ótica), instalados no leito carroçável, respeitando as raízes.

Campinas e sua população sofrem pela má condução das decisões com sua arborização viária. Em épocas de calamidade ficam mais evidenciados o despreparo e a falta de condições gerenciais para com o nosso verde. Há diversos anos inúmeros técnicos se manifestam sobre o assunto visando à reversão dessa situação. O aumento significativo de recursos para a manutenção de áreas verdes, ainda não refletiu em passeios arborizados. O calor, a poluição e o desconforto térmico são a realidade nas ruas ou em nossas residências. Árvores em todas as calçadas de Campinas nos protegeriam sempre. Ainda mais, no trágico período que nos assola.

Publicado no jornal Correio Popular de Campinas/SP, em 13/2/2014
(texto recebido via Facebook e autorizada a publicação pelo próprio autor)

27 agosto 2012

“Ironicamente, a troca do plantio de mudas por equipamentos serviu até mesmo para a compra de motosserras”

Texto do jornal METRO/Porto Alegre do dia 23/8/2012:
Prefeitura troca reposição de árvores por equipamentos
Ministério Público apurou que Smam autorizou conversão de R$ 25 milhões em obrigações ambientais privadas na forma de produtos ou serviços públicos. Troca serviu para a compra de facões, caminhonetes e até motosserras
O promotor Carlos Paganella, da Promotoria do Meio Ambiente de Porto Alegre, anunciou ontem que vai recomendar à prefeitura a revogação do decreto que reduziu as compensações vegetais para empreendimentos imobiliários na capital e permitiu a conversão dos plantios em equipamentos ou serviços para a Smam (Secretaria Municipal de Meio Ambiente). O decreto, que vai completar um ano no domingo, é o único instrumento que regulariza a reposição vegetal na cidade.
Segundo Paganella, nos últimos 20 meses foram convertidos R$ 24,9 milhões de plantio de mudas em equipamentos ou serviços para a prefeitura em mais de 80 projetos imobiliários.
“Não sei qual foi o interesse por trás dessa mudança nem a justificativa para isso. O que podemos observar é que há uma devastação generalizada em Porto Alegre”, afirmou.


O promotor informou que os relatórios produzidos pelo inquérito que ele vem realizando ao longo de 2012 mostraram conversão em equipamentos como facões, escadas, caminhonetes, maçaricos e botinas. Também houve troca por serviços de manutenção de praças e jardins que, segundo Paganella, deveriam ser realizados com recursos orçamentários da prefeitura. “Ironicamente, a troca do plantio de mudas por equipamentos serviu até mesmo para a compra de motosserras”, disse.


Nesse período, segundo o relatório do MP (Ministério Público), deixaram de ser plantadas 9 milhões de mudas na cidade. O promotor disse que vai encaminhar os dados ao TCE (Tribunal de Contas do Estado) para que o órgão inspecione as compensações e verifique a aplicação dos recursos em serviços e equipamentos. Em último caso, Paganella informou que irá ajuizar uma ação civil pública pedindo à Justiça a anulação do decreto.


O presidente da Cosman (Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Câmara), Beto Moesch (PP), criticou a alteração do decreto. “Houve uma redução drástica no plantio compensatório em Porto Alegre nesse período”, disse. Segundo ele, o decreto editado pela prefeitura regulamentando o plantio compensatório “barateou” o corte de árvores em Porto Alegre.
O secretário do Meio Ambiente, Luiz Fernando Záchia, disse que as mudanças foram feitas porque o decreto antigo “tinha distorções”. O secretário não apontou que distorções seriam essas. Também disse que houve acréscimo na exigência de compensações para algumas espécies. O Metro apurou que o documento reduziu a exigência em 31 de 37 itens, mantendo inalterados outros três. Em alguns casos, a reducão é drástica: espécies nativas com mais de 10 metros, por exemplo, tiveram o plantio de novas mudas alterado de 15 para cinco.
Flávio Ilha
METRO Porto Alegre

(Fotos: Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho)

26 junho 2012

Rio+20 fracassou!

Charge de Aroeira sobre o Documento Final da Rio+20

Os representantes da Cúpula dos Povos, principal evento paralelo à Rio+20, cujo encerramento aconteceu na sexta-feira (22/6), afirmaram que a Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável fracassou na tentativa de propor caminhos e ações, e defenderam a criação de um dia mundial de greve geral.

As críticas estão no documento final da cúpula, que também chega ao fim após mais de dez dias de dabates e palestras entre diversos grupos da sociedade civil.

"Hoje afirmamos que, além de confirmar nossa análise, ocorreram retrocessos significativos em relação aos direitos humanos já reconhecidos. A Rio+20 repete o falido roteiro de falsas soluções defendidas pelos mesmos atores que provocaram a crise global", diz um trecho da declaração.

Conferência Rio+20 - Foto Agência Brasil

"À medida que essa crise se aprofunda, mais as corporações avançam contra os direitos dos povos, a democracia e a natureza, sequestrando os bens comuns da humanidade para salvar o sistema econômico-financeiro".

Protesto contra o consumismo - Foto: Agência Brasil

Ao listar as 15 ações encaminhadas pelas várias plenárias autogestionadas que fazem parte da Cúpula dos Povos, o documento propõe a institucionalização do "Dia Mundial de Greve Geral" no escopo de direitos humanos das Nações Unidas.

Manifestação de indígenas na Cúpula dos Povos - Foto: Ag. Brasil

Segundo o representante do Comitê Facilitador da Cúpula dos Povos, Darci Frigo, as sugestões da sociedade civil foram apresentadas ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, em reunião realizada na manhã desta sexta-feira (22).

"Ele fez uma série de referências a respeito do movimento que ocorreu aqui no aterro do Flamengo e no centro da cidade, e disse que a ONU está aberta para nos ouvir. Em nossas falas, fizemos duras críticas em relação ao sistema de captura corporativa da ONU. Aqueles que hoje são considerados os principais interlocutores para solucionar as crises climáticas, sociais e ambientais são os verdadeiros responsáveis pela crise", argumentou.

Integrantes da AGAPAN na Cúpula dos Povos - Foto: Agapan

Fonte: UOL



Documento final da Cúpula dos Povos ataca a mercantilização da vida:


Declaração final
Cúpula dos Povos na Rio+20 por Justiça Social e Ambiental
Em defesa dos bens comuns, contra a mercantilização da vida

Movimentos sociais e populares, sindicatos, povos, organizações da sociedade civil e ambientalistas de todo o mundo presentes na Cúpula dos Povos na Rio+20 por Justiça Social e Ambiental, vivenciaram nos acampamentos, nas mobilizações massivas, nos debates, a construção das convergências e alternativas, conscientes de que somos sujeitos de uma outra relação entre humanos e humanas e entre a humanidade e a natureza, assumindo o desafio urgente de frear a nova fase de recomposição do capitalismo e de construir, através de nossas lutas, novos paradigmas de sociedade.

A Cúpula dos Povos é o momento simbólico de um novo ciclo na trajetória de lutas globais que produz novas convergências entre movimentos de mulheres, indígenas, negros, juventudes, agricultores/as familiares e camponeses, trabalhadore/as, povos e comunidades tradicionais, quilombolas, lutadores pelo direito a cidade, e religiões de todo o mundo. As assembléias, mobilizações e a grande Marcha dos Povos foram os momentos de expressão máxima destas convergências.

As instituições financeiras multilaterais, as coalizações a serviço do sistema financeiro, como o G8/G20, a captura corporativa da ONU e a maioria dos governos demonstraram irresponsabilidade com o futuro da humanidade e do planeta e promoveram os interesses das corporações na conferencia oficial. Em constraste a isso, a vitalidade e a força das mobilizações e dos debates na Cúpula dos Povos fortaleceram a nossa convicção de que só o povo organizado e mobilizado pode libertar o mundo do controle das corporações e do capital financeiro.

Há vinte anos o Fórum Global, também realizado no Aterro do Flamengo, denunciou os riscos que a humanidade e a natureza corriam com a privatização e o neoliberalismo. Hoje afirmamos que, além de confirmar nossa análise, ocorreram retrocessos significativos em relação aos direitos humanos já reconhecidos. A Rio+20 repete o falido roteiro de falsas soluções defendidas pelos mesmos atores que provocaram a crise global. À medida que essa crise se aprofunda, mais as corporações avançam contra os direitos dos povos, a democracia e a natureza, sequestrando os bens comuns da humanidade para salvar o sistema economico-financeiro.

As múltiplas vozes e forças que convergem em torno da Cúpula dos Povos denunciam a verdadeira causa estrutural da crise global: o sistema capitalista patriarcal, racista e homofobico.

As corporações transnacionais continuam cometendo seus crimes com a sistematica violação dos direitos dos povos e da natureza com total impunidade. Da mesma forma, avançam seus interesses através da militarização, da criminalização dos modos de vida dos povos e dos movimentos sociais promovendo a desterritorialização no campo e na cidade.

Da mesma forma denunciamos a divida ambiental histórica que afeta majoritariamente os povos oprimidos do mundo, e que deve ser assumida pelos países altamente industrializados, que ao fim e ao cabo, foram os que provocaram as múltiplas crises que vivemos hoje.

O capitalismo também leva à perda do controle social, democrático e comunitario sobre los recursos naturais e serviços estratégicos, que continuam sendo privatizados, convertendo direitos em mercadorias e limitando o acesso dos povos aos bens e serviços necessarios à sobrevivencia.

A dita “economia verde” é uma das expressões da atual fase financeira do capitalismo que também se utiliza de velhos e novos mecanismos, tais como o aprofundamento do endividamento publico-privado, o super-estímulo ao consumo, a apropriação e concentração das novas tecnologias, os mercados de carbono e biodiversidade, a grilagem e estrangeirização de terras e as parcerias público-privadas, entre outros.

As alternativas estão em nossos povos, nossa historia, nossos costumes, conhecimentos, práticas e sistemas produtivos, que devemos manter, revalorizar e ganhar escala como projeto contra-hegemonico e transformador.

A defesa dos espaços públicos nas cidades, com gestão democrática e participação popular, a economia cooperativa e solidaria, a soberania alimentar, um novo paradigma de produção, distribuição e consumo, a mudança da matriz energética, são exemplos de alternativas reais frente ao atual sistema agro-urbano-industrial.
Foto: Agência Brasil

A defesa dos bens comuns passa pela garantia de uma série de direitos humanos e da natureza, pela solidariedade e respeito às cosmovisões e crenças dos diferentes povos, como, por exemplo, a defesa do “Bem Viver” como forma de existir em harmonia com a natureza, o que pressupõe uma transição justa a ser construída com os trabalhadores/as e povos.

Exigimos uma transição justa que supõe a ampliação do conceito de trabalho, o reconhecimento do trabalho das mulheres e um equilíbrio entre a produção e reprodução, para que esta não seja uma atribuição exclusiva das mulheres. Passa ainda pela liberdade de organização e o direito a contratação coletiva, assim como pelo estabelecimento de uma ampla rede de seguridade e proteção social, entendida como um direito humano, bem como de políticas públicas que garantam formas de trabalho decentes.

Afirmamos o feminismo como instrumento da construção da igualdade, a autonomia das mulheres sobre seus corpos e sexualidade e o direito a uma vida livre de violência. Da mesma forma reafirmamos a urgência da distribuição de riqueza e da renda, do combate ao racismo e ao etnocídio, da garantia do direito a terra e território, do direito à cidade, ao meio ambiente e à água, à educação, a cultura, a liberdade de expressão e democratização dos meios de comunicação.

Foto: Ricardo Moraes/Reuters

O fortalecimento de diversas economias locais e dos direitos territoriais garantem a construção comunitária de economias mais vibrantes. Estas economias locais proporcionam meios de vida sustentáveis locais, a solidariedade comunitária, componentes vitais da resiliência dos ecossistemas. A diversidade da natureza e sua diversidade cultural associada é fundamento para um novo paradigma de sociedade.

Os povos querem determinar para que e para quem se destinam os bens comuns e energéticos, além de assumir o controle popular e democrático de sua produção. Um novo modelo enérgico está baseado em energias renováveis descentralizadas e que garanta energia para a população e não para as corporações.

Foto: Agência Brasil

A transformação social exige convergências de ações, articulações e agendas a partir das resistências e alternativas contra hegemônicas ao sistema capitalista que estão em curso em todos os cantos do planeta. Os processos sociais acumulados pelas organizações e movimentos sociais que convergiram na Cúpula dos Povos apontaram para os seguintes eixos de luta:

  • Contra a militarização dos Estados e territórios;
  • Contra a criminalização das organizações e movimentos sociais;
  • Contra a violência contra as mulheres;
  • Contra a violência as lesbicas, gays, bissexuais, transexuais e transgeneros;
  • Contra as grandes corporações;
  • Contra a imposição do pagamento de dívidas econômicas injustas e por auditorias populares das mesmas;
  • Pela garantia do direito dos povos à terra e território urbano e rural;
  • Pela consulta e consentimento livre, prévio e informado, baseado nos princípios da boa fé e do efeito vinculante, conforme a Convenção 169 da OIT;
  • Pela soberania alimentar e alimentos sadios, contra agrotóxicos e transgênicos;
  • Pela garantia e conquista de direitos;
  • Pela solidariedade aos povos e países, principalmente os ameaçados por golpes militares ou institucionais, como está ocorrendo agora no Paraguai;
  • Pela soberania dos povos no controle dos bens comuns, contra as tentativas de mercantilização;
  • Pela mudança da matriz e modelo energético vigente;
  • Pela democratização dos meios de comunicação;
  • Pelo reconhecimento da dívida histórica social e ecológica;
  • Pela construção do DIA MUNDIAL DE GREVE GERAL.
Foto: Agência Brasil

Voltemos aos nossos territórios, regiões e países animados para construirmos as convergências necessárias para seguirmos em luta, resistindo e avançando contra os sistema capitalista e suas velhas e renovadas formas de reprodução.

Em pé continuamos em luta!


Rio de Janeiro, 15 a 22 de junho de 2012.
Cúpula dos Povos por Justiça Social e ambiental em defesa dos bens comuns, contra a mercantilização da vida.

17 junho 2012

Rio+20: Após 20 anos, não temos muito a celebrar.

Charge de Aroeira

Após 20 anos, não temos muito a celebrar, diz secretário da Eco92

Vinte anos após a realização da Eco92, completados nesta sexta-feira, o secretário-geral da conferência, Maurice Strong, criticou a falta de empenho dos governos em promover o desenvolvimento sustentável. Durante um evento que reuniu representantes de diversos países durante a programação oficial da Rio+20, no Rio de Janeiro, Strong disse que não há motivos para celebrar. "Chamamos esse evento de celebração, mas na verdade não temos muito o que comemorar hoje", afirmou.

Segundo o canadense que comandou a conferência da ONU há 20 anos, existe atualmente uma enorme lacuna entre a ciência e as decisões políticas. "Os cientistas nos alertam todos os dias que estamos muito perto do colapso, mas pouco fazemos", disse ao destacar que a Rio+20, que acontece até o dia 22 de junho, é uma oportunidade para repensar o futuro da civilização.

Para Strong, os líderes reunidos no Rio de Janeiro em 1992 foram muito além do esperado, ao firmar acordos sobre biodiversidade, mudanças climáticas e desertificação. "Hoje estamos mais longe do caminho da ação do que há 20 anos, já que muitos países continuam negando a importância do desenvolvimento sustentável. Eu venho de um desses países, inclusive", disse ao citar a falta de empenho do Canadá em relação à proteção do ambiente.

Strong também citou o papel de algumas nações emergentes, como a China e o Brasil, que, segundo ele, têm se empenhado em promover as mudanças, unindo um elevado crescimento econômico com a preocupação ambiental e social. Ao falar do país-sede da conferência, ele ainda elogiou a capacidade dos brasileiros em organizar eventos desse porte e de liderar o debate rumo a uma economia sustentável.

Ao destacar que esse é um momento de mudança, ele cobrou que seja apresentado um sistema de responsabilização a todas as nações que não cumpriram com os acordos estipulados na Eco92. "Não quero que esta seja mais uma conferência, mas sim um marco importante na história pelos esforços visando assegurar uma forma de vida melhor para todos", completou.

Rio+20
Vinte anos após a Eco92, o Rio de Janeiro volta a receber governantes e sociedade civil de diversos países para discutir planos e ações para o futuro do planeta. A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que ocorre até o dia 22 de junho na cidade, deverá contribuir para a definição de uma agenda comum sobre o meio ambiente nas próximas décadas, com foco principal na economia verde e na erradicação da pobreza.

Composta por três momentos, a Rio+20 vai até o dia 15 com foco principal na discussão entre representantes governamentais sobre os documentos que posteriormente serão convencionados na Conferência. A partir do dia 16 e até 19 de junho, serão programados eventos com a sociedade civil. Já de 20 a 22 ocorrerá o Segmento de Alto Nível, para o qual é esperada a presença de diversos chefes de Estado e de governo dos países-membros das Nações Unidas.

Apesar dos esforços do secretário-geral da ONU Ban Ki-moon, vários líderes mundiais não estarão presentes, como o presidente americano Barack Obama, a chanceler alemã Angela Merkel e o primeiro ministro britânico David Cameron. Ainda assim, o governo brasileiro aposta em uma agenda fortalecida após o encontro.

Fonte: Terra Brasil

05 maio 2012

As ameaças contra o clima do planeta


"Mais aquecimento é inevitável, mas o nível de aquecimento futuro está em nossas mãos" - Mario Molina.
Mario Molina, prêmio Nobel de Química em 1995 por sua investigação sobre a ação dos CFCs sobre a camada de ozônio, fala sobre as principais ameaças para o futuro do planeta e o papel da sociedade nas alterações climáticas. Programa REDES, com Eduard Punset.

16 abril 2012

Dia Nacional da Conservação do Solo



DIA NACIONAL DA CONSERVAÇÃO DO SOLO
“O homem branco deve ensinar às suas crianças que o solo a seus pés é a cinza de nossos avôs”.
Para que respeitem a terra, deve ensinar a seus filhos que a terra foi enriquecida com a vida de nossos antepassados, que ela é nossa mãe. Tudo aquilo que acontecer a terra, acontecerá também aos filhos dela. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo neles mesmos. Sabemos que a terra não pertence aos homens.
O homem, sim, é que pertence a terra.”
Trecho da declaração do cacique Seattle ao presidente dos Estados Unidos, em 1854.

Esta data especial foi instituída pela Lei Nº 7.876/89, em homenagem ao nascimento do americano Hugh Hammond Bennet (1881-1960), estudioso da conservação do solo.
A data não é conhecida pela maioria das pessoas; isso porque não há uma popularização deste evento que é muito significativo, uma vez que esse recurso natural, entre outros, é de fundamental importância para nossas vidas, assim como é para os demais seres vivos que constituem os ecossistemas de nosso planeta. Hoje, há uma grande preocupação por parte dos governos e da sociedade pelo crescimento da população, escassez de recursos, mas pouco se tem feito para a conservação dos solos e devemos salientar que as atividades como agricultura e pecuária, que sustentam a sociedade em alimentos, têm como base esse recurso.
Dia Nacional da Conservação do Solo foi instituído no Brasil para servir de alerta à sociedade para a necessidade de preservar um dos principais patrimônios nacionais que esta sendo degradado.
Dia de aprender um pouco sobre o chão em que pisamos, construímos nossa casa e retiramos nossos alimentos, bem como pensar em formas de preservá-lo.
       Conceitualmente o solo é um corpo natural, ocupando porções na superfície terrestre, suportando plantas e edificações e que apresentam propriedades resultantes da atuação integrada do clima e dos organismos atuando sobre o material de origem, condicionado pelo relevo durante um período de tempo. Está em constante evolução e alteração. Esta natureza dinâmica e evolucionária está englobada na definição do solo, como sendo, material mineral inconsolidado na superfície da terra que tem estado sujeito e influenciado por fatores ambientais e genéticos, tais como: clima, material de origem, macro e microrganismos e topografia. Todos estes fatores atuam no tempo e produzem um produto chamado solo que difere do material originário em muitas propriedades e características físicas, químicas e biológicas.

       O solo agrícola é todo o solo que tenha aptidão para utilização agrossilvipastoril não localizado em área de preservação permanente;

      Os solos são um dos mais importantes recursos do meio ambiente, uma entidade viva, e não apenas um substrato no qual as plantas crescem. O solo é um recurso natural não renovável formado lentamente, mas que pode ser perdido rapidamente. A degradação da terra é um grave problema ambiental. O uso indiscriminado das terras na agricultura, sem levar em conta suas propriedades físicas, químicas e microbiológicas, é uma das principais causas da degradação do solo. Além disso, o desconhecimento do clima onde a propriedade rural está inserida piora essa situação.

Várias são as funções do solo, a principal talvez seja a de servir como recurso propício ao desenvolvimento de atividades produtoras de alimentos, frutos, legumes, cereais, folhas, etc. Na agricultura se perpetua a vida do homem, o solo lhe dá o alimento e o sustento do dia-a-dia, o pão, a bebida, o vinho, até o leite, pois os rebanhos que produzem o leite se alimentam de rações ou pastagens que se desenvolvem no solo. Poderíamos enumerar outros exemplos como arroz, soja, feijão, milho, tantos que poderíamos preencher algumas páginas. E muita coisa vem do solo.
Desde tempos remotos o homem, com a fixação dos grupos humanos organizados e o surgimento das grandes civilizações, utiliza os solos com a agricultura. O solo, comumente chamado de terra, chamado também de chão, e muitas vezes dito como lugar, no sentido de terra natal, constitui tudo isso e muito mais, significando ainda a possibilidade de prolongamento da vida. No antigo testamento ele é a matéria para a vida, pois como está escrito Adão foi criado do pó da terra, tendo Deus soprado nas narinas do primeiro homem para lhe tornar um ser vivo.
Quando olhamos para o passado podemos perceber exemplos de grande impacto no uso dos solos. O uso de tecnologias “novas” também causa degradação de recursos naturais como o solo, gerando o declínio das antigas civilizações. Um exemplo comumente usado é o da Mesopotâmia, situada entre os rios Tigre e o Eufrates, hoje e o Iraque, onde há cerca de 5.000 anos atrás, desenvolveu-se a civilização Persa, a qual dominou técnicas de irrigação e desenvolveu a agricultura. Documentos dão testemunho de que a utilização mal planejada da água trouxe degradação dos solos e das condições ambientais, tendo como resultado a sanilização e erosão, tornando a região árida. Hoje, ela continua na mesma situação de aridez e pouco produtiva.
Os grandes vilões do solo são a destruição da cobertura vegetal, desmatamento, queimadas; o esgotamento, causado pela interrupção constante do processo natural de reciclagem dos nutrientes; e a contaminação (fertilizantes, agrotóxicos, lixo e resíduos industriais).
      No Brasil a grande maioria dos solos está sofrendo algum tipo de degradação. Ações como cultivos intensos e contínuos, queimadas indiscriminadas, desmatamentos, urbanização sem planejamento, áreas de terra desnudas e abandonadas estão livres para os agentes naturais como o vento e a água, e assim, favorecendo a degradação desses solos.

      O chamado processo de arenização, ou seja, a transformação de um solo muito arenoso com uma cobertura vegetal fraca, em uma área com areia sem nenhuma ou quase nenhuma cobertura vegetal, pode ocorrer em poucos anos, dependendo da intensidade com que manejos inadequados de agricultura ou pecuária são conduzidos sobre estas áreas.

      Na região da campanha gaúcha esse processo se acentua devido os solos da região serem altamente arenosos, ter baixa coesão entre partículas, baixa fertilidade natural e uma vegetação rala e esparsa fazendo a região sudoeste gaúcha apresentar solos com altas taxas de erosão hídrica e eólica, deixando estes entre os mais suscetíveis à degradação, chegando a apresentar peculiaridade de deserto com vastas áreas com quase nenhuma vegetação.

       Embora algumas destas áreas sejam conhecidas há muito tempo, e sem interferência conhecida, a maioria delas sofreu intensa atividade humana com manejos inadequados que propiciaram uma degradação severa em áreas ainda sem processo de arenização, com isso os areais se expandiram e atingiram grandes extensões.

       A região de ocorrência dos solos que apresentam areais está localizada no sudoeste do Rio Grande do Sul, em direção oeste até a fronteira com a Argentina e Uruguai. A degradação do solo nesta região se manifesta com vastas áreas apresentando a forma de areais. Estes areais ocupam uma larga faixa onde se localizam os municípios de Alegrete, Cacequi, Itaquí, Maçambará, Manuel Viana, Quaraí, Rosário do Sul, São Borja, São Francisco de Assis e Unistalda.

No dia da conservação deste relevante recurso natural, chama-nos atenção à situação do Bioma Campos Sulinos ou Pampa. Grande parte deste ecossistema está coberta predominantemente de gramíneas, compostas e leguminosas, com porte e densidade suficiente para proteger os solos, isso porque as áreas remanescentes são poucas e grande parte foi degradada e incorporada aos cultivos ou pastagens. Com a redução da cobertura vegetal o solo fica sujeito à erosão, pelas chuvas, pelos ventos e, assim, o capital natural que representa é perdido e levado pelos rios, sangas e riachos no período chuvoso, causando voçorocas e conseqüentemente o assoreamento, isso também porque as práticas desenvolvidas na agricultura são ainda muito danosas ao recurso.
A conservação do Pampa requer melhores práticas de uso de seus recursos, principalmente dos solos, ou mesmo a redução na intensidade do uso atual em áreas impróprias, pois a degradação vem ocorrendo ao longo de séculos. Manter a sustentabilidade dos Campos Sulinos significa que seu uso deve ser planejado, para que sejam utilizadas as áreas propícias ou aptas para esse fim e permitir a possibilidade de regeneração dos recursos naturais. Ou seja, os órgãos competentes da alçada municipal, estadual e federal devem fazer campanhas de conservação dos solos, de florestamento, além da conscientização para evitar queimadas, reduzir os processos erosivos e, assim, lutar contra a arenização. Além disso, há necessidade de tornar efetivas as unidades de conservação já existentes no bioma, além da criação de outras que tenham como função conservar paisagens representativas dos diferentes tipos de campo.
Atualmente o Pampa esta entre os biomas brasileiros mais degradados, perdendo para a Mata Atlântica. Isso significa que a cada dia os solos do Pampa perdem suas condições de sustentar nossa sociedade; a atual degradação em curso não pode mais continuar, é necessário que se tomem providências para a convivência harmônica com as possibilidades que os recursos naturais podem fornecer. Assim, é responsabilidade de todos nós de zelar pelo patrimônio natural que representa o solo nosso de cada dia.
Agentes como o vento, o sol e a chuva vão desgastando a rocha e a transformando em um material mais macio. Com o passar do tempo, esse material é misturado a restos de vegetais e de animais mortos, sempre em contato com a água e o ar, e forma o solo, que é a terra na qual crescem as plantas.
O solo tem camadas formadas por vários elementos, mas ele não é igual em todos os lugares. Basta observar que cada região do país produz determinados alimentos em vez de outros. Isto ocorre porque cada tipo de solo é adequado para a sobrevivência determinadas plantas e impróprio para outras.
O homem tem criado técnicas, equipamentos e produtos químicos para aumentar a produtividade dos solos, mas muitas vezes sem se preocupar com os danos que isso pode causar. Por outro lado, os desmatamentos, as queimadas, o esgoto e a poluição em geral também têm agredido a terra. Sabemos que tudo isso deve ser evitado. O importante é pensarmos em como ajudar. Componente fundamental do ecossistema terrestre, o solo é um sistema dinâmico e complexo. Sua formação, resultante de centenas de milhares de anos, deve-se à interação entre elementos bióticos, bactérias e algas e abióticos, chuva, gelo, vento e temperatura.
Do solo fértil e equilibrado dependem a produção de alimentos, a sobrevivência de inúmeras espécies vegetais e animais, o ciclo da água, a matéria-prima ou substrato para obras civis, casas, indústrias, estradas e até a qualidade do ar.
      É crescente a preocupação com as questões ambientais e sua relação com a qualidade de vida no planeta, impondo, a cada dia, barreiras mais rígidas ao comércio de produtos e serviços para as diferentes cadeias produtivas. Dentro dessa perspectiva, é fundamental reconhecer e assumir que “a conservação dos recursos naturais é uma corresponsabilidade de todos os setores da sociedade, passado, presente e futuro, na proporção em que consomem produtos originados desses recursos”.

      Em algumas regiões do país, a erosão vem causando significativos prejuízos econômicos, sociais e ambientais. Algumas das consequências do mau uso e manejo do solo podem ser identificadas pela poluição e assoreamento dos cursos d’água e represas, perda de nutrientes e de matéria orgânica, enchentes avassaladoras que, a cada ano, afetam milhares de pessoas, entre outras.

      Os recursos naturais ainda disponíveis no planeta Terra são suficientes para garantir uma forma de vida adequada para todos, mas para isso é necessária à adoção de medidas de recuperação, compensação e conservação dos recursos existentes. A humanidade tem em suas mãos o destino do planeta, cabe a ela decidir os rumos a serem tomados, mas uma certeza existe “se continuar como está estaremos sujeitos ao fim”, precisamos fazer a nossa parte e tentar viabilizar a conscientização sobre a importância da conservação e recuperação dos recursos naturais existentes e oferecer formas alternativas e sustentáveis de manejo.

Por tudo isso é essencial evitarmos a degradação do solo, por meio de práticas como a rotação de culturas, adubação orgânica, drenagem, aragem, irrigação e manejo.
A política de uso racional do solo constitui-se no conjunto de objetivos, normas, procedimentos e ações encetadas pelo poder público, visando à manutenção e à melhoria do potencial produtivo do solo agrícola.
      O solo agrícola é um recurso natural, parte integrante do patrimônio ambiental estadual e bem de interesse comum a todos os cidadãos, devendo sua utilização sob qualquer forma, ser submetida às limitações que a legislação geral, e especialmente esta lei, estabelecem.

       A utilização do solo no meio rural, para quaisquer fins, deve ser através da adoção de práticas, técnicas, processos e métodos que visem a sua proteção, conservação, melhoria e recuperação, observadas as características geo-morfológicas, físicas, químicas, biológicas, ambientais, a capacidade e a aptidão de uso e as suas funções socioeconômicas.

      Devemos no mínimo observar, a aptidão agrícola para uso da terra que é a adaptabilidade do solo para um tipo específico de utilização agrossilvopastoril, segundo a avaliação das suas potencialidades e limitações, pressupondo-se a adoção de um ou mais distintos níveis de manejo, considerando o contexto socioeconômico; a      capacidade de uso da terra que é a adaptabilidade de um terreno para fins agrossilvopastoris, sem degradação, por um longo período de tempo, segundo a avaliação de suas potencialidades e limitações, especialmente quanto à declividade, pressupondo-se a aplicação de um nível de manejo tecnológico desenvolvido; a conservação do solo que é o conjunto de ações que visam à manutenção de suas características físicas, químicas e biológicas, e conseqüentemente, à sua capacidade produtiva continuada.

      A perda do equilíbrio das propriedades físicas, químicas e biológicas do solo com redução significativa ou perda da produtividade biológica ou econômica em decorrência da utilização da terra por um processo ou uma combinação de processos, incluídos os resultantes de atividades humana, causadas por efeito físico, erosão hídrica ou eólica, compactação e outras formas de alteração da estrutura do solo ou por efeito químico, acidificação, salinização, poluição, associadas ou não à deterioração das condições hidrológicas de superfície devido à perda da cobertura vegetal ou das condições geohidrológicas (águas subterrâneas).

      No uso adequado do solo agrícola de ser sempre observada, a adoção de um conjunto de práticas, técnicas e procedimentos que, de acordo com a sua capacidade de uso e aptidão agrícola, contribuem para a recuperação, conservação e melhoramento do solo agrícola, atendendo a função sócio-econômica e ambiental de estabelecimentos rurais;

     As terras agrícolas, em geral, estão compartimentadas de formas diferentes, com vários tipos de solos e cada tipo apresentando características e vocações próprias, necessitando para serem utilizados, de um estudo ou levantamento sobre a capacidade potencial e de uso dos mesmos, adequando os modelos de explorações às suas exigências naturais e adotando medidas de manejo, conforme o tipo de solo, para dar sustentabilidade a essas explorações sem causar nenhum prejuízo aos recursos naturais.

     A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação recomenda atenção para as técnicas que tornam a produção sustentável e eficiente, modernizam as instituições e as políticas nacionais. Ações coordenadas de instituições bem preparadas poderão responder os desafios da gestão dos solos e da água.

     Um novo paradigma da agricultura:

     O desafio: Para alimentar uma população mundial crescente, não temos opção senão intensificar a produção agrícola. Mas os agricultores enfrentam restrições sem precedentes. Para crescer, a agricultura deve aprender a economizar.
     Sistemas agrícolas: Intensificação da produção de culturas será construída em sistemas agrícolas que oferecem uma gama de produtividade, sócio-econômicos e ambientais benefícios aos produtores e à sociedade em geral.

     A saúde do solo: Agricultura deve, literalmente, voltar às suas raízes redescobrindo a importância do solo saudável, com base em fontes naturais de nutrição de plantas, e usando adubo mineral sabiamente.

     Culturas e variedades: Os agricultores necessitam de um conjunto geneticamente diverso de variedades melhoradas que são adequados para uma variedade de ecossistemas agrícolas e as práticas agrícolas, e resistentes à mudança climática.

     A gestão da água: Intensificação sustentável requer tecnologias mais inteligentes de precisão, para a irrigação e as práticas agrícolas que usam enfoques ecossistêmicos para conservar a água.

     Fitofarmacêutico: Os pesticidas matam as pragas, mas também inimigos naturais dos parasitas, e seu uso excessivo, podem prejudicar agricultores, consumidores eo meio ambiente. A primeira linha de defesa é um saudável ecossistema agrícola.

     Políticas e instituições: Para incentivar os pequenos agricultores a adotar intensificação da produção sustentável de culturas, são necessárias mudanças fundamentais nas políticas de desenvolvimento agrícola e instituições.

O Dia da Conservação do solo é uma advertência a ser lembrada diariamente para os que derrubam os remanescentes florestais e usam de outras práticas de agressão ao solo, conscientes ou inconscientemente. 

“Protegerás o solo e o delegarás sadio às gerações futuras”.
Recebido por e-mail de Julio Cesar Rech Anhaia – Eng.º Agrº - 15 de Abril de 2012

07 abril 2012

Os impactos das alterações no Código Florestal Brasileiro


Terça Ecológica debate impactos do Código Florestal nas cidades
Evento será realizado na Fabico da UFRGS na terça-feira, às 19h, tendo o vereador Beto Moesh como debatedor.
Promovida mensalmente pelo Núcleo de Ecojornalistas do RS (NEJ/RS), a primeira edição da Terça Ecológica neste ano, no dia 10 de abril, às 19 horas, tratará do tema “As mudanças no Código Florestal Brasileiro e os impactos nas cidades”. O convidado para debater o tema, no auditório 1 da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (Fabico) da UFRGS, em Porto Alegre, será o advogado e ambientalista Beto Moesch, que também é vereador na capital gaúcha. Ele abordará as alterações propostas ao Código Florestal e os impactos ambientais decorrentes delas. Alterações estas que já estão sendo postas em prática, como é o caso dos plantios de monoculturas em topos de morros no Estado. O evento é aberto ao público. 

Vereador Beto Moesch no "AGAPAN Debate" de setembro de 2009 - Foto: Cesar Cardia/Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho

Mesmo com o texto do novo Código Florestal em tramitação no Congresso Nacional e sob a ameaça de ter a votação adiada para depois da Rio+20 – a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável -, em junho, o Legislativo ainda busca um consenso sobre a matéria. Um item da proposta, por exemplo, prevê que o produtor possa tirar 20 metros cúbicos [de madeira] por hectare ao ano para seu consumo. Em algumas regiões do Rio Grande do Sul, que vêm sofrendo constantemente com a estiagem, os produtores retêm a água dos rios próximos.

Também tramita na Câmara o Projeto de Lei 3371/12, de autoria do deputado Alceu Moreira (PMDB-RS), que estabelece que, a partir da sanção da nova lei, ela poderá ser revista a cada cinco anos. O relator do projeto de novo Código Florestal (PL 1876/99) na Câmara Federal, deputado Paulo Piau (PMDB-MG), afirmou que vai acatar quase integralmente a versão aprovada no Senado. No entanto, o texto não inclui os dois pontos que permanecem polêmicos – recuperação de área de preservação permanente (APP) de margem de rios e a previsão de áreas verdes urbanas. O substitutivo promove 28 alterações no texto, a maioria pontuais.

Recomposição de APPs

Embora ressalte que as negociações sobre os pontos discordantes continuam, Piau se diz favorável à redação do Senado para a reconstituição de APPs de margens de rios. Pelo texto da Casa revisora, para cursos d’água de até dez metros de largura, deve ser recomposta uma faixa de 15 metros de vegetação. Para rios maiores, a área deverá ter entre 30 e 100 metros. A versão da Câmara prevê apenas que para rios de até 10 metros de leito a recomposição deverá ser de 15 metros. Rios maiores teriam as faixas definidas nos planos de regularização ambiental, a serem criados pela União e pelos estados. Os representantes dos produtores rurais defendem a manutenção deste texto.

Nenhuma das versões, entretanto, agrada a ambientalistas e a cientistas. Em carta aberta da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), representantes de instituições acadêmicas e de pesquisa afirmaram que “todas as APPs de margens de cursos d’água devem ser preservadas e, quando degradadas, restauradas integralmente”.

As determinações valeriam para as áreas ocupadas irregularmente até 22 de julho de 2008. Para novos desmatamentos, as regras continuariam as mesmas para APPs de cursos d’água – entre 30 e 500 metros. As duas versões aprovadas, no entanto, permitem aos proprietários rurais somar as APPs no cômputo da reserva legal – que permanece em 80% da propriedade na Amazônia, 35% no cerrado, e 20% nos demais biomas. Os especialistas afirmam que a medida, além de reduzir a vegetação protegida, vai comprometer principalmente a função da reserva legal, de conservar a vegetação nativa e formar corredores ecológicos – locais de trânsito de animais.

Os dois substitutivos também alteraram o local de início da medição das APPs de margens de rios, que deverá começar no leito regular. Hoje inicia-se a contagem pelo nível mais alto da água, nas cheias. Segundo a pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) Maria Tereza Piedade, esta alteração deixará “as florestas alagáveis desprotegidas, o que representa 1,5 milhão de km2”.

No substitutivo do Senado também foi incluída a previsão de área verde nas expansões urbanas, que deverão reservar 20 metros de vegetação para cada habitante. Ambientalistas e cientistas também consideram a medida questionável, pois não define a localização das áreas verdes. Para eles, o mais importante é proteger margens de cursos d’água e encostas com risco de desabamento.Confira as principais alterações no texto aprovado pelo Senado.

Fonte: EcoAgência, com informações da Agência Câmara de Notícias

08 março 2012

Inimigos das árvores atacam no Rio de Janeiro!

Via facebook da AMAGÁVEA (Associação de Moradores e Amigos da Gávea) - 7 de março de 2012:

Ipê Amarelo em setembro do ano passado - foto: AMAGÁVEA
Prezado Morador e amigo da Gávea,

Fomos informados a partir de um telefone de uma moradora da rua Vice Governador Rubens Berardo sobre o corte de árvores na esquina com Marques de São Vicente hoje. Na mesma hora estivemos no local e acionamos a 6 RA na presença do Sr. Leonardo Spritzer onde pedimos para verificar todos a documentação que "permite" o absurdo que está sendo realizado no local.

Hoje, 17 árvores, inclusive um ipê amarelo lindo, estão sendo derrubados na Gávea. Tudo com autorização da Prefeitura.

Segundo o advogado da construtora, que foi abordado no local o logradouro público, que fica na esquina da Vice Governador Rubens Berardo com a Marquês de São Vicente, sofreu “processo de investidura”. Ou seja, a Prefeitura, sem consultar a associação de moradores, na encolha, gentilmente VENDEU a esquina para que ela faça parte de um projeto de edificação.

Estamos acionando a advogada da Associação para verificar que medidas possíveis ainda podem ser tomadas e diversos moradores hoje, já marcaram um protesto em frente ao local para a partir das 17h.

Pedimos por email uma cópia de toda a documentação do caso em questão.

UMA PRAÇA PUBLICA NÃO PODE DESAPARECER DO BAIRRO SEM UMA CONSULTA PRÉVIA DA POPULAÇÃO, SEM QUE A ASSOCIAÇÃO DE MORADORES SEJA ABORDADA, QUE A QUESTÃO SEJA DISCUTIDA EM PLENÁRIA POR TODOS OS MORADORES, ASSOCIADOS OU NÃO.

Seguem algumas fotos do Ipe amarelo florido em setembro do ano passado e do crime ambiental ocorrido hoje pela amanhã com o corte da árvore.

Algumas duvidas precisam ser respondidas:

- como uma praça pode ser vendida para construção de um imovel em pleno bairro sem a consulta da população e da Associação de moradores?
- como uma praça pode ser destruida sem nenhum tipo de proteção dos orgãos governamentais? Pelo contrário, com seu conhecimento e conivencia!
- como árvores podem ser simplesmente arrancadas, cortadas, eliminadas sem nenhum respeito ao meio ambiente e moradores da região?
- Onde estão as placas do novo empreendimento ?


A Amagavea somos todos nós !

Atenciosamente,
Amelia Crespo
Presidente da Amagávea


O crime sendo cometido - foto: AMAGÁVEA

20 janeiro 2012

AGAPAN no Fórum Social Temático

Agapan traz palestrante japonês a Porto Alegre, para falar sobre sua ação anti-nuclear e Fukushima
Debate acontece durante programação do Fórum Social Temático.

No próximo dia 23, às 14h, na sala Fórum Democrático, no térreo da Assembleia Legislativa do RS, a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) promove debate sobre a tragédia nuclear de Fukushima, a recente conquista de direitos dos Aynu, cultura tribal tradicional existente na ilha de Hokkaido, norte do Japão, o movimento ecológico, o ecofeminismo e outros movimentos sociais do Japão contemporâneo. O palestrante será Yoshihiko Tonohira, monge budista da tradição Terra Pura, e sua filha Yuko Tonohira, que estarão em Porto Alegre de 18 a 25 de janeiro. O debate tem entrada franca e integra a programação do Fórum Social Temático que acontece na Região Metropolitana, de 24 a 29 de janeiro. No dia 25, eles palestram no Armazém 6 do Cais do Porto, às 9h e às 14h
Foto: Japan Focus

Yoshihiko e sua filha Yuko Tonohira participam ainda de palestras e encontros no Centro de Estudos Budistas Bodissatva, na comunidade zen Águas da Compaixão (dia 20, sexta-feira, às 19h), Assembleia Legislativa, Câmara de Vereadores de Porto Alegre e entrevistas com a imprensa.

Os Tonohira são budistas, originários de Hokkaido e têm uma cultura familiar religiosa, profundamente envolvida com o pacifismo, o movimento ecológico, o movimento anti-nuclear, os direitos das minorias étnicas, o ecumenismo e o diálogo inter-religioso. O monge Yoshihiko tem 65 anos. É o superior do Templo Ichijoji, Jodo Shinshu Hompa Honganji (Terra Pura), localizado em Fukagawa, cidade próxima de Sapporo, capital de Hokkaido. Atualmente é considerado uma grande liderança religiosa do budismo japonês e a sua vinda é esperada com muita expectativa por budistas brasileiros, ecologistas e organizadores do Fórum Social Temático. Sua filha Yuko, tem 31 anos, é formada em desenho industrial nos Estados Unidos e atualmente vive em Nova Iorque, onde atua no movimento eco-feminista e anti-nuclear. Seu filho, Makoto Tonohira, de 33 anos, também é monge budista da Terra Pura e formado em Estudos Budistas. No momento Makoto está em Fukushima, trabalhando como voluntário no socorro das vítimas do acidente da central nuclear atingida pelo tsunami.

Foto: Japan Focus

“A imprensa mundial não está informando a opinião pública sobre a situação das populações atingidas pela radiatividade, a poluição radiativa no mar e seus efeitos sobre a pesca e a alimentação do país, e as possibilidades de resfriamento e de impedimento da fusão do núcleo do reator e da sua possível explosão”, destaca Celso Marques, conselheiro da Agapan, ao afirmar que a situação é “escandalosa” e que a perspectiva da usina contaminação por plutônio é de desastre, pela contaminação dos alimentos, da água, das pessoas, muitas fugindo para outras regiões. “Caso a fusão do núcleo venha a acontecer, o pior ainda está por vir. Estamos desinformados sobre o que está acontecendo e sobre as perspectivas de evolução dos acontecimentos em Fukushima”, lamenta Marques.

Fukushima - Foto: The Guardian/AP

Para o ecologista, no Brasil não existe uma discussão pública a respeito dos riscos e dos custos socioambientais da energia nuclear. “Mesmo depois dos acidentes de Chernobyl e de Fukushima, o governo brasileiro, autocraticamente, dá sinais de pretender dar continuidade à construção de novas centrais nucleares”, diz, ao salientar que, “nessa conjuntura, a vinda de Yoshihiko e Yuko Tonohira a Porto Alegre e São Paulo representa uma oportunidade única para termos informações de primeira mão sobre a situação da questão nuclear e dos movimentos sociais no Japão”, finaliza Marques.

Com informações da Assessoria de Imprensa da Agapan/RS 
- Jornalista Adriane Bertoglio Rodrigues