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07 agosto 2014

Que Rio Grande queremos?



Não se omita!
Participe do Agapan Debate no dia 11 de agosto às 19h, no auditório da Faculdade de Arquitetura da UFRGS.

Debatedores:
Alfredo Gui Ferreira – .Biólogo, mestre em Botânica na UFRGS, doutor em Ciências na USP, pós-doutorado nos Estados Unidos. Professor e pesquisador aposentado da UFRGS. Tem perto de cem publicações científicas, foi orientador de mestres e doutores na UFRGS, UnB e UFSCar. Sócio fundador da Agapan e atual presidente da entidade.

Nilvo Luiz Alves da Silva – Diretor Presidente da Fepam

Paulo Brack – Biólogo, mestre em Botânica e doutor em Ecologia. Professor do Departamento de Botânica do Instituto de Biociências da UFRGS. Pesquisador da flora do RS e envolvido em temas de políticas públicas em biodiversidade, com representações em conselhos de meio ambiente, pelo Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais (InGá), onde é um dos coordenadores.

Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/736180523104955/

08 maio 2014

Dayrell em Porto Alegre

Dayrell em 1975: +VERDE  -CONCRETO - Foto: Carlinhos Rodrigues/ZH
Ativista que virou símbolo nacional na luta pela defesa das árvores visitará a Rua Gonçalo de Carvalho
Carlos Alberto Dayrell, o jovem ativista mineiro da AGAPAN que em plena ditadura - 1975 - subiu em uma árvore para evitar seu corte, está no Rio Grande do Sul. Veio participar de um seminário na Unisinos e aproveitará para visitar parentes, matar as saudades dos companheiros da Agapan e também visitar a "rua mais bonita do mundo".

A placa alusiva ao decreto que preservou o Túnel Verde foi colocada no local onde
ocorreram muitas manifestações em defesa da Rua. Bem no acesso ao shopping!
Foto: Cesar Cardia/Amigos da Gonçalo

Na sexta-feira, 9 de maio, irá na Rua Gonçalo de Carvalho às 17h. O encontro foi marcado no local da placa alusiva ao tombamento da Rua.

Alunos do Colégio Bom Conselho na Rua Gonçalo de Carvalho
em 5 de junho de 2012 - Foto: Cesar Cardia/Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho

Depois da visita ao Túnel Verde da Gonçalo ele participará de um bate-papo - aberto a todos que queiram participar - que está sendo organizado pela Agapan - Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural - em local ainda não definido.

Dayrell e seus colegas na árvore em plena ditadura militar - Foto: Arquivo AGAPAN


Matéria do site AgirAzul, de 1998:

AgirAzul 13
HISTÓRIA

Carlos Alberto Dayrell é Cidadão de Porto Alegre

O então estudante que salvou a Tipuana na frente da Faculdade de Direito da UFRGS, em 1975, recebeu o título de representantes da Câmara de Vereadores que foram à Faculdade de Direito. Ele não abandonou a luta ecológica.

Por Roberto Villar  

Carlos Alberto Dayrell recebeu o título de Cidadão Honorário de Porto Alegre. Lembram dele? Na manhã do dia 25 de fevereiro de 1975, uma grande multidão se formou na frente da Faculdade de Direito da UFRGS, em uma das principais vias da cidade, a avenida João Pessoa.

Funcionários da Secretaria Municipal de Obras estavam cortando dezenas de árvores para construir o viaduto Imperatriz Leopoldina. Um estudante de engenharia elétrica, sócio da Agapan - Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural, subiu numa Tipuana (Tipuana tipu) para impedir o trabalho das motosserras.

Ela está lá até hoje. O protesto terminou na delegacia de polícia política. Foi notícia nos principais jornais. A foto ganhou destaque de capa no diário O Estado de São Paulo. Naquela época, impedir o corte de árvores era crime contra a segurança nacional. "De minha parte, colocaria como marco inicial de um movimento ecopolítico no Brasil o caso Carlos  Dayrell", escreveu Alfredo Sirkis no apêndice da edição brasileira do livro Rumo ao Paraíso — A história do movimento ambientalista, de John McCormick.

Mais do que um símbolo, Dayrell é um herói sempre citado pelos ecologistas gaúchos. "O protesto do Dayrell foi o fato que mais sacudiu a opinião pública na época", reconhece o primeiro presidente da Agapan, José Lutzenberger, atual mentor e dirigente da Fundação Gaia.

Por recomendação médica, e por receio de alguma represália por agentes do Governo, em 1976 o jovem estudante mineiro, natural de Sete Lagoas, fugiu do clima frio e úmido da capital gaúcha e voltou para Minas Gerais. Ele nunca mais foi visto em Porto Alegre. Ficaram apenas as histórias do protesto que marcou o início do movimento ecológico brasileiro.

"O protesto do Dayrell foi um marco para nós. Naquele dia, toda a imprensa do Rio Grande do Sul e do Brasil nos conheceu", recorda o presidente da Pangea, Augusto Carneiro, fundador da Agapan, naquela época militando nesta entidade.

Dias antes do protesto, Dayrell tinha viajado para Torres com um grupo de ambientalistas da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural, criada em 1971. O corte das árvores no Parque da Redenção já era assunto dos ecologistas. Carneiro recorda que numa reunião José Lutzenberger chegou a sugerir que os jovens subissem nas árvores para impedir a derrubada.

Dayrell estava presente, ouvindo com atenção. Quem mandou derrubar as árvores para construir o viaduto foi o prefeito Thompson Flores. Lutzenberger não esquece: — Ele mandou derrubar as árvores durante as férias, pensando que não iria haver estudantes lá. Esqueceu que era dia de matrícula. Surpreso, o prefeito argumentou que iria derrubar 25 árvores para melhorar o tráfego, mas estava plantando 20 mil nos bairros.
Aí, preparamos um manifesto que começava mais ou menos assim: "Argumentar que não tem importância derrubar 25 árvores velhas, porque estão sendo plantadas 20 mil novas, seria como dizer não importa que morra o nosso velho e sábio prefeito, estão nascendo tantos bebês".

A placa em homenagem a Dayrell na Faculdade de Direito da UFRGS
Foto em 15/10/2011: Cesar Cardia/Amigos da Gonçalo de Carvalho

O atual diretor da Faculdade de Direito da Ufrgs, professor Eduardo Kroeff Carrion, conselheiro da Agapan, decidiu fazer uma homenagem a Carlos Dayrell. No dia 20 de novembro, Carrion reuniu em seu gabinete representantes de importantes entidades ecologistas de Porto Alegre — Agapan, Pangea, Coolméia, e União pela Vida, que resolveram co-organizar os eventos e solicitar ao vereador Gerson Almeida (PT) fosse encaminhado ao Dayrell o título de Cidadão de Porto Alegre.

Quase 23 anos depois, Dayrell participou de dois atos públicos no dia 28 de abril de 1998, um dia após a data do aniversário de 27 anos da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural.

Foi implantada num dos pilares da cerca da Faculdade de Direito, em frente à árvore salvada,  placa de metal para lembrar à posteridade o protesto de 1975.  Carlos Dayrell também recebeu de representantes da Câmara de Vereadores o título de Cidadão Honorário de Porto Alegre, proposto por Almeida, em sessão realizada no auditório da própria Faculdade.

Carlos Alberto Dayrell foi localizado em Montes Claros, no norte de Minas Gerais. Está com 44 anos e três filhos. O mais velho, Luciano, com 16 anos, e a mais nova, Luana, com 10, além de sua mãe, a simpática Dona Alexandrina, também vieram à Porto Alegre.

Matéria da revista Veja em 1975
Após o episódio, trocou a engenharia elétrica pela agronomia e está trabalhando como consultor do Centro de Agricultura Alternativa.  Nesta entrevista, Dayrell fala do seu trabalho em Minas Gerais e recorda detalhes do mais importante protesto ecológico de Porto Alegre.

O que você está fazendo em Minas Gerais?
Eu trabalho numa entidade chamada Centro de Agricultura Alternativa. É uma Organização Não-Governamental que presta assistência a pequenos produtores rurais, dentro desta proposta de desenvolver uma agricultura mais sustentável.
Então você não abandonou a luta ecológica?
Realmente. Naquela época do protesto em Porto Alegre, era muito um sentimento que a gente tinha de preocupação com a vida. E este sentimento vem se aprofundando. Hoje, a gente tenta de outras formas, continuar esta busca por uma vida mais digna e sustentável, não só pra gente, mas para as gerações futuras.
Por que você subiu naquela árvore em 1975?
Naquela época eu morava em Porto Alegre e entrei na Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural. Eu morava na Casa do Estudante, na frente da Faculdade de Direito. Naquele dia eu estava saindo de casa para fazer minha matrícula na Universidade e fiquei chocado com o que vi. Um monte de árvores já no chão. Me chamou muito a atenção porque todo mundo passava indiferente. Eram árvores belas, que davam uma sombra muito agradável. Foi algo meio instintivo. Como você fez para subir tão alto naquela árvore? Eu tava na rua pensando o que fazer... aí passou um amigo meu, o Marcos Sarassol. A árvore realmente era muito alta. Os funcionários da Prefeitura estavam utilizando uma escada para cortar os galhos, e depois o tronco. Eu pedi a escada emprestada e coloquei na primeira árvore.
Quanto tempo você ficou lá em cima?
Eu nem lembro direito. Eu sei que era de manhã, pois eu iria fazer minha matrícula na Faculdade. A gente ficou lá até umas três ou quatro horas da tarde. O pessoal passava lanche pra gente. Logo uma multidão ficou em volta. Teve dois companheiros que subiram pra me apoiar, logo no começo, o Marcos e a Teresa Jardim.
Qual foi o papel da imprensa naquele episódio?
Se não fosse a imprensa naquele momento, talvez o pessoal teria derrubado a gente. Tinha jornal, televisão e rádio lá. O fato foi sendo divulgado e a população foi chegando em volta. Porto Alegre estava vivendo naquela época um processo de transformação importante. Era uma cidade que estava crescendo o número de carros, as ruas precisavam ser ampliadas. Mas havia muita preocupação com a qualidade do ambiente urbano. De certa forma, foi uma reflexão. Eu lembro que saiu muita matéria sobre a questão do desenvolvimento e da qualidade de vida.
Quanto tempo você morou em Porto Alegre?
Eu cheguei em Porto Alegre em 1970 para trabalhar no Banco Mineiro do Oeste, que depois foi comprado pelo Bradesco. Entrei na Ufrgs para estudar Engenharia Elétrica. Depois fiz novo vestibular para Agronomia. Morei em Porto Alegre até 1976. Por problema de saúde, voltei para Minas Gerais. Consegui uma transferência para a Universidade Federal de Viçosa. Me formei em Agronomia em 1980. E desde então, trabalho com agricultura alternativa, com agroecologia.
O que você faz em Montes Claros?
Atualmente eu trabalho no Centro de Agricultura Alternativa. Eu estou fazendo um curso de mestrado na Espanha, em agroecologia e desenvolvimento rural sustentado. Aqui a gente dá assistência a pequenos produtores rurais. A nossa grande preocupação aqui no norte de Minas Gerais é com o Cerrado.

A imagem de Dayrell na árvore está em um dos banners da AGAPAN

As palavras de Dayrell

Caros Amigas e Amigos:
Eu fico aqui pensando se por acaso vocês aqui estão, vereadores da Câmara Municipal de Porto Alegre, representantes da Faculdade de Direito que está comemorando o centenário de fundação da instituição, militantes do movimento ecológico gaúcho representados pela Coolméia, Pangea, União pela Vida, Núcleo dos Ecojornalistas, Fundação Gaia e Agapan, que merece lembrar, ontem, fez 27 anos de fundação, com uma trajetória reconhecida não só aqui no Estado, mas em todo Brasil e inclusive no Exterior.
Eu fico pensando se, por acaso, vocês que aqui estão   presentes, possam ter idéia do que representa este momento para o cidadão Carlos Dayrell, um desconhecido nos sertões de Minas Gerais, que saiu de Montes Claros, no norte do Estado, um sertanejo que se define no dizer de Guimarães Rosa: “Sou só um sertanejo. Nestas altas idéias, navego mal”.
E quem é o sertanejo?
O sertanejo é um homem criado num ambiente onde o contrato natural que ele estabelece com o seu meio é mediado pelo respeito com a natureza. E pode ter sido um fragmento deste sentimento, lapidado pelo sentimento gaúcho na sua relação com a imensidão dos pampas, que fez o ainda menino mover-se por um sentimento natural, tornar-se sem saber e sem querer, através de um gesto coletivo, um símbolo de uma sociedade que se propõe estabelecer um novo contrato com o seu meio.
Pois é um destes sertanejos que está aqui nesta cerimônia, que está aqui hoje para receber o título de Cidadão de Porto Alegre onde, com muita responsabilidade e carinho, vai levar de volta para o lugar onde vive, quem sabe um elo invisível traçado hoje por vocês, um elo invisível mas permanente de amor por uma causa que é muito maior que a soma de todos nós.
Vocês não podem imaginar a emoção que isto faz comigo e na verdade é até difícil entender como hoje estou aqui nesta cerimônia. Certamente, para eu estar aqui hoje muita coisa mudou nos corações das pessoas que lidam diariamente com decisões que influenciam a vida de centenas de milhares de cidadãos. Inclusive com a minha. Muita coisa mudou pois, quando sai daqui em 1976, de volta a Minas Gerais, um ano e meio após o episódio da subida na árvore, minha mãe ainda carregava consigo a tensão de uma possível represália da ditadura militar contra o seu filho.
Episódio que compartilho com Marcos Sarassol, Teresa Jardim, com a imprensa de Porto Alegre, com os militantes da Agapan, com centenas de pessoas, estudantes populares que anonimamente lutaram naquele dia pela preservação da árvore, não se curvaram diante do aparato militar e que, de lá para cá provocaram um salto na luta pela defesa, não só das árvores isoladamente, mas em defesa da vida em seu sentido mais amplo. Esta homenagem compartilho com todos vocês.
Eu não poderia estar aqui se não fossem os ensinamentos de meus pais, que, em 1970, ainda com 17 anos, permitiram que saísse de Sete Lagoas para estudar e trabalhar em Porto Alegre.
Eu não poderia estar aqui se não fosse o carinho do meu irmão Geraldo Dayrell Filho e de toda a família Hiwatashi, ilustres horticultores de Porto Alegre, que me acolheram como membro da família, e me estimularam na profissão que segui.
Eu não poderia estar aqui se não fossem pessoas como José Lutzenberger, Augusto Carneiro, Caio Lustosa, Magda Renner, e muitos outros que colaboraram no desenvolvimento da percepção de solidariedade não só com a vida no planeta Terra de hoje, mas uma solidariedade intergeneracional, solidariedade para coma vida das gerações que estão por vir, solidariedaade para com gerações anteriores que souberam nos legar um planeta amplo de possibilidades e de potencialidades.
Solidariedade que se traduz não em grandes feitos, mas de um construir diário na busca de sociedades sustentáveis. Sociedades que incluem a intricada e maravilhosa teia de seres vivos onde suas mais de 30 milhões de diferentes espécies de seres vivos a que denominamos de biodiversidade, nos garante a possibilidade de continuidade da vida no planeta Terra.
Biodiversidade que está ameaçada pela ganância de uma economia baseada na exploração dos seres vivos (e entre eles o homem), na dilapidação dos recursos naturais, onde poucas empresas transnacionais conseguem impor os seus interesses numa escala global, corrompendo governos e legisladores. Temos exemplo no Brasil a Lei das Patentes, que se curva ao permitir a difusão de novos seres vivos criados pelo homem cujos riscos de sua manipulação na natureza ainda são desconhecidos. Biodiversidade que está ameaçada por alguns setores prepotentes ligados à ciência que avalizam sem assinar nenhuma promissória. Afinal, ao contrário dos produtos químicos, os produtos da engenharia genética não podem ser retirados do mercado. Me vem à mente a imagem do Titanic, saudados pelos setores sociais dominantes da época como insubmergível. Um iceberg o afundou. O mundo ficou perplexo. A engenharia genética está aí. Mal conhecemos a ponta deste iceberg.
Então eu me pergunto: o que podemos fazer além de homenagear as pessoas que lutam em defesa da vida em seu sentido mais amplo?
O que podemos fazer além de subir nas árvores?

Link para a matéria do AgirAzul: http://www.agirazul.com/eds/ed13/dayrell1.htm

07 abril 2014

Faleceu Augusto Carneiro


Augusto Carneiro e José Lutzenberger - Foto: arquivo Agapan
Faleceu na madrugada deste 7 de abril de 2014 - em Porto Alegre, Brasil - o ativista ambiental Augusto Carneiro.
Carneiro foi um dos pioneiros da Ecologia na América Latina e fundou com José Lutzenberger e outros ambientalistas a pioneira AGAPAN - Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural em abril de 1971.

Em 2005 Carneiro usou sua banca de livros na Feira Ecológica para distribuir nossos panfletos em Defesa das Árvores da Rua Gonçalo de Carvalho.

Carneiro aos 90 anos - Foto: Cesar Cardia/Amigos da Gonçalo de Carvalho


Do perfil de Augusto Cesar Cunha Carneiro no Facebook:

Ele partiu...

Na madrugada deste 7 de Abril, sem ruído e sem mais nenhum recado, o velho Carneiro debandou.

Os pais dele temeram que ele não alcançasse um ano de vida. Uma grave intolerância alimentar o ameaçou logo que ele nasceu. Mas uma cabra, o leite bom de uma cabra, os salvou. O pequeno Augusto juntou força para alcançar 91 anos.

Augusto Carneiro viveu para salvar um número incontável de seres vivos, em sentido literal e figurado. Pouca gente no mundo tem tão extenso currículo de iniciativas e de envolvimento, total e apaixonado, na defesa da Vida. A Vida boa, digna de ser vivida.

Desde que a Rosa, sua derradeira esposa, morreu, ele volta e meia dizia coisas assim: "quando eu for atrás da Rosa...". Esperou um ano, esperou dois, aí deu mais três dias e zummm! Pegou o rumo, foi gastar as sandálias em outras estradas, no pó das estrelas....

Resta a nós comemorar. Pela sorte de ele ter baixado em Porto Alegre para construir seu legado. Pelo privilégio de termos tido ao alcance da vista uma pessoa que não se corrompeu. Pela grandiosa herança que ele nos deixa.


Carneiro em reunião do Conselho Superior da AGAPAN em 2012
Foto: Cesar Cardia/AGAPAN
7 de fevereiro de 2013 - Protesto contra o corte de árvores no entorno do Gasômetro
Carneiro observa a destruição feita pela prefeitura no dia anterior
Foto: Cesar Cardia/Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho


Excelente vídeo com as histórias do Carneiro:

21 janeiro 2014

Oficina no Fórum Social Temático sobre plantio e consumo de transgênicos

Agapan promove oficina no FSTemático sobre plantio e consumo de transgênicos
No momento em que o Brasil contabiliza dez anos de cultivo de transgênicos e que Porto Alegre sedia mais uma edição do Fórum Social Temático, a Agapan promove debate sobre os aspectos socioeconômicos dos transgênicos, enfatizando suas implicações para a saúde humana e ambiental. O debate será realizado neste primeiro dia de FSTemático (21/1), das 19h às 21h, no Memorial do RS, e integra o Eixo 3, sobre Justiça Social e Ambiental (inscrição nº 1129 - atividade autogestionada).

A palestra será proferida por Antônio Andrioli, vice-reitor da UFFS, membro do GEA, especialista em meio ambiente e representante da Agricultura Familiar na Comissão Técnica Nacional de Biossegureança (CTNBio). Andrioli relatará discussões que participou na Alemanha e na Áustria, em novembro e dezembro de 2013, enfatizando o posicionamento e perspectivas da Comunidade Econômica Europeia sobre a produção e consumo de Organismos Geneticamente Modificados (OGMs), traçando um paralelo com a situação nacional no momento em que contabilizamos dez anos de cultivo de transgênicos no Brasil.

Após palestra de contextualização, coordenada pelo engenheiro agrônomo Leonardo Melgarejo, membro do GEA e da AGAPAN, será aberto espaço de debates e manifestações da plenária. “Durante o evento serão coletadas manifestações da plenária com vistas à construção de propostas de encaminhamento”, destaca o presidente da Agapan, Alfredo Gui Ferreira.

A promoção é da: Agapan, Grupo de Estudos em Agrobiodiversidade (GEA), do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS). Com o tema central Crise Capitalista, Democracia, Justiça Social e Ambiental, o FST acontece entre os dias 21 e 26 de janeiro, em Porto Alegre e Canoas.

Convite no Facebook:
https://www.facebook.com/events/406665602769215/

Informações pelo http://www.forumsocialportoalegre.org.br


Fonte: Assessoria de Imprensa da Agapan - www.agapan.org.br

10 outubro 2013

Uma verdadeira aula de ativismo ecológico!

ECOLOGIA É POLÍTICA.
Ótimo vídeo produzido pela jornalista Clarinha Glock sobre um dos fundadores da AGAPAN, o admirável Augusto Cesar Carneiro.

05 setembro 2013

Reunião com o secretário da SMAM

Novo secretário da SMAM recebe Amigos da Gonçalo de Carvalho e AGAPAN no dia 27 de agosto
Com a posse do novo secretário da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Claudio Dilda, decidimos tentar continuidade ao que foi tratado em 12 de setembro de 2012, quando fomos recebidos pelo supervisor da SMAM Francisco Mellos. Aquela reunião foi motivada pelo corte da árvore símbolo da luta pela preservação da Gonçalo de Carvalho, apresentamos algumas críticas e muitas sugestões. Apenas uma de nossas solicitações foi atendida prontamente, uma vistoria nas árvores da Rua Gonçalo de Carvalho, que ocorreu no dia 25 de setembro.

Corte de árvore na Gonçalo de Carvalho em 03 de setembro de 2012
Na ocasião, explicamos nossas preocupações pela falta de manejo e fiscalização com as árvores da cidade, não apenas na Gonçalo de Carvalho. Dissemos claramente que estava muito difícil contatar a SMAM e isso afastava os que sempre foram os grandes aliados da secretaria: os moradores da cidade. Por esse motivo pedimos que fosse criada uma "ouvidoria" na secretaria, pois assim como queremos preservar nossas árvores, também não queremos que galhos podres caiam em cima de pessoas, que galhos e troncos caiam por problemas que não são tratados pela secretaria, afinal ela é a responsável pelo manejo de nossas árvores.
Uma nova árvore foi plantada no mesmo local onde iniciaram
as manifestações em defesa das árvores em 2005.

A reunião (e posterior vistoria das árvores da Gonçalo de Carvalho) quase nada trouxeram de prático, não conseguimos manter o canal aberto com a secretaria, que aparentemente tratava as eventuais críticas como atos de "inimigos políticos". Esse era o tom da administração que foi afastada quando a Polícia Federal deflagrou a "Operação Concutare", inclusive com a prisão do então secretário.
Edi Fonseca, conselheira da AGAPAN, expondo a posição e lutas da AGAPAN em
  defesa das árvores ao supervisor Mellos na reunião do dia 12 de setembro de 2012.

Pelo que notamos nessa reunião de 27 de agosto o novo secretário, Claudio Dilda, pretende atuar de maneira diferente, Disse que pretende fazer gestão e que conta com as entidades ambientalistas e de moradores para fazer o melhor possível. Dilda, que assumiu em 28/5/2013, é uma pessoa ligada ao tema ambiental, já tendo passado pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente e FEPAM.
Participaram dessa reunião Cesar Cardia (Amigos da Gonçalo de Carvalho), Alfredo Gui Ferreira (novo presidente da AGAPAN), Ana Valls (integrante do Conselho Superior da AGAPAN), secretário Cláudio Dilda, chefe de gabinete Virgílio Renê Costa e Aline Czarnobay (da comunicação da SMAM).
Foi relatado ao secretário Dilda que seria a continuidade da tentativa de diálogo com a secretaria e quais foram os motivos e reivindicações feitas na primeira reunião, ano passado.

Reunião com o novo secretário da SMAM em 27 de agosto de 2013

Fomos informados que o Supervisor de área, Francisco Mellos, não ocupa mais aquelas funções, portanto os contatos que haviam sido feitos anteriormente devem ser com um novo supervisor de Praças, Parques e Jardins, Leo Bulling.

Cesar fez um breve histórico lembrando a Rua Gonçalo de Carvalho como uma referências em arborização, onde ainda temos que ficar atentos pois existe uma ameaça constante de retirada de árvores em Porto Alegre, não se sabe se por falta de orientação adequada para a fiscalização, por má intenção mesmo, ou ainda por falta de funcionários para fiscalização. Foi lembrada a Lei dos Túneis Verdes, de autoria do ex-vereador Beto Moesch, que protege as ruas com túneis verdes, tendo sido uma luta conseguir a aprovação desta Lei devido aos diferentes interesses que colocam em risco o verde na nossa cidade. Foram lembrados os últimos casos de agressão ou ameaça às árvores com corte rasteiro como as da área próxima ao Gasômetro, as da Rua Anita Garibaldi, também no bairro Menino Deus e muitas outras regiões.
Foi relatado ao secretário Dilda que os prédios em Porto Alegre têm sido intimados a retirarem as proteções dos canteiros nas calçadas, sob alegações de segurança no mínimo duvidosas. Isto tem ocasionado que muitas árvores nas calçadas estão ficando sem proteção das raízes o que vai ocasionar no passar do tempo que estas venham a cair. Foi sugerido que o secretário dê uma olhada na rua Fernandes Vieira, em frente ao Zaffari pois uma enorme árvore ficou com as raízes  expostas quando retiraram a proteção do canteiro. E este é apenas um dos exemplos citado pela Ana Valls, para conhecimento daquela secretaria. O chefe de gabinete anotou os dados e esperamos que realmente seja dado a devida importância ao fato.

Alfredo Gui Ferreira pediu mais fiscalização ao secretário Dilda.

O presidente da AGAPAN, Alfredo Gui Ferreira, falou sobre as preocupações que temos pois é preciso que haja mais fiscalização da SMAM com atuação nas situações de destruição das árvores, impedindo os cortes antes que aconteçam ou fazendo com que as compensações realmente sejam efetuadas e em áreas que possam ser conhecidas das comunidades. Relatou o fato lamentável ocorrido na antiga Rua das Nações, próximo da escola Ivo Corseuil, onde já haviam sido plantadas várias árvores pelas crianças da escola, num processo de compensação e recentemente uma obra arrasou com 200 árvores incluindo as plantadas pelas crianças. E dizem que o plantio compensatório deverá ser “difuso” ao que ficou para ser respondido que figura é esta e se existe nas normas da SMAM. Ana lembrou que na rua João Teles tem uma obra com placa identificando licenças, responsáveis, compensações, espécies e local de plantio. No entanto, na rua Vasco da Gama tem uma grande obra com placa que só identifica a construtora. Seriam dois pesos e duas medidas. Para alguns a fiscalização olha e para as obras maiores não?
O Secretário Dilda disse que ainda está tomando conhecimento de como tudo funciona na SMAM. Ficou muito contente com a reunião. Disse ainda que não quer trabalhar “apagando incêndio” e sim criando uma forma de gestão que se antecipe aos problemas. Espera poder contar com a participação das entidades para pensar como fazer isto de forma mais ágil. Ana lembrou que a Conferência Municipal de Meio Ambiente serviu para isto e que deve ser olhada nas suas propostas, embora os documentos resultado da mesma sejam difíceis de serem encontrados no site da SMAM.
Por fim, Cesar citou duas necessidades para que algumas coisas possam melhorar: que seja feito o manejo das árvores, pela SMAM, com cuidados que as mesmas precisam, como a retirada de galhos podres antes que caiam na cabeça das pessoas,  e que seja criada uma ouvidoria da SMAM para que se tenha agilidade nas denúncias, informações e reclamações.
Os funcionários da SMAM, presentes, anotaram os dados apresentados e esperamos que  tenham algum desdobramento positivo.

Cortes e queda
Infelizmente no sábado passado, 31 de agosto, já aconteceram fatos lastimáveis que havíamos alertado a secretaria que eram nossas preocupações.


Uma árvore já fora cortada na esquina das ruas João Telles com Henrique Dias. Essa árvore estava muito inclinada sobre a via, pois parte de suas raízes haviam sido cortadas quando foi arrumado o calçamento.

Na rua Pinheiro Machado tinha um grande Guapuruvu - 31/8/2013

Na tarde do sábado um grande guapuruvu estava sendo cortado no terreno que fica bem na esquina da rua Pinheiro Machado com Av. Independência. A equipe que estava fazendo o trabalho tinha autorização da SMAM mas, curiosamente disse que era uma terceirizada e estava lá por ordem da SMAM. Dentro de propriedades privadas a SMAM não pode mandar equipes para fazerem o trabalho, isso é por conta do proprietário. A pergunta que fica é a grande árvore apresentava riscos ou apenas valoriza a área para posterior construção de espigão?

Guapuruvu sendo cortado na rua Pinheiro Machado - 31/8/2013

Mais tarde aconteceu o fato lamentado por todos. Um grande eucalipto, com cerca de sete toneladas, caiu no Parque Farroupilha o que resultou em uma morte e ferimento em mais três pessoas.

Queda de eucalipto no Parque Farroupilha - Foto de Marcelo Sgarbossa (Facebook)
Queremos preservar as árvores de Porto Alegre, mas não queremos que elas caiam sobre as pessoas. Infelizmente o orçamento da SMAM deve ser o menor de todas as secretarias, departamento e empresas da prefeitura municipal. É fundamental o apoio e fiscalização da população para que não ocorram mais acidentes com árvores em nossa cidade, sem esquecer que o executivo deve ser pressionado para disponibilizar mais verbas para a secretaria que tem por objetivo cuidar de nosso Meio Ambiente.

Árvore com tronco apodrecido causa tragédia no Parque Farroupilha.
Foto de Naian Meneghetti

19 agosto 2013

Subindo na Chaminé da Usina do Gasômetro - 17 de agosto de 1988

Ambientalistas logo após colocarem a faixa de protesto na chaminé da Usina.
17 de agosto de 1988 - Foto: arquivo AGAPAN.

Tomando a Chaminé da Usina do Gasômetro

Em 17 de agosto de 1988 a chaminé de 124m de altura foi palco de uma inédita manifestação ecológica que visava chamar a atenção da cidade para a votação do Projeto Praia do Guaíba que ocorreria naquele dia na Câmara de Vereadores. Quatro ecologistas da AGAPAN (Gert Schinke, Guilherme Dorneles, Gerson Buss e Sidnei Sommer) escalaram a chaminé e em seu topo colocaram uma faixa de protesto ao pretendido projeto.

A manifestação da chaminé do Gasômetro foi tida como uma das mais bem sucedidas pelo movimento ecológico gaúcho pois trouxe ao centro da agenda política a ocupação da orla do Rio Guaíba, objeto de permanente polêmica, a exemplo da que gerou a Consulta Pública realizada no dia 23 de agosto de 2009, e que evidenciou a vontade da população portoalegrense em não ceder a orla para prédios residenciais, como propunha o projeto urbanístico Pontal do Estaleiro.
A chaminé da Usina com a faixa de protesto.
17 de agosto de 1988 - Foto: arquivo AGAPAN.

Em 1988, o atual prefeito José Fortunati - à esquerda na foto - apoiava
os ambientalistas e tenta defendê-los da investida da Brigada Militar
quando da tomada da Chaminé do Gasômetro. Hoje ele pensa de maneira diferente.
Em 17/08/1988. Foto: arquivo Gert Schinke.

Ainda em 1988, pouco antes da eleição para a Prefeitura de Porto Alegre (era no 15 de novembro e em um só turno), o então Prefeito Alceu Collares inaugurou a Avenida Beira-Rio. Era o primeiro passo de um projeto maior que deveria urbanizar a orla do Guaíba. A avenida foi feita, mas no domingo anterior à inauguração, houve um grande “abraço ao Guaíba” em protesto ao projeto de urbanização da Orla.



Leia no Blog do Emílio Pacheco o texto sobre o "abraço ao Guaíba" de 1988:
Abraço ao Guaíba em 1988

19 julho 2013

AGAPAN tem novo presidente

Alfredo Gui Ferreira, o novo presidente da mais antiga entidade ambientalista
da América Latina, recebe uma camiseta da ex-presidenta Sandra Ribeiro.
Sócio número 1 é novo presidente da AGAPAN
O botânico e ex-professor da Ufrgs, Alfredo Gui Ferreira é o novo presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) para a gestão 2013/2015. A eleição e a transmissão de cargos aconteceram em assembleia na noite de segunda-feira (15/7), e reuniu a diretoria anterior, encabeçada por Sandra Ribeiro, e conselheiros. Também foram eleitos Eduardo Finardi para vice-presidente, Heverton Lacerda para secretário geral, Vanessa Melgare para 1ª tesoureira e Ymara Menna Barreto, 2ª tesoureira.
Alfredo é sócio fundador da entidade e sua ficha de associado é a número 1, antes mesmo de José Lutzenberger, que na época, em 1971, foi o quarto associado.

Novo presidente da AGAPAN pediu apoio de todos para esclarecer
a população sobre a importância da causa ecológica.
Alfredo Gui Ferreira possui graduação em História Natural pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1964), mestrado em Botânica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1973) e doutorado em Ciências Biológicas (Botânica) pela Universidade de São Paulo (1977). Pós-doutorado no William Paterson College, USA. Professor titular aposentado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e professor colaborador (voluntario) da Universidade de Brasília e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Tem experiência na área de Botânica, com ênfase em Fisiologia vegetal e Ecofisiologia Vegetal, tendo atuado nos seguintes temas: germinação, alelopatia, cultura in vitro, cultura de tecidos. Hoje dedica-se a assessorias diversas (revistas, livros, projetos) e palestras. É editor da área de Fisiologia Vegetal da Acta Botanica Brasilica.

Sandra leu relatório de atividades da última gestão
A unânime aceitação da chapa para nova diretoria da Agapan aconteceu após aprovação dos relatórios de atividades e financeiro, apresentado pela diretoria anterior. A então presidenta Sandra relatou as atividades dos últimos dois anos, destacando, neste ano, a Operação Concutare, com a prisão dos ex-secretários estadual e municipal de Meio Ambiente, Carlos Fernando Niedersberg e Luiz Fernando Záchia, entre outros indiciados, e a invasão da brigada militar ao acampamento Ocupa Árvores, na madrugada do dia 29 de maio, “fatos dramáticos da história ambiental”, diz Sandra.


Em sua gestão, Ferreira tem como objetivos melhorar ainda mais a estrutura da Sede da Agapan e atrair mais sócios, através de campanhas e ações. “Vamos manter o atendimento às demandas ambientais e, agregando novas estratégias, ampliar e qualificar ainda mais nossa atuação”, antecipou o novo presidente, que é doutor em ecofisiologia, ciência que estuda o funcionamento e as relações entre as plantas. 

Flávio Lewgoy (à esquerda), membro do Conselho Superior da entidade.
Francisco Milanez, presidente até maio deste ano,
também participou da assembleia.
Com Assessoria de Imprensa da Agapan – Jornalista Adriane Bertoglio Rodrigues

16 julho 2013

AGAPAN anuncia seu DESLIGAMENTO do Consema/RS

Celso Marques, ex-presidente e integrante do Conselho Superior da Agapan,
em manifestação na Câmara Municipal de Porto Alegre no dia 11 de julho de 2013.
Foto: Cesar Cardia
Entidade alega que o Conselho Estadual do Meio Ambiente não representa os supremos interesses da população na busca de uma verdadeira sustentabilidade ecológica.

A composição ambiental minoritária e a constatação de que o Conselho Estadual de Meio Ambiente “não representa os supremos interesses da população na busca de uma verdadeira sustentabilidade ecológica” são alguns dos motivos que levaram a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) a se desligar do Consema, após quase 20 anos de participação ativa da entidade.
Em documento encaminhado à Apedema na quarta-feira (10/7), os representantes da Agapan, que integram Câmaras Técnicas de Controle e Qualidade Ambiental e de Biodiversidade e Política Floresta, Edi Xavier Fonseca e Sandra Ribeiro, e Flávio Lewgoy e Alfredo Gui Ferreira, expressam os motivos do afastamento.

“Estamos cumprindo o nosso dever de comunicar ao coletivo ambientalista a decisão de abrirmos mão da representação para a qual fomos investidos pela Apedema”, diz a conselheira Edi, ao observar que “a composição minoritária que temos nos coloca em uma condição de incompatibilidade, gerada pelos conflitos de interesses inconciliáveis, que inviabilizam as finalidades institucionais do próprio Consema”.

Assessoria de Imprensa da Agapan / Jornalista Adriane Bertoglio Rodrigues

16 junho 2013

Negados pedidos da AGAPAN e do Município de Porto Alegre

Algumas das árvores "sobreviventes" - Foto: Cesar Cardia
Negados pedidos da AGAPAN e do Município no processo do corte das árvores na Capital

Em decisão unânime, a 22ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) negou provimento ao recurso interposto pela Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (AGAPAN), que pretendia ser parte assistente na Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público contra o Município de Porto Alegre, na qual questiona o corte de árvores para a realização das obras de duplicação da Avenida Edvaldo Pereira Paira, a Beira-Rio.

Os magistrados entenderam que o pedido de ingresso no processo deve ser feito ao Juízo de 1° Grau, demonstrando seu interesse de nele atuar como assistente ou litisconsorte de uma das partes.

Na mesma sessão, realizada na tarde desta quinta-feira (13/6), os magistrados da 22ª Câmara Cível também negaram o recurso interposto pelo Município de Porto Alegre, questionando decisão do Desembargador Carlos Eduardo Zietlow Duro, de 19/4.

Eduardo Finardi Rodrigues, membro do Conselho Superior e ex-presidente
da AGAPAN - Foto: Cesar Cardia


Caso
A AGAPAN questionava a decisão da 22ª Câmara Cível do TJRS, que revogou a suspensão do corte de vegetais na Avenida Beira Rio, na Capital, autorizando o corte imediato. Afirmou que não foi apreciada a questão relativa à supremacia do desenvolvimento econômico e social em detrimento da “proteção ao meio ambiente” e requereu o esclarecimento dos votos que embasaram a decisão.

O relator, Desembargador Carlos Eduardo Zietlow Duro, entendeu que os embargos declaratórios não merecem conhecimento. Verifica-se que não há qualquer prova sobre o deferimento do pedido de ingresso na lide da ora embargante, AGAPAN, como assistente litisconsorcial na Ação Civil Pública ajuizada, o que exige prévia observância às regras procedimentais previstas nos artigos 54 e 51 do CPC.

Os Desembargadores Maria Isabel de Azevedo Souza e Eduardo Kraemer acompanharam o voto do relator.

Recurso intempestivo
Os magistrados da 22ª Câmara Cível negaram provimento ao agravo interposto pelo Município de Porto Alegre.

O recurso foi considerado intempestivo pelo relator, por entender que ingressou fora do prazo recursal. O Desembargador Duro destacou que o Município tomou ciência da decisão antes da juntada do mandado. Dessa forma, havendo ciência inequívoca da decisão ora agravada em 19/4, iniciou-se o prazo recursal em 22/4 (segunda-feira), sendo protocolado o recurso em 14/05, um dia após o decurso do prazo recursal, quando já esgotado.

O voto foi acompanhado pelos Desembargadores Maria Isabel de Azevedo Souza e Eduardo Kraemer.


Texto: Janine Souza
Assessora-Coordenadora de Imprensa: Adriana Arend
imprensa@tj.rs.gov.br
Publicação em 13/06/2013 16:40
Fonte: http://www.tjrs.jus.br/site/imprensa/noticias/?idNoticia=212916

Manhã do dia 29 de maio - prefeitura municipal retalha mais de 50 árvores
depois da ação da Brigada Militar durante a madrugada, que invadiu e prendeu
ativistas que estavam acampados em defesa das árvores - Foto: Cesar Cardia

13 junho 2013

Hoje, mais um julgamento no Tribunal de Justiça!

Árvores marcadas para morrer no entorno do Gasômetro
Dia 13/6, às 14h, teremos julgamento na Justiça do Agravo Interno do Município para cortar as 8 árvores sobreviventes e do recurso de agravo da Agapan. Será no mesmo local onde foi julgado o outro recurso - 22ª Câmara Cível do TJ - que infelizmente permitiu os cortes efetuados pela prefeitura municipal na calada da noite do dia 29 de maio.

21 maio 2013

A Marcha em Defesa da Árvores


Leitura do Manifesto da AGAPAN em frente da Prefeitura Municipal de Porto Alegre

Matéria no Sul 21:
Ativistas realizam marcha contra corte de árvores em Porto Alegre



Protesto começou às 18h desta segunda-feira (20), em frente à prefeitura de Porto Alegre | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Samir Oliveira
A chuva insistia em cair na noite desta segunda-feira (20), fazendo escorrer a tinta que transmitia mensagens de protesto em frente à prefeitura de Porto Alegre e corroendo os cartazes feitos de cartolina e papel pardo. Fina e constante, a chuva parecia imitar a determinação de dezenas de jovens que estão acampados desde o dia 17 de abril na área verde ao lado da Câmara Municipal, dispostos a permanecer em vigília contra o corte de árvores para realização de obras viárias em função da Copa do Mundo de 2014.
Nesta segunda-feira, cerca de 150 pessoas foram às ruas na cidade para protestar contra a poda das árvores. São 115 plantas na mira das motosserras: 43 tipuanas, 16 carobinhas, 15 goiabeiras, 9 ipês-roxos e 7 canafístulas.

Leia mais:
- Justiça autoriza derrubada de árvores na Avenida Beira-Rio em Porto Alegre

A marcha desta segunda – que saiu da prefeitura às 19h e chegou ao acampamento pouco depois das 19h30min – foi uma resposta dos ativistas à decisão judicial que autorizou o corte das árvores. Na quinta-feira (16), a 22ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) entendeu que os vegetais podem ser podados.


Cerca de 150 pessoas marcharam até o acampamento onde dezenas de jovens fazem vigília contra corte de árvores | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

A decisão do Judiciário derrubou os efeitos de uma liminar concedida em primeira instância que suspendia o corte de árvores iniciado em fevereiro, quando 14 tipuanas foram ceifadas da praça Júlio Mesquita para que a obra de ampliação da avenida João Goulart pudesse ser iniciada.
Os desembargadores sustentam que “apesar da sua importância”, a preocupação com o meio-ambiente não pode frear o desenvolvimento econômico de Porto Alegre. Eles também alegam que a área era um antigo aterro e que as árvores foram plantadas no local, portanto – não sendo originárias – podem ser removidas.
O Ministério Público já prepara um recurso para protocolar no Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas a decisão do TJ-RS dá aval para que a prefeitura efetue a qualquer momento os cortes. Especula-se que a ação possa ocorrer ainda nesta semana.
Ato reúne antigos ambientalistas e novos militantes
Porto Alegre tem tradição na militância ambiental. A Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (AGAPA) foi uma entidade pioneira no país, fundada em 1971 por José Lutzenberger.


Cesar Cardia afirma que ambientalistas mais velhos também subirão em árvores | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Foi nesta época que se forjou boa parte da militância ambiental da cidade. Denunciados pelos cabelos grisalhos, esses ativistas estavam presentes no ato desta segunda-feira (20), quando se misturaram com jovens militantes da cidade – muitos dos quais eram presença garantida nos atos recentes que movimentaram a vida político-social de Porto Alegre, como os protestos contra o aumento da passagem de ônibus.
“Apoiamos a postura dos jovens, achamos que é digna de todos os elogios. Eles estão defendendo o futuro. Os mais velhos, se puderem ajudar e subir em árvores, também farão isso”, orgulha-se Cesar Cardia, integrante da Agapan e do movimento Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho – via repleta de tipuanas no bairro Independência e considerada popularmente pelos moradores como “a rua mais bonita do mundo”.
“Meu professor foi José Lutzenberger. Estou repassando o que aprendi com ele a esses jovens, é gratificante. Já temos uma idade avançada… Mas eles estão aí e vão segurar a barra”, diz Eduíno de Mattos, integrante da Assembleia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente do Rio Grande do Sul (APEDEMA).
Ele acredita, ainda, que as obras viárias em execução na cidade possuem um outro objetivo: preparar Porto Alegre para receber a Fórmula Indy do Mercosul. “Esse projeto está sendo escamoteado da opinião pública. Está sendo feita uma parceria entre a Secretaria Municipal da Copa do Mundo e a rede hoteleira da cidade. Como querem realizar uma Fórmula Indy, onde a velocidade permitida é 330 km/h, dentro de uma capital colonial? É uma incoerência, não é esse o turismo que queremos”, denuncia.


Eduíno de Mattos diz que prefeitura negocia realização da Fórmula Indy na cidade | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

No início do protesto desta segunda-feira, os ativistas leram um manifesto no qual garantiram que subirão nas árvores quando a prefeitura for iniciar o corte. “Quando chegarem os funcionários municipais com suas motosserras, nos acorrentaremos nas copas”, avisaram.
Ao longo da marcha desta segunda-feira, os gritos mais ouvidos eram “nenhuma árvore a menos” e “recua motosserra, recua! é o poder popular que está na rua!”. Ao chegar no acampamento, o grupo prometeu realizar um novo ato nesta quinta-feira (23).

Confira mais fotos do protesto desta segunda-feira


Foto: Ramiro Furquim/Sul21 

Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Fonte: http://www.sul21.com.br/jornal/2013/05/ativistas-realizam-marcha-contra-corte-de-arvores-em-porto-alegre/