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19 junho 2013

17 de junho: muita gente no protesto em Porto Alegre


O início do conflito, quando os manifestantes se dirigiam para protestar na frente do grupo de comunicação RBS.
A ótima e isenta matéria do Sul 21 sobre o protesto em Porto Alegre:
Protesto em Porto Alegre tem multidão nas ruas e forte confronto com a polícia
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Iuri Müller, Samir Oliveira, Igor Natusch, Débora Fogliatto, Ramiro Furquim
Nesta segunda-feira (17), Porto Alegre viu passar pelas suas ruas uma das maiores manifestações dos últimos tempos. Estima-se que mais de dez mil pessoas foram às ruas para protestar contra o possível aumento da tarifa de ônibus, as restrições sociais geradas por megaeventos esportivos e contra a violência que marcou outras marchas em distintas capitais do Brasil. No entanto, quando adentrou a noite, o protesto se modificou tanto que mais parecia outra manifestação – outra vez, houve diversos confrontos com a Brigada Militar, ataques a prédios públicos e discrepâncias entre os próprios manifestantes.
A partir das 18 horas, centenas de pessoas se concentraram na Praça Montevidéu, em frente à Prefeitura Municipal. Diferentemente de outros dias, nesta segunda-feira os próprios cartazes mostravam que a caminhada seria distinta. As mensagens lembravam novas reivindicações, como a crítica aos episódios recentes de corrupção e a impunidade histórica que acreditam pairar sobre a classe política.  Um cartaz dizia “Não à PEC-37”, adesivos lembravam a CPI da Telefonia e uma faixa deixava uma pergunta retórica no ar: “1964, é você?”. Nos cânticos e nas mensagens, estava clara a referência – e a solidariedade – com os atos que tinham início, quase na mesma hora, em outras cidades do Brasil como Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte. Aqui ou ali, os militantes que se concentravam logo seriam milhares e, depois, dezenas de milhares.
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Para Marcelo, ativista que rumou à Praça Montevidéu no início da noite, “o movimento quer é mudanças profundas”. Ele dizia que o aumento nas tarifas do transporte público foi “apenas a gota d’água” de uma série de episódios de descaso com a população brasileira. As bandeiras nacionais, aliás, estiveram presentes durante o trajeto como nunca: assim como o hino do Rio Grande do Sul foi cantado com força em alguns momentos. Ana, outra militante que se juntava ao movimento, afirmou que a população estava encontrando “formas de mostrar um descontentamento coletivo”. A aglomeração multitudinária de pessoas em distintos lugares do Brasil mostraria, mais do que nada, “a insatisfação geral com todos os problemas que o país enfrenta há muito tempo”.
Os manifestantes deixaram as proximidades do Largo Glênio Peres e passaram a caminhar pelas ruas de Porto Alegre por volta das 19 horas. Com o rosto tapado, um manifestante lembra que não costuma sair assim nos atos, mas que achou necessário por conta das detenções recentes. Assim como ele, houve quem dissesse estar “marcado” pela Brigada Militar e buscaram formas de evitar outra detenção. Quando a passeata entrou na Avenida Salgado Filho, o grupo já era formado por milhares, e não parava de crescer. A manifestação era inteiramente pacífica e emocionava a muitos dos que viam de fora. A extensão do ato, no entanto, só foi compreendida na Avenida João Pessoa, quando todos passavam por uma mesma e visível rua: a multidão era maior do que na quinta-feira passada (13), e ultrapassava o número de dez mil pessoas.
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Porto Alegre viveu uma só marcha, mas houve momentos tão distintos que mais pareceram duas
Em muitas janelas, panos, bandeiras e toalhas brancas mostravam aos manifestantes que ali havia apoio – da mesma forma que pessoas abanavam dos prédios, aplaudiam nos carros e nas calçadas. Em um dos edifícios, uma faixa anunciava que os moradores haviam liberado a internet sem fio para os manifestantes, repetindo algo que aconteceu também na Turquia. O grito mais ouvido enquanto a marcha passava pela Avenida João Pessoa era: “o povo acordou!”. Para Gilberto, que não compartilhava da mesma faixa etária que a maioria dos presentes, o protesto foi um dos maiores das últimas décadas. “Acho que desde a época da ditadura, quando as pessoas também enchiam as ruas, eu não via uma passeata tão grande”, disse. Mesmo quando a marcha passou pelo mesmo cenário em que, no último protesto, houve confronto aberto entre manifestantes e a polícia militar, a caminhada parecia pacífica.
Foi no instante em que a manifestação optou por dobrar em direção à Avenida Ipiranga, no entanto, que as situações se transformaram. A parte dianteira do grupo se aproximava da sede do Grupo RBS, na esquina com a Avenida Érico Veríssimo, quando se ouviram os primeiros disparos e bombas da noite. A Brigada Militar havia entrado em confronto com os manifestantes pela primeira vez, conflito que se repetiria em vários momentos e lugares no decorrer da manifestação. A imensa maioria dos manifestantes parou de caminhar imediatamente. No outro lado da avenida, uma concessionária de motos foi atacada e houve quem corresse para dentro do local. Minutos depois, bombas e rojões atravessavam o Arroio Dilúvio: o cenário havia mudado completamente, e o enfrentamento permaneceria vigente por mais de uma hora nas proximidades entre a Ipiranga e a Azenha.
Manifestantes que encabeçavam a marcha recuaram com o passar do tempo, muitos buscando água para aliviar os efeitos das bombas de gás lacrimogêneo que foram jogadas aos montes. Enquanto recuavam, alguns gritavam “sem violência!” e “a luta não se reprime, protesto não é crime!”. A reportagem do Sul21 presenciou casos em que os ativistas tiveram que ser levados para casas próximas a fim de receber auxílio, e até ambulâncias do Samu tiveram que resgatar pessoas na multidão. Na medida em que a onda de gás lacrimogêneo – constantemente alimentada por novas bombas – crescia pela região, os manifestantes recuavam pela Avenida João Pessoa. Por trás da cortina branca de fumaça, a batalha entre alguns ativistas e a polícia se mantinha com força: balas de borracha eram disparadas sem parar, e as pessoas que corriam tentavam entender a dimensão do conflito.
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Protesto termina em confronto aberto e perseguição pelas ruas do Centro
Quando a permanência na Avenida João Pessoa se tornou inviável em função do gás e dos tiros, a marcha se dirigiu para a Cidade Baixa e, consequentemente, se fragmentou. Neste momento, havia o temor de que a polícia bloqueasse os acessos e cercasse os manifestantes, como no protesto da última quinta-feira. De tempos em tempos, mais pessoas deixavam o principal foco de confronto e caminhavam para o Largo Zumbi dos Palmares, junto à Perimetral. Um grupo de manifestantes permanecia resistindo às investidas da Brigada Militar, que buscava desocupar a via, mas em algum momento foi necessário correr em retirada. No caminho, contêineres de lixos foram queimados, outros vidros racharam e um ônibus foi incendiado. Uma longa e dispersa perseguição teve início.
Entre os militantes que já haviam alcançado a Cidade Baixa, difundiu-se a ideia de retornar à Avenida João Pessoa. O grupo permaneceu parado na Perimetral durante cerca de dez minutos, e em seguida praticamente todos aderiram ao chamado de voltar. Enquanto isso, outra parte do grupo retornava pela Rua Lima e Silva e teve de se refugiar em bares para evitar os efeitos da perseguição. A Brigada Militar, pouco a pouco, tentava diminuir o espaço e estar a poucos metros da manifestação. A violência observada nas vias já mencionadas deixou consequências: 38 manifestantes foram detidos e cinco ficaram feridos.
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Parte da multidão voltou a se concentrar e, por volta das 23 horas, cruzou a Avenida Borges de Medeiros, por baixo do viaduto. Houve quem derrubasse as luminárias que contornam a passagem, impondo riscos aos demais manifestantes: as esferas caíram sobre a multidão que caminhava logo abaixo. Naquele local, um carro de uma empresa de segurança ficou trancado em meio aos ativistas e o motorista foi ameaçado pelos manifestantes. Numa ação perigosa, o veículo abandonou o local em marcha ré e por pouco não atropelou com gravidade um ciclista. Pouco antes, ainda na Perimetral, a motorista de um táxi que rompeu o bloqueio do protesto viveu momentos de terror psicológico. Foi cercada por um reduzido grupo que a insultou e tentou furar os pneus do carro.
No final da noite, quase início da madrugada, o palco dos confrontos foi o Centro de Porto Alegre. A cavalaria da Brigada Militar, com sabres em punho, passou correndo pela Duque de Caxias, enquanto manifestantes tentavam alcançar o Palácio Piratini e a Assembleia Legislativa. Prédios da Praça da Matriz, como o Theatro São Pedro e o Palácio da Justiça, tiveram os vidros quebrados, mas o grupo não chegou aos locais pretendidos. A partir daí, a polícia bloqueou ruas centrais e abordou manifestantes que passavam com mochilas, ao passo em que os bombeiros circulavam para apagar o fogo de contêineres. Durante parte da noite, Porto Alegre teve o serviço de ônibus suspenso em função dos acontecimentos.
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Tarso Genro: “temos que transformar o momento em algo favorável”
Em entrevista coletiva concedida no final da noite de segunda-feira (17), o governador gaúcho Tarso Genro disse respeitar as manifestações ocorridas em Porto Alegre e em outras cidades do Brasil, as quais atribui a um sentimento de insatisfação popular com as instituições políticas. “É preciso analisar bem a situação, chamar as pessoas para que continuem se manifestando, mas faço um apelo ao movimento para evitar atos violencia”, afirmou o governador, acrescentando que “ainda está monitorando” os acontecimentos. “É um momento que requer muita ponderação”, descreveu Tarso.
Segundo ele, os acontecimentos violentos na noite de Porto Alegre são obra “de uma parte restrita” dos manifestantes, que acaba prejudicando a compreensão do restante da população quanto aos objetivos do movimento. Tarso afirma que a BM interveio quando “as depredações se dirigiam para ameaça de integridade física” e que a barreira policial foi necessária para evitar que o confronto “descambasse para violência generalizada”.
De acordo com ele, a orientação era para que a Brigada Militar “usasse de toda ponderação” quanto aos protestos. “O que chegou a mim é que foi cumprido. Mas se constatarmos que houve ato inadequado, vamos responsabilizar”, garantiu. “Temos a Corregedoria, a própria estrutura de segurança pública, e faremos uso dessas estruturas para apurar excessos”.
Ainda segundo Tarso, é possível “transformar o momento desfavorável em algo favorável”, a partir de uma mudança política nacional. “Temos que aproveitar esse acontecimento para uma profunda reforma das instituições e dos partidos políticos”, defendeu. “Há depredações em toda parte (do Brasil). Esperamos que os parlamentos dê respostas a essa juventude, promovendo a reforma de um sistema que está marginalizando milhares e milhares”, concluiu.
Veja mais fotos do ato desta segunda-feira:
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
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| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Fonte: http://www.sul21.com.br/jornal/2013/06/protesto-em-porto-alegre-tem-multidao-nas-ruas-e-forte-confronto-com-a-policia/



Mais fotos da manifestação:

Povo se reunindo em frente da prefeitura - Foto: Cesar Cardia
Bandeiras de partidos eram vaiadas - Foto: Cesar Cardia

Não era apenas um protesto de jovens - Foto: Cesar Cardia

"Uma cidade para pessoas, não para carros"- Foto: Cesar Cardia

Cavalaria e Tropa de Choque sempre acompanhando a Marcha - Foto: Cesar Cardia

Inicia a Marcha, tomando a Av. Borges de Medeiros - Foto: Cesar Cardia

Muitos aplausos e acenos vinham dos prédios - Foto: Cesar Cardia

"Não existe escudo grande o suficiente para cobrir a VERGONHA de
machucar inocente", está escrito no cartaz - Foto: Cesar Cardia

Na concentração do Ato de Protesto no dia 17 de junho em Porto Alegre, manifestantes cantam o Hino Rio-grandense em frente da prefeitura municipal. (vídeo feito por ZH).


10 dezembro 2012

O papel da imprensa na democratização do movimento socioambiental

Via Blog da AGAPAN :

Terça Ecológica 11/12: O papel da imprensa na democratização do movimento socioambiental


Lívia Zimmermann/Foto: ALRS
Alguns documentos inéditos sobre os protestos do movimento ambientalista gaúcho contra a poluição da antiga fábrica de celulose Borregard e a ameaça de instalação de aterro sanitário na Ilha do Pavão, em Porto Alegre, na década de 1970, serão apresentados na próxima terça-feira (11/12), durante mais uma edição da Terça Ecológica, evento mensal realizado pelo Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul.

As informações serão apresentadas pela comunicadora social e mestre em saúde coletiva Lívia Zimmermann, que relembra o trabalho de sua mãe, uma das precursoras do movimento ambientalista e indigenista no Rio Grande do Sul Hilda Zimmermann, falecida neste ano.

Ao abordar a importância que a imprensa teve para a democratização do movimento ecológico, em todas as fases, até chegar aos dias de hoje, Lívia vai apresentar pesquisa realizada durante o início da década de 1990, quando concluía seus estudos de graduação em Comunicação Social - Relações Públicas, sobre a degradação socioambiental nas ilhas do Delta do Jacuí, junto ao município de Porto Alegre. Ela traça um paralelo entre as fases das Relações Públicas com a da consciência socioambiental da população.

Ela lembra a atuação das ONGs Agapan e ADFG, que durante a década de 1970 organizaram, na Ilha Grande dos Marinheiros, juntamente com o Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU), a primeira Campanha de Coleta Seletiva do Lixo na capital gaúcha. “Mas, infelizmente”, acrescenta, “apesar do apoio da população, rivalidades internas da administração municipal não deram continuidade ao projeto”.

Terça Ecológica
O Papel da Imprensa na Democratização do Movimento Socioambiental
Lívia Zimmermann - Comunicadora Social e Mestre em Saúde Coletiva
Dia 11 de dezembro
Às 19h
Auditório 3 da FABICO/UFRGS
Rua Ramiro Barcelos, 2705 - Bairro Santana
Evento: Ecojornalistas

Texto: Juarez Tosi

08 agosto 2012

Ministério Público x OAS (Arena do Grêmio)

Palácio da Justiça RS
ARENA do Grêmio - Ação Cautelar de 16 de maio de 2012.
Hoje, dia 8 de agosto, ocorrerá uma “Audiência de Conciliação” entre o Ministério Público e OAS.
O MP entrou com uma Ação Cautelar relativa ao complexo ARENA do Grêmio, onde a OAS figura como ré.
O MP está reclamando dos valores a mais que a OAS deveria pagar como compensação.
Na ação o MP fala sobre o Lago Guaíba mas omite-se com relação à APP. Porém o MP afirma que as águas subterrâneas no local da construção estão contaminadas, que as construções afetam o Delta do Jacuí, que o parecer técnico da autoridade carece de fundamentos, etc.
Questiona até o negócio imobiliário e contestou duramente os valores apontados pelos investidores com fins de fugir da taxação!
Além desse processo também tramita na justiça uma Ação Popular, proposta por ambientalistas, que passados três anos está em discussão no Tribunal de Justiça. Na Ação Popular figuram como réus o Município de Porto Alegre, Câmara Municipal de Vereadores, Grêmio, Internacional e União - Advocacia Geral da União

Será que a Audiência de Conciliação terá cobertura da imprensa?

Palácio do Ministério Público do Rio Grande do Sul

04 abril 2012

Norman Foster, prêmio Pritzker de Arquitetura, fala sobre as cidades

Sir Norman Foster
Sobre o Prêmio Pritzker
O Pritzker é a principal láurea na área de arquitetura. Alguns ganhadores podem ser contestados, mas é uma parte ínfima deles. Contudo, os grandes arquitetos contemporâneos foram premiados - Johnson, Stirling, Tange, Niemeyer, Ando, Foster, Piano, Rogers, Moneo, Siza, Rossi, Portzamparc e tantos outros. O prêmio também tem feito uma salutar alternância entre arquitetos inovadores e com grande presença na mídia, como Koolhaas, Herzog & De Meuron e Hadid, com arquitetos de inserção regional, caso de Hollein, Mendes da Rocha e Glenn Murcutt, cuja premiação os catapultou para o star system. O prêmio é tão justo que é improvável que Perrault seja esquecido como foi Borges, que faleceu sem ganhar o Nobel da literatura. 

Abílio Guerra, arquiteto e editor do portal Vitruvius
Fonte: Revista aU


Recebido por e-mail:
"Prêmio Nobel" de Arquitetura fala sobre cidades!

Trechos da entrevista do arquiteto inglês Norman Foster, prêmio Pritzker, o Nobel da Arquitetura. (Caderno EU – Valor, 30)

1. Projetos urbanos devem ser holísticos e contemplar, como um todo, os sistemas de transporte e de infraestrutura, o abastecimento de energia, os espaços públicos, a densidade urbana e a inserção adequada dos edifícios nas cidades.

2. Deve existir um planejamento a longo prazo, mesmo porque contratos de curto prazo com a iniciativa privada podem impedir essa visão mais ampla e integrada do processo de desenvolvimento urbano.

3. No Rio, áreas de favelas são predominantemente formadas por prédios baixos e ruas estreitas, com pouco acesso. Para melhorar a qualidade de vida nestes lugares, é preciso valorizar os pontos fortes das comunidades locais, enaltecendo, por exemplo, as escolas de samba e suas tradições carnavalescas. Até porque, projetos que não refletem a forma como as pessoas vivem não têm sucesso no longo prazo.

4. Desenvolvemos um estudo para a favela de Dharavi, em Mumbai, uma das maiores favelas do mundo. Nossa proposta foi melhorar o acesso, o saneamento básico e distribuição de energia. Com isso, conseguimos proporcionar novas linhas de transportes públicos e abrir vias maiores para os pedestres, criando mais parques e áreas para convivência pública.

5. Nossas propostas enfatizaram a importância da regeneração da comunidade de dentro para fora, em vez de simplesmente passar um rolo compressor sobre as favelas.
 

06 agosto 2011

Gravação na Gonçalo de Carvalho

Na sexta-feira, dia 5 de agosto, a RBS TV mandou uma equipe e a apresentadora Regina Lima do programa TeleDomingo para gravar uma matéria sobre a Rua Gonçalo de Carvalho. A matéria deverá ser apresentada no domingo da semana que vem.
"Existe coisa melhor que acordar com o canto dos pássaros?" 
- disse uma antiga moradora da Gonçalo de Carvalho.

O programa  TeleDomingo vai ao ar nos domingos, logo após o programa Fantástico.

Reinaldo Lameira, um dos criadores do Movimento 
e sócio-fundador da AMABI participou da gravação.

O motivo para isso?
O pessoal da RBS descobriu (a própria Regina disse que fez o teste) que se digitar "Ruas bonitas" e "Rua mais bonita do mundo", aparece a Rua Gonçalo de Carvalho daqui de Porto Alegre.
Devem ter descoberto isso pelo próprio blog ZH Moinhos, que fez matéria a respeito da "invasão dos Balcãs"
http://wp.clicrbs.com.br/zhmoinhos/2011/08/03/invasao-dos-balcas-na-goncalo-de-carvalho/?topo=13,1,1,,,13
Moradores da Rua Gonçalo de Carvalho prestaram depoimentos 
sobre a alegria de morar em uma "floresta urbana".


22 julho 2011

Rua Gonçalo de Carvalho na TV Câmara



Programa "Com a Câmara na Cidade" da TV Câmara de Porto Alegre ( Canal 16 da NET) sobre os “Túneis Verdes” de Porto Alegre, em especial sobre a Rua Gonçalo de Carvalho, a Rua mais bonita do mundo, segundo o Blog “A Sombra Verde” de Portugal.
O programa foi apresentado em vários dias e horários no mês de junho de 2011.

A importância das árvores urbanas no sequestro do carbono
O papel dos espaços verdes das cidades no sequestro do carbono era ainda muito desconhecido e subestimado. A promoção de árvores nos espaços verdes urbanos pode ser a medida chave para os objetivos de redução de emissões de carbono.
As árvores urbanas desempenham um papel muito mais relevante na fixação de carbono da atmosfera do que, mesmo cientificamente, tem sido considerado. O recente estudo para quantificar o carbono fixado pela vegetação urbana foi ainda um projeto pioneiro e revelou a verdadeira importância deste papel da vegetação nas cidades.
O trabalho realizado no Reino Unido, sugere que a vegetação urbana pode ser a chave para o cumprimento das metas ambiciosas de redução das emissões de CO2. Os resultados obtidos demonstram que a vegetação urbana fixa cerca de 3,16 kg de carbono por m2. A grande maioria do carbono é fixo nas árvores e principalmente nas árvores de grande porte.
Fonte: Guardian
Link da matéria: http://naturlink.sapo.pt/article.aspx?menuid=20&cid=39265&bl=1

06 outubro 2010

Ato público pelo direito à informação e 25 anos do Jornal JÁ

Comitê Resistência JÁ

Convite
Ato público pelo direito à informação e 25 anos do Jornal JÁ

Cerca de 50 pessoas reunidas na sede da Associação Riograndense de Imprensa, no dia 11 de setembro de 2010, decidiram criar um “comitê de resistência” para impedir a liquidação do Jornal JÁ, cuja sobrevivência está ameaçada por um processo judicial com nítidas componentes políticas.

Este movimento de resistência vai além de iniciativas para a recuperação financeira do jornal JÁ. Pretende sobretudo defender o direito à informação, assegurado pelo inciso XIV do artigo 5º da Constituição Federal: “É assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional”.

6a-feira, 8 de outubro de 2010, 19 horas
Teatro Dante Barone, Assembléia Legislativa do RS

* Exposição de material histórico do jornal
* Exposição de charges de Santiago, Edgar Vasques, Eugênio Neves, Kaiser, Bier, Halls, Eduardo Simch, Rafael Correa e outros

Apoio: ARI, AJURIS, IAB, OAB, AGAPAN, Amigos da Gonçalo de Carvalho, ACJM/RS, Movimento Defenda a Orla, SINDJORS, FENAJ, SindBancários, CUT/RS, Força Sindical, Federação das Mulheres Gaúchas, Sindicato dos Servidores Públicos Federais - Sindiserf/RS, Grafar.

· Para ler o artigo do jornalista Luiz Cláudio Cunha, publicado no Observatório de Imprensa,que chamou a atenção para o caso em todo o Brasil: http://www.jornalja.com.br/2010/08/31/7287/
· Para ler a entrevista do editor do JÁ, Elmar Bones, publicada por Paulo Henrique Amorim no seu blog Conversa Afiada: http://migre.me/1tIJ3

Data: dia 8 de outubro, às 19 horas
Local: Vestíbulo do Teatro Dante Barone da Assembleia Legislativa do RS


Exposição sobre os 25 anos do JORNAL JÁ, relançamento do JORNAL JÁ e palestra com o jornalista e diretor do JÁ, Elmar Bones.

FAÇA PARTE DESTA HISTÓRIA!
-- 
Jornal JÁ
Comitê Resistência JÁ

10 setembro 2010

Como silenciar um jornal independente

Jornal JÁ - o jornalismo independente ameaçado de morte
O momento é de extrema gravidade na história do Jornal JÁ, um ícone do jornalismo independente. Uma ação movida pela família Rigotto, que se arrasta por 10 anos, pode falir o JÁ e o jornalista Elmar Bones.
Não podemos assistir a essa truculência de braços cruzados.
Precisamos agir. Por isso estamos convocando todas e todos interessados/que se importam com a sobrevivência e a dignidade do Jornal JÁ, que faz parte da nossa história de lutas por liberdades, para um encontro de formação do COMITÊ RESISTÊNCIA JÁ.
Precisamos da criatividade, inteligência, boa vontade, sentimento de justiça, indignação e um pouquinho de tempo de cada um e de cada uma para traçarmos estratégias que livrem o Jornal JÁ das garras da família Rigotto!!!!

Entrevista do Elmar Bones no Blog do Paulo Henrique Amorim:

O jornalista que Rigotto persegue há 10 anos. Exclusivo: depoimento dramático

Vamos pensar juntos!!

DIA 11 DE SETEMBRO, SÁBADO, 10 HORAS
AUDITÓRIO DA ARI ( Associação Riograndense de Imprensa)
Av. Borges de Medeiros, 915

 No Observatório da Imprensa:

JORNAL
COMO CALAR E INTIMIDAR A IMPRENSA

Ação movida pela família do ex-governador Germano Rigotto, candidato ao Senado pelo PMDB gaúcho, está asfixiando financeiramente o jornalista Elmar Bones (foto), editor do Jornal JÁ, de Porto Alegre. Motivo de ação é uma premiada reportagem de Bones sobre aquela que seria uma das maiores fraudes da história gaúcha, ocorrida durante o governo de Pedro Simon: a licitação manipulada de 11 subestações da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), que teria causado um prejuízo de R$ 840 milhões aos cofres do Estado, segundo investigações realizadas na época. Em recente decisão judicial, contas pessoais de Bones e sócio foram bloqueadas online para pagar advogados. O artigo é de Luiz Claudio Cunha, do Observatório da Imprensa.

Luiz Cláudio Cunha - Observatório da Imprensa Artigo publicado originalmente no Observatório da Imprensa
 
"Quando o mal é mais audacioso, o bem precisa ser mais corajoso." (Pierre Chesnelong, 1820-1894, político francês)
Agosto, mês de cachorro louco, marcou o décimo ano da mais longa e infame ação na Justiça brasileira contra a liberdade de expressão.
É movida pela família do ex-governador Germano Rigotto, 60 anos, agora candidato ao Senado pelo PMDB do Rio Grande do Sul e supostamente alheio ao processo aberto em 2001 por sua mãe, dona Julieta, hoje com 89 anos. A família atacou em duas frentes, indignada com uma reportagem de quatro páginas, publicada em maio daquele ano em um pequeno mensário (tiragem de 5 mil exemplares) de Porto Alegre, o JÁ, que jogava luzes sobre a maior fraude da história gaúcha e repercutia o envolvimento de Lindomar Rigotto, filho de Julieta e irmão de Germano.
Uma ação, cível, cobrava indenização da editora por dano moral. A outra, por injúria, calúnia e difamação, punia o editor do JÁ e autor da reportagem, Elmar Bones da Costa (foto, hoje com 66 anos. O jornalista foi absolvido em todas as instâncias, apesar dos recursos da família Rigotto, e o processo pelo Código Penal foi arquivado. Mas, em 2003, Bones acabou sendo condenado na área cível ao pagamento de uma indenização de R$ 17 mil. Em agosto de 2005 a Justiça determinou a penhora dos bens da empresa.
O JÁ ofereceu o seu acervo de livros, cerca de 15 mil exemplares, mas o juiz não aceitou. Em agosto de 2009, sempre agosto, quando a pena ascendera a quase R$ 55 mil, a Justiça nomeou um perito para bloquear 20% da receita bruta de um jornal comunitário quase moribundo, sem anúncios e reduzido a uma redação virtual que um dia teve 22 jornalistas e hoje se resume a dois – Bones e Patrícia Marini, sua companheira. Cinco meses depois, o perito foi embora com os bolsos vazios, penalizado diante da flagrante indigência financeira da editora.
Até que, na semana passada, no maldito agosto de 2010, a família de Germano Rigotto saboreou mais um giro no inacreditável garrote judicial que asfixia o jornal e seu editor desde o início do Século 21: o juiz Roberto Carvalho Fraga, da 15ª Vara Cível de Porto Alegre, autorizou o bloqueio online das contas bancárias pessoais de Elmar Bones e seu sócio minoritário, o também jornalista Kenny Braga. Assim, depois do cerco judicial que está matando a editora, a família Rigotto assume o risco deliberado de submeter dois dos jornalistas mais conhecidos do Rio Grande ao vexame da inanição, privados dos recursos essenciais à subsistência de qualquer ser humano.
O personagem de Scorsese
Afinal, qual o odioso crime praticado pelo JÁ e por Elmar Bones que possa justificar tanta ira, tanta vindita, ao longo de tanto tempo, pelo bilioso clã Rigotto? O pecado do jornal e seu editor só pode ter sido o jornalismo de primeira qualidade, ousado e corajoso, que lhe conferiu em 2001 os prêmios Esso Regional e ARI (Associação Riograndense de Imprensa), os principais da categoria no sul do país, pela reportagem "Caso Rigotto – Um golpe de US$ 65 milhões e duas mortes não esclarecidas".
A primeira morte era a de uma garota de programa, Andréa Viviane Catarina, 24 anos, que despencou nua do 14º andar de um prédio na Rua Duque de Caxias, no centro da capital gaúcha, no fim da tarde de 29 de setembro de 1998. O dono do apartamento, Lindomar Rigotto, estava lá na hora da queda. Ele contou à polícia que a garota tinha bebido uísque e ingerido cocaína. Nenhum vestígio de álcool ou droga foi confirmado nos exames de sangue coletados pela criminalística. O laudo da necropsia diz que a vítima mostrava três lesões – duas nas costas, uma no rosto – que não tinham relação com a queda. Ela estava ferida antes de cair, o que indicava que houve luta no apartamento. Um teste do Instituto de Criminalística indicou que o corpo de Andréa recebeu um impulso no início da queda.
No relatório que fez após ouvir Rigotto, o delegado Cláudio Barbedo, um dos mais experientes da polícia gaúcha, achou relevante anotar: "[Lindomar] depôs sorrindo, senhor de si, falando como se estivesse proferindo uma conferência". Os repórteres que o viram chegar para depor, no dia 12 de novembro, disseram que ele parecia "um personagem de Martin Scorsese", famoso pelos filmes sobre a Máfia: Lindomar usava óculos escuros, terno azul marinho, calça com bainha italiana, camisa azul, gravata colorida e gel nos cabelos compridos.
O figurino não impressionou o delegado, que incluiu na denúncia o depoimento de uma testemunha informando que Lindomar era conhecido como "usuário e traficante de cocaína" na noite que ele frequentava – por prazer e ofício – como dono do Ibiza Club, uma rede de quatro casas noturnas que agitavam as madrugadas no litoral do Rio Grande e Santa Catarina. Em dezembro, o delegado Barbedo concluiu o inquérito, denunciando Lindomar Rigotto por homicídio culposo e omissão de socorro.
Lindomar só não sentou no banco dos réus porque teve também uma morte violenta, 142 dias após a de Andréa. Na manhã de 17 de fevereiro, ele fechava o balanço da última noite do Carnaval de 1999, que levou sete mil foliões ao salão do Ibiza da praia de Atlântida, a casa mais badalada do litoral gaúcho. Cinco homens armados irromperam no local e roubaram a féria da noitada. Lindomar saiu em perseguição ao carro dos assaltantes. Emparelhou com eles na praia vizinha, Xangrilá, a três quilômetros do Ibiza. Um assaltante botou a arma para fora e disparou uma única vez. Lindomar morreu a caminho do hospital, com um tiro acima do olho direito. Tinha 47 anos.
O choque de Dilma
A trepidante carreira de Lindomar Rigotto sofrera um forte solavanco dez anos antes, com seu envolvimento na maior fraude da história gaúcha: a licitação manipulada de 11 subestações da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), uma tungada em valores corrigidos de aproximadamente R$ 840 milhões – 21 vezes maiores do que o escândalo do Detran que submeteu a governadora Yeda Crusius a um pedido de impeachment, quase três vezes mais do que os desvios atribuídos ao clã Maluf em São Paulo, quinze vezes maior do que o total contabilizado pelo Supremo Tribunal Federal para denunciar a "quadrilha dos 40" do mensalão do governo Lula.
Afundada em dívidas, a estatal gaúcha de energia tinha dificuldades para captar os US$ 141 milhões necessários para as subestações que gerariam 500 mil quilowatts para 51 pequenas e médias cidades do Rio Grande. Preocupado com a situação pré-falimentar da empresa, o então governador Pedro Simon (PMDB) tinha exigido austeridade total.
Até que, em março de 1987, inventou-se o cargo de "assistente da diretoria financeira" para acomodar Lindomar, irmão do líder do Governo Simon na Assembléia, o deputado caxiense Germano Rigotto. "Era um pleito político da base do PMDB em Caxias do Sul", confessaria depois o secretário de Minas e Energia, Alcides Saldanha. Mais explícito, um assessor de Saldanha reforçou a paternidade ao JÁ: "Houve resistência ao seu nome [Lindomar], mas o irmão [Germano] exigiu".
Com a chegada de Lindomar, as negociações com os dois consórcios das obras, que se arrastavam há meses, foram agilizadas em apenas oito dias. Logo após a assinatura dos contratos, os pagamentos foram antecipados, contrariando as normas estritas baixadas por Simon para evitar curtos-circuitos contábeis na CEEE. Três meses depois, a empresa foi obrigada a um empréstimo de US$ 50 milhões do Banco do Brasil, captado pela agência de Nassau, no paraíso fiscal das Bahamas.
Uma apuração da área técnica da CEEE detectou graves problemas: documentos adulterados, folhas numeradas a lápis, licitação sem laudo comprovando a necessidade da obra. A sindicância da estatal propôs a revisão dos contratos, mas nada foi feito. A recomendação chegou ao governo seguinte, o de Alceu Collares (PDT), e à sucessora de Saldanha na pasta das Minas e Energia, uma economista chamada Dilma Rousseff. "Eu nunca tinha visto nada igual", diria ela, chocada com o que leu.
Dilma só não botou o dedo na tomada porque o PDT de Collares precisava dos votos do PMDB de Rigotto para ter maioria na Assembléia. Para evitar o risco de queimaduras, Dilma, às vésperas de deixar a secretaria, em dezembro de 1994, teve o cuidado de mandar aquela papelada de alta voltagem para a Contadoria e Auditoria Geral do Estado (CAGE), que começou a rastrear a CEEE com auditores do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e do Ministério Público. Dependendo do câmbio, o tamanho da fraude constatada era sempre eletrizante: US$ 65 milhões, segundo o CAGE, ou R$ 78,9 milhões, de acordo com o Ministério Público.
A denúncia energizou a criação de uma CPI na Assembléia, proposta pelo deputado Vieira da Cunha, líder da bancada do PDT em 2008 na Câmara Federal. Vinte e cinco auditores quebraram sigilos bancários e fiscais. Lindomar Rigotto foi apontado em 13 depoimentos como figura central do esquema, acusação reforçada pelo chefe dele na CEEE, o diretor-financeiro Silvino Marcon. A CPI constatou que os vencedores da licitação, gerenciados por Rigotto, apresentavam propostas "em combinação e, talvez, até ao mesmo tempo e pelas mesmas pessoas".
O relatório final lembrava: "É forçoso concluir pela existência de conluio entre as empresas interessadas que, se organizando através de consórcios, acertaram a divisão das obras entre si, fraudando dessa forma a licitação". O JÁ foi mais didático: "Apurados os vencedores, constatou-se que o consórcio Sulino venceu todas as subestações do grupo B2 e nenhuma do B1. Em compensação, o Conesul venceu todas as obras do B1 e nenhuma do B1. A diferença entre as propostas dos dois consórcios é de apenas 1,4%".
O aval de Dulce
A quebra do sigilo bancário de Lindomar revelou um crédito em sua conta de R$ 1,17 milhão, de fonte não esclarecida. O relatório final da CPI caiu na mão de um parlamentar do PT, o também caxiense Pepe Vargas, primo de Lindomar e Germano Vargas Rigotto. Apesar do parentesco, o primo Pepe, hoje deputado federal, foi inclemente na sua acusação final: "De tudo o que se apurou, tem-se como comprovada a prática de corrupção passiva e enriquecimento ilícito de Lindomar Vargas Rigotto". Além dele, a CPI indiciou outras 12 pessoas e 11 empresas, botando no mesmo balaio nomes vistosos como Camargo Corrêa, Alstom, Brown Boveri, Coemsa, Sultepa e Lorenzetti.
No final de 1996, a Assembléia remeteu as 260 caixas de papelão da CPI ao Ministério Público, de onde nasceu o processo n° 011960058232 da 2ª Vara Cível da Fazenda Pública em Porto Alegre. Os autos somam 30 volumes e 80 anexos e mofam ainda na primeira instância do Judiciário, protegidos por um inacreditável "segredo de justiça". Em fevereiro próximo, o Rio Grande do Sul poderá comemorar os 15 anos de completo sigilo sobre a maior fraude de sua história.
Esta incrível saga de resistência e agonia do JÁ e de Bones provocada pela família Rigotto foi contada, em primeira mão, neste Observatório, em 24 de novembro de 2009 ("O jornal que ousou contar a verdade"). No dia seguinte, uma quarta-feira, Rigotto telefonou de Porto Alegre para reclamar ao autor que assina aquele e este texto.
– Isso ficou muito ruim pra mim, Luiz Cláudio, pois o Observatório é um formador de opinião, muito lido e respeitado. Ficou parecendo que eu estou querendo fechar um jornal. Eu não tenho nada a ver com isso. O processo é coisa da minha mãe. Foi a minha irmã, Dulce, que me disse que a reportagem era muito pesada, irresponsável. Eu nem conheço este jornal, este jornalista...
– Rigotto, a dona Julieta não é candidata a nada. O candidato és tu. A reportagem do JÁ tem implicações políticas que batem em ti, não na tua mãe. E acho muito estranho que, passados oito anos, tu ainda não tiveste a curiosidade de ler a reportagem que tanta aflição provoca na dona Julieta. Se tu estás te baseando na avaliação da Dulce, devo te alertar que ela não entende xongas de jornalismo, Rigotto! Esta matéria do Bones é precisa, calcada em fatos, relatórios, documentos e conclusões da CPI e do Ministério Público que incriminam o teu irmão. Não tem opinião, só informação. O teu processo...
– Não é meu, não é meu... É da minha mãe...
– Isso é o que diz também o Sarney, Rigotto, quando perguntam a ele sobre a censura que cala O Estado de S.Paulo. "Isso é coisa do meu filho, o Fernando"...
– Eu fico muito ofendido com esta comparação! Eu não sou o Sarney, não sou!...
– Lamento, mas estás usando a mesma desculpa do Sarney, Rigotto.
– Luiz Cláudio, como resolver isso tudo com o Bones? A gente pode parcelar a dívida e aí...
– Rigotto, tu não estás entendendo nada. O Bones não quer parcelar, não quer pagar um único centavo. Isso seria uma confissão de culpa, e ele não fez nada errado. Pelo contrário. Produziu uma reportagem impecável, que ganhou os maiores prêmios. Eu assinaria essa matéria, com o maior orgulho. Sai dessa, Rigotto!
Coincidência ou não, um dia depois do telefonema, na quinta-feira, 26, Rigotto convocou uma inesperada coletiva de imprensa em Porto Alegre para anunciar sua retirada como possível candidato ao Palácio Piratini, deixando o espaço livre para o prefeito José Fogaça.
O modelo de Roosevelt
Naquela mesma quarta-feira, 25 de novembro, a emenda ficou pior que o soneto. O advogado dos Rigotto, Elói José Thomas Filho, botou no papel aquela mesma proposta indecente que ouvi do próprio Germano Rigotto, confirmando por escrito ao editor a idéia de parcelar a indenização devida de R$ 55 mil em 100 (cem) módicas prestações. Diante da altiva recusa de Bones, o advogado pareceu incorporar a doutrina do big stick de Theodore Ted Roosevelt (1901-1909), popularmente conhecida como "lei do tacape" e inspirada pela frase favorita do belicoso presidente estadunidense: "Fale com suavidade e tenha na mão um grande porrete". O suave advogado Thomas Filho escreveu então para Bones: "... em nova demonstração de boa-fé, formalizamos nossa intenção em compor amigavelmente o litígio acima, bem como a possibilidade [sic] de nos abstermos de ajuizar novas demandas judiciais...".
Certamente para tranquilizar o filho candidato, o advogado reafirmava na carta a Bones que a ação contra o jornal era movida "unicamente" por dona Julieta, que buscava na justiça o ressarcimento pelo "abalo moral" provocado pela reportagem do JÁ, que misturava "irresponsavelmente três fatos diversos que envolveram a figura do falecido". Ou seja, dona Julieta Rigotto, que entende de jornalismo tanto quanto os filhos Dulce e Germano, não consegue perceber a obviedade linear de uma pauta irresistível para qualquer repórter inteligente: o objetivo relato jornalístico sobre um homem público – Lindomar – morto num assalto pouco antes de ser julgado pelo homicídio culposo de uma prostituta e pouco depois de ser denunciado no relatório de uma CPI, redigido pelo primo deputado, pela prática comprovada de "corrupção passiva e enriquecimento ilícito" na maior fraude já cometida contra os cofres públicos do Rio Grande do Sul. Mas, na lógica simplória da mãe dos Rigotto, uma coisa não tem nada a ver com a outra...
Para garantir o tom "amigável" entre as partes, o advogado de dona Julieta propôs a Bones os termos de uma retratação pública, suave como um porrete, enfatizando três pontos:
1. "Dona Julieta nunca teve a intenção de fechar o jornal";
2. "a ação não é promovida pela família Rigotto, mas apenas por dona Julieta";
3. "retirar o jornal de circulação, para estancar a propagação do dano".
Tudo isso, incluindo o ameno confisco de um jornal das bancas em pleno regime democrático, segundo o tortuoso raciocínio do advogado, serviria para "tutelar a honra e a imagem de seu falecido filho". Neste longo, patético episódio, que intercala demonstrações de coragem e altivez com cenas de pura violência, fina hipocrisia ou corrupção explícita, ficou pelo caminho o contraste de atitudes que elevam ou rebaixam. Diante da primeira ação criminal de dona Julieta na Justiça, o promotor Ubaldo Alexandre Licks Flores ensinou, em novembro de 2002:
"[não houve] qualquer intenção de ofensa à honra do falecido Lindomar Rigotto. Por outro lado, é indiscutível que os três temas [a CEEE e as duas mortes] estavam e ainda estão impregnados de interesse público".
O orgulho de Enedina
Apesar da lucidez do promotor, o caso tonitruante da CEEE não ecoa nos ouvidos surdos da imprensa gaúcha, conhecida no país pela acuidade de profissionais talentosos, criativos, corajosos. Nenhum grande jornal do sul – Zero Hora, Correio do Povo, Jornal do Comércio, O Sul –, nenhum colunista de peso, nenhum editorialista, nenhum blog de prestígio perdeu tempo ou tinta com esse tema, que nem de longe parece um assunto velho, batido ou nostálgico. O que lhe dá notória atualidade não é o ancestral confronto entre a liberdade de expressão e a prepotência envergonhada dos eventuais poderosos de plantão, mas a reaparição de seus principais personagens no turbilhão da corrida eleitoral de 2010.
Germano Rigotto, o líder governista que emplacou o filho de dona Julieta na máquina estatal, é hoje o candidato do maior partido gaúcho ao Senado Federal. A ex-secretária Dilma Rousseff, que ficou estarrecida com o que leu sobre as fraudes de Lindomar Rigotto na CEEE, é apontada pelas pesquisas como a futura presidente do Brasil, numa vitória classificada pelo renomado jornal inglês Financial Times como "retumbante".
Tarso Genro, o ex-comandante supremo da Polícia Federal, que executou as maiores operações contra corruptos da máquina pública, lidera a corrida ao governo gaúcho e, certamente, tem os instrumentos para saber hoje o que Dilma sabe desde 1990. O primo Pepe Vargas, que mostrou isenção e coragem no relatório da CPI sobre a maior fraude da história do Rio Grande, é candidato à reeleição, assim como o deputado federal que inventou a CPI, Vieira da Cunha.
É a lógica perversa do interesse eleitoral que explica o desinteresse até dos principais adversários de Rigotto na disputa pelo Senado. O candidato do PMDB está emparedado entre a líder na pesquisa da Datafolha, a jornalista Ana Amélia Lemos (PP) – que subiu de 33% em julho para 44% na semana passada – e o candidato à reeleição pelo PT, senador Paulo Paim – que cresceu de 35% no início do mês para 38% agora. Rigotto caiu de 43% para 42% no espaço de três semanas. Na Região Metropolitana de Porto Alegre, Ana Amélia bate Rigotto por 47% a 39%. Seus oponentes desprezam o potencial explosivo do "Caso CEEE" porque todos sonham em ganhar o segundo voto dos outros candidatos, o que justifica a calculada misericórdia e o piedoso silêncio que modera a estratégia de adversários historicamente tão diferentes e hostis como são, no Rio Grande do Sul, o PT, o PMDB e o PP.
O que é recato na política se transforma em omissão nas entidades que, ao longo do tempo, marcaram suas vidas na luta pela democracia e pela liberdade de expressão e no repúdio veemente à ditadura e à censura. Siglas notáveis como OAB, ABI, SIP, Fenaj e Abraji brilham pelo silêncio, pela omissão, pelo desinteresse ou pelo trato burocrático do caso JÁ vs. Rigotto, que resume uma questão crucial na vida de todas elas e de todos nós: a livre opinião e o combate à prepotência dos grandes sobre os pequenos, apanágio de toda democracia que se respeita.
A OAB e seus advogados, no Rio Grande ou no Brasil, que impulsionaram a queda de um presidente envolvido em denúncias de corrupção, não se sensibilizam pela sorte de um pequeno jornal e seu bravo editor, punidos por seu desassombrado jornalismo e mortalmente asfixiados pelo cerco econômico surpreendentemente avalizado pela Justiça, que deveria proteger os fracos contra os fortes – e não o contrário.
A inerte Associação Brasileira de Imprensa jamais se pronunciou sobre as agruras de Bones e seu jornal. Só em setembro de 2009, um mês após a denúncia sobre o bloqueio judicial das receitas do JÁ, é que a Fenaj e o Sindicato dos Jornalistas do RS trataram de fazer alguma coisa: uma nota gelada, descartável, manifestando solidariedade à vítima e lamentando a decisão "equivocada" da Justiça. A Associação Riograndense de Imprensa, que em 2001 conferiu à reportagem contestada do JÁ o seu maior prêmio jornalístico, só quebrou o seu constrangedor silêncio ao ser cobrada publicamente por este Observatório, em novembro passado. Todos os membros da brava Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo têm a obrigação de conhecer a biografia de Elmar Bones, que nos anos de chumbo pilotou o CooJornal, um mensário da extinta Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre (1976-1983) que virou referência da imprensa nanica que resistia à ditadura.
Bones chegou a ser preso, em 1980, pela publicação de um relatório secreto em que o Exército fazia uma autocrítica sobre as bobagens cometidas na repressão à guerrilha do Araguaia. Algo mais perigoso, na época, do que falar na roubalheira operada pelo filho de dona Julieta na CEEE... No site da Abraji, a entidade emite sua opinião em quatro notas, nos últimos dois anos. Critica o sigilo eterno de documentos públicos, defende o seguro de vida para repórteres em zona de risco, repudia um tapa na cara que uma repórter de TV do Centro-Oeste levou de um vereador e, enfim, faz uma vigorosa, firme, veemente manifestação a favor da liberdade de expressão... no México. Ao pobre JÁ e seu editor, lá no sul do Brasil, nenhuma linha, nada.
A poderosa Sociedade Interamericana de Imprensa, que reúne os maiores veículos das três Américas, patrocina uma influente Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação, hoje sob a presidência de um jornal do Texas, o San Antonio Express News. Entre os 26 vice-presidentes regionais, existem dois brasileiros: Sidnei Basile, do Grupo Abril, e Maria Judith de Brito, da Folha de S.Paulo. Envolvidos com os graves problemas da Paulicéia, eles provavelmente não podem atentar para o drama vivido por um pequeno jornal de Porto Alegre. Mas, existem outros 17 membros na Comissão de Liberdade da SIP, e dois deles bem próximos do drama de Bones: os gaúchos Mário Gusmão e Gustavo Ick, do jornal NH, de Novo Hamburgo, cidade a 40 km da capital gaúcha. Nem essa proximidade livra as aflições do JÁ e seu editor do completo desdém da SIP.
Este monumental cone de silêncio e omissão, que atravessa fronteiras e biografias, continua desafiando a sensibilidade e a competência de jornais e jornalistas, que deveriam se perguntar o que existe por trás do amaldiçoado caso da CEEE, que afugenta em vez de atrair a imprensa. A maior fraude da história do Rio Grande, mais do que uma bomba, é uma pauta em aberto, origem talvez da irritação dos Rigotto contra o editor e o jornal que ousaram jogar luz nessa história mal contada. Os volumes empoeirados deste megaescândalo continuam intocados nas estantes da Justiça em Porto Alegre, protegido por um sigilo inexplicável que só pode ser útil a quem mente e a quem rouba, não a quem luta pela verdade e a quem é ético na política, como fazem os bons repórteres e como devem ser os bons políticos.
O bom jornalismo não é aquele que produz boas respostas, mas aquele que faz as boas perguntas – e as perguntas são ainda melhores quando incomodam, quando importunam, quando constrangem, quando afligem os consolados e quando consolam os aflitos.
A emoção é a última fronteira de quem perde os limites da razão. Elmar Bones tinha ganhado todas as instâncias do processo criminal, quando um juiz do Tribunal de Justiça, na falta de melhores argumentos, preferiu se assentar nos autos impalpáveis do sentimento para decidir em favor da mãe de Germano Rigotto:
"Não há como afastar a responsabilidade da ré pelas matérias veiculadas, que atingiram negativamente a memória do falecido, o que certamente causou tristeza, angústia e sofrimento à mãe do mesmo (...)".
Dona Julieta Rigotto, viva e forte aos 89 anos, ainda sofre com a honra e a imagem maculadas de seu falecido filho, Lindomar.
Dona Enedina Bones da Costa tinha 79 anos quando morreu, em 2001, poupada assim da tristeza, angústia e sofrimento que sentiria ao ver o drama vivido agora por seu filho, Elmar. Mas ela teria, com certeza, um enorme, um insuperável orgulho pelo filho honrado e corajoso que trouxe ao mundo e ao jornalismo.