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14 fevereiro 2012

Por favor, MENOS carros na Gonçalo de Carvalho!

Aparelhos para medir o tempo de estacionamento cada vez mais raros na Suiça (RDB)
Estacionamento quase em extinção nas cidades suíças
Por Ariane Gigon, swissinfo.ch

A questão de estacionamento para carros polemiza em todas as cidades suíças. A tendência geral é de restringir cada vez mais o espaço para veículos.
Na Suíça germanófona, o conceito de "local pobre em carros" mostra a direção que o debate está tomando.

Um "sim" nas urnas teria isolado a Basileia (norte) das outras cidades suíças e manchado levemente a sua imagem ecológica, conquistada dentre outros através da sua extensa rede de ciclovias. De fato, o plebiscito questionava o eleitor se a metrópole às margens do rio Reno deveria aceitar a liberdade total para a construção de garagens subterrâneas em áreas privadas fora do centro histórico. Mas há dez dias, os eleitores recusaram claramente essa mudança, por mais de dois terços dos votos.

A iniciativa popular (projeto legislativo apresentado pelo cidadão e levado a voto) contradizia os esforços conduzidos em várias partes da Suíça para reduzir o tráfego motorizado nos centros das cidades, o de reduzir o número de estacionamentos. "O estacionamento é um dos principais fatores para controlar os problemas de mobilidade, que ocorre por todos os lados", ressalta Gianluigi Giacomel, colaborador científico do Observatório Universitário da Mobilidade (OUM) da Universidade de Genebra.

"Muitos estudos provaram que a partir do momento em que você tem um estacionamento no fim do trajeto, aumenta a tendência de pegar o carro", acrescenta. Resultado: no início dos anos 1990, as cidades suíças começaram a restringir o número de vagas à disposição - ou transformar as chamadas "zonas brancas", estacionamentos gratuitos e ilimitados, em zonas pagas e zonas "azuis", estacionamento com tempo limitado.


Cada vez menos

A tendência de ter cada vez menos vagas de estacionamento aumenta. Na Suíça germanófona - pelo menos em cidades como Winterthur, Zurique e Schaffhausen - as regras foram modificadas nesse sentido. Genebra deve em pouco tempo também finalizar seu novo plano diretor nessa área.

A Basileia é ainda uma das últimas grandes cidades na Suíça germanófona a ter inúmeras zonas brancas (12%). Mas a situação vai mudar: uma nova regulamentação sobre a gestão dos estacionamentos públicos permitirá eliminar pouco a pouco essas vagas sem restrição, até 2016.


Ponta interditada para o tráfego

Mais espetacular é a decisão de fechar para o tráfego de veículos a ponte "Mittlere Brücke" (a mais velha sobre o rio Reno entre o lago de Constança e o mar do Norte, onde o cais está localizado). A única exceção serão as horas de entregas de mercadorias. "Trata-se de uma mudança simbólica que modificará o centro da cidade. As bicicletas poderão atravessar alguns eixos, enquanto que os veículos estarão impedidos", ressalta Alain Groff, diretor da Secretaria para Mobilidade do cantão da Basileia.

No setor de estacionamentos, Zurique, a cidade mais restritiva do país, está avançando para a próxima etapa. Ela só depende de um recurso legal entregue contra os novos regulamentos sobre os estacionamentos em áreas privadas seja refutado. Quanto aos locais públicos do centro da cidade, eles são objeto de um "compromisso histórico" entre os comerciantes e a municipalidade, com uma certa compensação pelas vagas perdidas nas infraestruturas subterrâneas. Genebra poderá se inspirar nessas decisões.


Menos vagas

Zurique parece ser a primeira cidade a ancorar em um texto da lei um conceito que provoca muita discussão na Suíça germanófona: o do "espaço pobre em veículos" ("autoarmes Wohnen", em alemão). Mesmo se essa disposição está inscrita no decreto atualmente suspenso por um recurso legal, ela já pode ser aplicada. É o que explica Erich Willi, chefe de projeto no Departamento Municipal de Trabalhos Públicos, órgão encarregado da estratégia de estacionamentos em Zurique.

Winterthur adotou um regulamento similar e Berna o autorizou excepcionalmente para um projeto imobiliário. Nas grandes cidades de língua alemã do país, quase metade dos lares não dispõem de veículos.

Os pedidos de isenção tributária continuam a chegar. Para que sejam aceitos, eles devem ser acompanhados por um conceito de mobilidade. Erich Willi dá o exemplo de um novo conjunto habitacional, ainda em construção, onde "bilhetes mensais dos transportes públicos estarão incluídos nos aluguéis. Essa cooperativa alugará também vagas de estacionamento a preços elevados, mais caros do que o habitual."


Engajar-se em não ter um carro

Ainda mais extremos: no centro de Zurique, outra cooperativa habitacional solicitará aos seus locatários a se engajar, no contrato de aluguel, a não ter veículos. O restaurante previsto no local fará o mesmo com seus empregados.

Alain Groff defende uma política decididamente proativa. "Não acredito muito no poder de convencimento das campanhas de sensibilização. As pessoas são racionais: eles preferem utilizar os meios de transportes mais vantajosos e práticos. Os suíços não são forçosamente mais ecológicos do que os outros, mas dispõem de uma oferta de transportes públicos de boa qualidade. Por todos os lados, as pessoas reagem às restrições, por exemplo, de vagas em estacionamento."

O tráfego suplementar induzido pelo aumento do número de estacionamentos é um fenômeno que não atinge somente os veículos. "Quanto mais vagas existem para as bicicletas, mais primordial é a necessidade de encontrar soluções para canalizar o seu número, que não para de aumentar". Assim as autoridades da Basileia introduziram uma duração máxima de dez dias para as bicicletas paradas no estacionamento da principal estação de trem da cidade. 

11 março 2011

03 março 2011

Cycling Friendly Cities engels


This video presents a vision on the quality of cities through cycling and walking inclusive planning. The scenario for Cycling Friendly Cities came from Enrique Peñalosa, former mayor of Bogota, who used the Dutch and Danish policies for urban transport planning as a model to create a social model for his city . The video has been produced in the framework of the Locomotives program managed by I-CE Interface for Cycling Expertise
A I-CE é uma ONG internacional para a mobilidade de baixo custo e planejamento integrado do ciclismo.




A Guerra do Trânsito – Paulo Timm , especial para Vale 
Pedalando por um mundo mais respirável.(www.massacritica.com.br)
 Nós [os ciclistas] não atrapalhamos o trânsito: nós SOMOS (sic) o trânsito. (…) Chega da ditadura do automóvel. (Depoimento de um ciclista presente à Sul21.com)
***
O incidente no qual 15 ciclistas do Movimento Massa Crítica, foram atropelados pelo motorista de um Gol preto na última sexta feira, dia 25, à noite, na boêmia Cidade Baixa, em Porto Alegre, teve repercussões nacionais. O motorista do Gol, Ricardo Neiss, 45 anos, servidor do Banco Central, que fugiu do local, apresentou-se à Polícia ontem e justificou-se. Teria sido agredido pelos manifestantes e, temeroso, perdeu o controle e investiu sobre os ciclistas. Uma testemunha, também motorista, que estava no local, logo atrás do carro agressor, confirmou o relato. Outras, porém, o desautorizam, com afirmações de que ele vinha pressionando os ciclistas, cortando com impaciência a fila dos carros, numa atitude ousada, afinal consumada no atropelamento.

A opinião pública nacional foi unânime em condenar o agressor e, em diversas cidades, já ocorreram manifestações em solidariedade aos ciclistas gaúchos.

Em Porto Alegre, porém, os ânimos estão divididos. Isto porque já há uma divisão da opinião pública sobre o bairro, considerado excessivamente permissivo para os conservadores hábitos gaúchos. Ali se reúnem jovens de todas as tribos, intelectuais de esquerda, GLSs, transformando a área num verdadeiro território livre. Conservadores se incomodam com isto e, não raro, ultrapassam o limite do tolerável e despencam para a grosseria e para o preconceito. A esquerda, pelo contrário, convive com esse que foi durante muitos anos seu próprio meio de reprodução: o underground...A Cidade Baixa reedita, enfim, com algumas décadas de atraso o Greenvich Village, de New York, dando à nossa capital madrugadas menos provincianas. Aí o inevitável: Onde há grande cidade, há cidadania; onde há cidadão, há senso crítico; onde há senso crítico se abre o espaço para o espanto, que tudo questiona .

Há 40 ou 50 anos este clima ficava restrito ao Centro Acadêmico Franklin Delano Roosevelt, da Faculdade de Filosofia, onde pontificávamos do alto da nossa iconoclastia , eu, o desengonçado J.Pingo, hoje ator e diretor de Teatro, assessorado pelo Joacyr Tadeu Nascimento Medeiros, da Física, o “Baixo”, o Benício Schimdt, a Mercedes Loguercio, o Flavio Koutzii, o infante Che Pontão, e outros recém chegados como Sérgius Gonzaga e tantos que não me lembro o nome, todos misturados aos conchavos dos dois principais grupos que dominavam a política estudantil (canalha canônica- AP x patifes materialistas-Partidão) disputando quem (?) deveria ser o candidato ao Diretório Estadual de Estudantes: Clóvis Grivot, do Direito, Paulo Bicca, da Arquitetura, André Foster, das C.Sociais, Gilberto Bossle, do Direito.Hoje, felizmente, a subversão de idéias e costumes, estendeu-se à cidade toda e tem na Cidade Baixa um ponto de referência. Pois foi exatamente neste ambiente polivalente e etéreo, carregado de maneirismos e péssimas intenções , que o Massa Crítica se concentrou para sua manifestação. Onde deveria ser? No Iguatemi...? Deveria ter tirado Licença Prévia? Talvez...? Deveria ser mais complacentes com o motoristas que por ali passavam? Talvez...? Mas nada justifica a atitude do Senhor Ricardo Neiss, a não ser sua falta de coragem para enfrentar eventuais dissabores, até ameaças. Se tivesse uma arma, teria atirado e talvez morto um ou dois ciclistas. Porque é um assassino? Certamente não. Tem emprego fixo, um curso superior, a pele branca, o gênero dominante, é atlético, tudo enfim, que o credencia à prepotência social. Mas é um covarde. Preferiu, covardemente, usar o carro como arma, defendendo-se na carenagem como armadura. Um templário destemperado numa noite abafada de verão, sem nenhuma compreensão do seu tempo. Certamente, nunca leu o Código de Trânsito. Aí descobriria que bicicleta é tão veículo quanto qualquer automóvel. O que aliás, impõe aos ciclistas e ao Massa Crítica - e tantos outros movimentos de defesa do ciclismo- que não só reprovem o covarde ato, mas que o tomem como uma reflexão interna. É uma oportunidade para fazerem com que todo o menino e menina que ganham a primeira bicicleta, tomem o fato, não só no seu sentido lúdico, mas como um ritual de passagem de pedestre para condutor, acompanhado do Código de Trânsito. Como um ato revestido de grande senso de responsabilidade. Pois não só tenho conhecimento de inúmeras vitimas de bicicletas em calçadas, como eu mesmo, já deixei de frequentar vários parques de medo dos velocípedes serpenteando entre idosos e crianças a velocidades incríveis.

Valha o bom senso, para todos. E o peso da Justiça sobre o Senhor Ricardo Neiss.

02 março 2011

Protestavam e gritavam: NÃO FOI ACIDENTE.

Protesto contra o atropelamento coletivo de ciclistas e contra a violência no trânsito em Porto Alegre.



Nessa terça-feira aconteceu um grande ato de protesto em Porto Alegre com mais de 2 mil participantes.
Iniciou no Largo Zumbi dos Palmares (Largo da Epatur), circulou por ruas do bairro Cidade Baixa (onde aconteceu a tentativa de homicídio de dezenas de ciclista na sexta passada) e encerrou no Paço Municipal onde, depois de muito insistirem, foram recebidos por um secretário do governo municipal.
O ato aconteceu em bom momento, pois já se escutavam pessoas tentando "justificar" a reação do indivíduo que arremessou seu carro de 1 tonelada contra um grupo de ciclistas. Afinal, escutou-se em emissoras de rádios, os ciclistas estariam "atrapalhando o trânsito", bicicletas "andam devagar", as pessoas (motoristas) tem "pressa" para circularem... O pior é que, mesmo dizendo que isso não justificaria a tentativa de agressão, alguns comunicadores não parecem entender que as bicicletas tem o direito de também circularem na cidade.

Nada pode justificar a barbárie ocorrida na sexta-feira passada!

As cidades existem para as pessoas que nelas vivem, não para privilegiar as conduções de algumas pessoas, especialmente as de maior poder econômico.


O problema da violência no trânsito não é causado pelas bicicletas e pelos ciclistas do Massa Crítica. Voltemos um pouco no tempo, quando o carro não era o "Rei da cidade", as pessoas não tinham medo de atravessar as ruas, como hoje ocorre. As ruas eram de todos, não apenas dos carros. Mas os carros estão entupindo as cidades, ocupam todos os espaços, a quantidade de carros em Porto Alegre cresce anualmente mais que a população. E quando eles perdem a preferência nas ruas, perdem poder. Seus motoristas sentindo-se impotentes, ficam com raiva e atacam com mais ferocidade.  O carro é o grande PREDADOR das nossas cidades, mesmo as menores.


Está na hora de muita gente parar para pensar um pouco...


Veja mais no Porto Alegre RESISTE: Grande protesto em Porto Alegre
Mais informações sobre o Massa Crítica: http://massacriticapoa.wordpress.com/

26 fevereiro 2011

Porto Alegre, a cidade dos automóveis que odeiam bicicletas


(Vídeo do momento do atropelamento dos ciclistas)


Grupo de ciclistas são criminosamente atropelados no bairro Cidade Baixa


Do Blog Cão Uivador:

Barbárie em Porto Alegre

Na tarde dessa sexta-feira (a última do mês, como é tradicional, e também acontece em São Paulo), aconteceu mais uma Massa Crítica em Porto Alegre, em que ciclistas se reúnem e pedalam por várias ruas, de modo a lembrar que eles também são o trânsito (ao contrário do que diz a mídia, que eles “atrapalham o trânsito”). E também serve para chamar a atenção para a situação que eles vivem: para pedalar com segurança, só assim, em grandes grupos.
Na verdade, nem assim. Na tarde dessa sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011, a Massa Crítica foi vítima de uma tentativa de assassinato na Cidade Baixa. Um motorista simplesmente avançou por cima de todo mundo com 
sua arma
 seu carro, resultando em vários feridos e em uma justíssima revolta por parte dos ciclistas e das testemunhas da barbárie.
Blog do Massa Críticahttp://massacriticapoa.wordpress.com/