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19 abril 2015

O "novo" Pontal do Estaleiro

Nos dias 8 e 9 de abril ocorreram duas Audiências Públicas para a apresentação do EIA-RIMA do novo empreendimento projetado para a Orla do Guaíba, agora rebatizado como "Parque do Pontal". Nas Audiências a comunidade conheceu detalhes do polêmico empreendimento que em 2008/2009 causou grandes discussões, sendo rejeitado pela população em inédita consulta pública por mais de 80% de votos.
Como era de se esperar, as críticas foram maioria.

Matéria do excelente Jornal Já sobre a segunda Audiência Pública:

Reação de empresários esquenta segunda audiência do Pontal
Mesmo com número de participantes menor,
houve o dobro de inscrições | Naira Hofmeister/JÁ


NAIRA HOFMEISTER

A segunda audiência pública para apresentar à população de Porto Alegre o projeto do Parque do Pontal – antigo Pontal do Estaleiro, a ser construído no bairro Cristal – foi marcada por ânimos exaltados, discussões e até ameaças.

O grupo favorável ao empreendimento reagiu após amargar uma derrota no primeiro encontro, quando contou com apenas três oradores entre mais de uma dezena de manifestantes que foram à tribuna, embora a plateia do Jockey Club estivesse dividida.

Dessa vez, apesar do número de participantes ser visivelmente menor, houve quase o dobro de inscrições e diversas falas em apoio ao projeto, quase todas provenientes de arquitetos.

Ainda assim, as manifestações contrárias dominaram o encontro: foram 17, contra as 6 favoráveis à construção, que compreende torre comercial de 82 metros, shopping center e uma praça pública.

APRESENTAÇÃO FOI CAUTELOSA

Desde os primeiros momentos o esforço de organização dos empreendedores ficou claro. Na apresentação do projeto, por exemplo, a arquiteta Clarice Debiagi reiterou diversas vezes o caráter público da praça: “Não haverá cancela ou portão, o acesso será livre”, repetiu.

Ela também foi cuidadosa ao explicar que, segundo o cálculo utilizado no Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA-Rima), o terreno junto à avenida Padre Cacique ficará acima da cota mínima para evitar inundações, o que havia sido questionado na noite anterior.

O engenheiro Mauro Jungblut, coordenador da equipe que realizou o EIA-Rima através da empresa Profill, também se dedicou a esclarecer temas que polemizaram o encontro na véspera, como a viabilidade de erguer um edifício de 22 andares em um solo arenoso.

“Quatro, cinco ou seis metros abaixo da superfície temos o maciço granítico, que, por óbvio, é onde irão se assentar as bases do empreendimento pois tem plenas condições de construção”, garantiu.

IDENTIDADE DA BM PAR É QUESTIONADA

A primeira manifestação da cidadania foi uma das mais polêmicas. O representante do movimento Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho, Cesar Cardia, provocou uma discussão ao perguntar quem eram os proprietários da BM Par, empresa que se apresenta como empreendedora do Parque do Pontal, ao lado da rede francesa de lojas de materiais de construção, Leroy Merlin.

“É estranho que uma empresa com capital suficiente para uma obra deste porte não tenha site ou qualquer outro empreendimento conhecido na cidade”, argumentou.

Como ele se excedeu no tempo determinado de três minutos por orador – o que não foi respeitado por quase nenhum dos manifestantes – uma senhora sentada na plateia pediu que lhe cortassem a palavra, alegando que a pergunta não era pertinente. “E daí? E daí?”, repetia ela, exaltada.

Também da plateia veio a resposta. Um dos diretores da BM Par, Rui Carlos Pizzato pediu a palavra e sentenciou: “É uma empresa genuinamente gaúcha, com dois sócios, que tem por objetivo construir empreendimentos”.

Parte da plateia insistiu para que Pizatto revelasse a identidade dos proprietários da empresa, mas ele tergiversou enquanto outros aliados do projeto discutiam com quem questionava, alertando que no registro na Junta Comercial constam os nomes.

Na audiência pública da noite anterior, quem se apresentou como representante dos empreendedores era Marcos Colvero, diretor de incorporações da Melnick Even.

DISCUSSÕES ELEVARAM O TOM

Desde que Cesar Cardia abriu as manifestações ao microfone até o último inscrito encerrar sua intervenção, quase quatro horas depois, a tensão foi uma constante e mais de uma vez o presidente da mesa, Mauro Gomes de Moura, supervisor de meio ambiente da Smam, precisou intervir.

“Isso não é um debate. Não haverá réplica nem tréplica”, lembrava quando a confusão se instalava.

Entre as manifestações favoráveis ao Pontal o argumento era – seguindo a linha apresentada pelos empreendedores – de que o projeto vai permitir o acesso à orla do Guaíba, hoje inviabilizado naquele local.

“Não entendo porque tanto barulho! Temos 72 quilômetros de orla e esse projeto representa menos de 1% desse total, o impacto será mínimo! Além de tudo, a empresa vai entregar à população 56% da área”, reclamou o arquiteto Roberto, debaixo de vaias que vinham da plateia.

O reforço maior do time favorável veio do ex-secretário municipal Clóvis Magalhães, que trabalhou na gestão de José Fogaça, acompanhando toda a tramitação inicial do projeto. “Naquela época houve muita polêmica e dela incorreram uma série de avanços apresentados agora. Tudo o que o poder público exigiu do empreendedor foi assimilado”, defendeu.

MANIFESTANTES PEDEM ANULAÇÃO DA AUDIÊNCIA

Do lado contrário, a justificativa seguiu a mesma linha da noite anterior: além de criticar o modelo proposto – que exige a construção de um espigão para justificar a entrega de uma área verde à população – houve questionamentos sobre a legalidade do leilão do terreno, ocorrido em 2005, e quanto à precisão do EIA-Rima apresentado.

Para esse grupo, a área onde pretendem erguer o Parque do Pontal não poderia ter sido vendida à empresa, uma vez que sua origem é pública. Por outro lado, apontam inconsistências na análise da Profill, como a falta de estudo de construção do dique de proteção contra cheias, previsto na lei que aprovou o projeto na Câmara Municipal.

Com base nesses apontamentos, um grupo pediu a anulação das audiências públicas através de um abaixo assinado que foi incluído no processo da Smam. “Solicitamos encarecidamente que essa secretaria, representante do poder executivo, entenda que não se pode apresentar à população um estudo incompleto e que foge do enquadramento legal”, diz o documento.

A atitude foi provocada pelo militante pela reforma urbana, Júlio Alt, cuja acusação de que a prefeitura teria um “conluio” com os empreendedores tirou o presidnete da mesa de seu prumo. “O senhor sabe que está sendo gravado?”, questionou, sugerindo cuidado com um eventual “processo administrativo”.

A plateia entendeu a fala como uma ameaça, mas ao final da audiência, recomposto depois do inconveniente, ele garantiu aos repórteres: não tem nenhuma intenção de ajuizar qualquer queixa contra o ativista.

A Smam estima que mil pessoas tenham comparecido às audiências públicas. Nos próximos sete dias, a pasta receberá por escrito questionamentos sobre o projeto que serão encaminhados e respondidos obrigatoriamente pelo empreendedor.


Lembrando a polêmica do Pontal do Estaleiro, em 2008/2009:


Porto Alegre disse NÃO! Quem perdeu com a vitória da cidadania de Porto Alegre?

A vitória do NÃO! - Entidades que participaram da Frente do Não

Sobre a vitória do NÃO - Texto do cineasta e músico Carlos Gerbase em 24 de agosto de 2009

Os motivos para votar NÃO em 2009:


03 dezembro 2014

3 de dezembro - Dia Internacional do Não Uso de Agrotóxicos

Os agrotóxicos, todos os dias matam homens, mulheres, crianças, pelas mãos invisíveis dos assassinos silenciosos fabricados pelas multinacionais dos agroquímicos

Herbicidas - charge de Latuff
O termo agrotóxico não é utilizado pelo setor empresarial que faz questão de denominar os biocidas de “defensivos agrícolas”. Essa palavra está carregada de intencionalidade de marketing, cujo objetivo é convencer os agricultores de que esses produtos atuam somente para impedir a ação de organismos que poderiam causar prejuízos econômicos, ocultando os riscos inerentes a essas substâncias para o meio ambiente e para a saúde humana. Sob essa denominação, a nova tecnologia é “ensinada” nas faculdades de agronomia, veterinária, biologia, zootecnia e nas escolas técnicas agrícolas com forte patrocínio das empresas químicas, constituindo um corpo ideológico de interesse de mercado.

Outros termos empregados são: pesticida, que vem da tradução da palavra do inglês pesticide, e praguicida. Ambos exprimem a idéia equivocada do efeito biocida apenas nos agentes patógenos indesejáveis e ocultam o lado dos riscos negativos para a saúde e o ambiente. Aludem a um efeito seletivo, que não é real, como se houvesse controle do alvo a que se destina o produto, quando na verdade podem agir também em outros organismos vivos, incluindo o ser humano, e produzir efeitos não desejados. A palavra “biocidas”, bem menos utilizada, significa “matar a vida” e seria a melhor denominação para essas substâncias, uma vez que este é de fato sua função e para tal são produzidos.

Tanto no campo quanto nas cidades, os agrotóxicos são comumente chamados de “veneno” ou “remédio”. O termo “veneno” é atribuído a esses compostos, pelos próprios trabalhadores rurais, que durante anos vêm observando efeitos nocivos dos biocidas a saúde humana e animal. Já “remédio” é o termo utilizado por vendedores e técnicos ligados à indústria química, na tentativa de passar a idéia que os agrotóxicos são “remédio para a planta”.

Brasil - o maior consumidor de venenos agrícolas do mundo
O modelo agrícola adotado no Brasil, especialmente para as monoculturas, desde a Revolução Verde e a Modernização Agrária instituída na década de 60, reúne as seguintes características: mecanização; práticas agrícolas químico-dependentes; irrigação e concentração de terras.

Geralmente, quando se pensa em agrotóxico a primeira associação feita é com seu uso na agricultura. Porém vale ressaltar sua crescente utilização nas áreas urbanas, principalmente os inseticidas domésticos adquiridos em supermercados, que possuem uma grande diversidade de produtos, princípios ativos e marcas, bem como os utilizados pela saúde pública.

A utilização de biocidas de maneira indiscriminada causa também a destruição dos agroecossistemas formados pela complexa interação entre parasita e predador, colheita, animais de pastos e o homem, uma vez que a eliminação de alguns elementos dessa cadeia, considerados “controles naturais de pragas”, pode levar a um considerável aumento desses parasitas em determinadas regiões. Isso ocorre porque ao se utilizar agrotóxicos pode haver a destruição dos “controles naturais” e resistência de parasitas. Por conta disso utilizam-se agrotóxicos com outros princípios ativos, que podem causar a destruição de outros “controles naturais” e nova resistência, entrando assim num “ciclo vicioso”.


O uso descontrolado dos agrotóxicos leva a uma expansão dos riscos, fazendo com que as populações não diretamente vinculadas com a cadeia produtiva dessas substâncias também se exponham em função da contaminação ambiental e dos alimentos, tornando a problemática dos agrotóxicos uma questão ainda mais grave de saúde pública. Os usos dos agrotóxicos são um problema de dimensões alarmantes, uma vez que comprometem não só a saúde, mas também o ambiente. Na Austrália, por exemplo, a redução da biodiversidade, causada pelo uso de agrotóxicos, pode ser avaliada pelo decréscimo das populações de anfíbios. Nesse país há um dito popular: “Choro dos sapos se calou com a chegada dos agrotóxicos”.

A capina química é uma prática que vem crescendo de forma acelerada e é muito utilizada no controle de plantas daninhas e na questão de limpeza em áreas urbanas, porém de forma irregular como preconiza a ANVISA (Agencia Nacional de Vigilância Sanitária). Pela questão de tempo e condicionamento físico dos trabalhadores que utilizam esta prática, ela vem ganhando cada vez mais espaço na hora de decidir qual melhor forma de fazer a limpeza de uma área. Enquanto que na capina mecânica uma área que era devastada em horas ou dias na capina química esse período de tempo diminui consideravelmente. Na maioria das vezes essa prática é feita de forma desordenada por trabalhadores que não tem o mínimo de cuidado na hora do preparo e nem uma preocupação com a questão de sua própria segurança na atividade em que ele está realizando. Esta prática resume-se na aplicação de herbicidas na área em que se pretende fazer o controle das plantas indesejáveis

Nos municípios existem trabalhadores informais que são contratados para cuidarem das aplicações de herbicidas nas residências, por não serem supervisionados, estes trabalhadores agem de forma clandestina e irresponsável, colocando em risco a saúde das populações, bem como a integridade da flora e da fauna

Você sabe o que tem no seu alimento?
A percepção dos riscos inevitáveis que podem ocorrer com o mal uso de herbicidas para eliminação das ervas invasoras é fundamental para a consciência popular. Não há nenhuma fiscalização por parte do poder público no sentido de combater essa prática predatória e devastadora que pode não só extirpar a flora e fauna de determinadas áreas como também a interferir na saúde da população.

A Lei 6.288/02 aprovada pela câmara dos deputados em 12/08/2009 proíbe capina química em área urbana. A partir de 15/01/2010, a ANVISA também proíbe a aplicação de herbicidas em área urbana.

PORTARIA nº 16/1994. Art. 1º - O uso de herbicidas para a capina e limpeza de ruas, calçadas, terrenos baldios, margens de arroios e valas fica expressamente proibido em todo o território do Rio Grande do Sul.

Querem aprovar uma lei que permite depósitos de venenos ao lado de residências no RS
A ANVISA levantou dados junto às áreas técnicas da Agência, a diversos segmentos da sociedade, e de outros órgãos do SUS para verificar a veracidade do alerta de uso indevido de agrotóxicos em zona urbana, e evidenciou-se que a regulamentação dessa prática não se revelava o melhor caminho na busca da proteção e da defesa da saúde da população brasileira. Em qualquer área tratada com produto agrotóxico é necessário isolamento completo do local por no mínimo 24h, para impedir que pessoas entrem em contado com o agrotóxico aplicado. Segundo a ANVISA, em ambientes urbanos, este período de isolamento é impraticável, pois não há meios de assegurar que toda a população seja adequadamente avisada sobre os riscos que corre ao penetrar em um ambiente com agrotóxicos, “cabe ressaltar que crianças, em particular, são mais sujeitas às intoxicações em razão do seu baixo peso e hábitos, como o uso de espaços públicos para brincar, contato com o solo e poças de água como diversão”, ressalta.
A Agência destaca que cães, gatos, cavalos, pássaros e outros animais podem ser intoxicados tanto pela ingestão de água contaminada como pelo consumo de capim, sementes e alimentos espalhados nas ruas, onde se lança os agrotóxicos.
A ANVISA informa que há no mercado produtos agrotóxicos registrados pelo IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) identificados pela sigla “NA” como agrotóxicos de uso Não-Agrícola. “Estes produtos registrados pelo IBAMA apenas podem ser aplicados em florestas nativas, em ambientes hídricos (quando assim constar no rótulo) e outros ecossistemas (além de vias férreas e sob linhas de transmissão)”, destaca. Dessa forma, a prática da capina química em área urbana não está autorizada pela ANVISA ou por qualquer outro órgão, “não havendo nenhum produto agrotóxico registrado para tal finalidade”, conclui.

Organismos geneticamente modificados usam ainda MAIS venenos
A falta de uma política efetiva de fiscalização, no acompanhamento técnico e no controle de agrotóxicos na região, que é integrada no mercado globalizado, revela que o parâmetro que interessa aos tomadores de decisão é apenas o da produção. A saúde e o ambiente estão longe de uma atenção adequada.

Como podemos educar as nossas crianças para um modo de vida sustentável que contemple entre outras coisas: alimentação orgânica, uso racional da água, consumo consciente, coleta seletiva, etc.; se de forma indireta, colocamos esses indivíduos em contato com produtos que irão lentamente se acumular nos seus corpos e um dia, talvez não muito distante, irá lhes causar sérios danos à saúde? Aquela velha figura do jardineiro que atendia a domicílio e utilizava ferramentas como tesoura de poda, oncinha, rastelo, entre outros, parece estar em extinção.

A capina química em áreas urbanas expõe a população ao risco de intoxicação, além de contaminar a fauna e a flora local. Por esse motivo, tal prática não é permitida.

Julio Cesar Rech Anhaia-Engº Agrº-03 de dezembro de 2014

26 novembro 2014

O cidadão também tem que preservar

Escadaria da Rua João Manoel em 5 de janeiro de 2008 - Foto: Cesar Cardia
Escadaria da Rua João Manoel
Rua Fernando Machado, s/n - Centro Histórico de Porto Alegre

Construída em alvenaria de tijolos e pedra, ascende da rua Cel. Fernando Machado à rua João Manoel, nas proximidades da rua Duque de Caxias.

Os três primeiros lances são centrais e ladeados por muretas baixas, pilaretes e ajardinamento. A partir do terceiro lance os degraus descentralizam-se e, divididos, evoluem nas laterais, com peitoril em ferro trabalhado.

Os degraus sobem contornando e unem-se novamente para outro lance centralizado na escadaria, chegando ao belvedere.

A mureta, balaústre que delimita a escadaria e o belvedere transversalmente, são em alvenaria com tratamento em vazados e balcão de apoio, diferenciando-se das muretas ao nível da rua Cel. Fernando Machado que são lisas.

O sistema pluvial para o escoamento da água da chuva consiste em orifícios dispostos a menos de 1/3 da altura das muretas, em diferentes níveis da escadaria.


Teresa Flores, a madrinha da Escadaria

Teresa, residente na Fernando Machado, é a pessoa que mais luta pela preservação da Escadaria

Em 2007 surgiu o antigo Movimento Viva Gasômetro, no Centro Histórico de Porto Alegre, que objetivava lutar pela melhoria de Qualidade de Vida no Centro, especialmente no entorno da Usina do Gasômetro. O atual Viva Gasômetro muito pouco tem a ver com o antigo Movimento.
Markinho Binatti em ação na Praça do Aeromóvel

Em dezembro de 2006 algumas pessoas decidiram protestar contra o estado de abandono da Praça Julio Mesquita (Praça do Aeromóvel), que tinha muito lixo acumulado e grande quantidade de ratos, fizeram um ato de protesto e convidaram o pessoal da AMABI e dos Amigos da Gonçalo de Carvalho para participarem. Como o convite feito por e-mail por um dos coordenadores do ato, Christian Lavich Goldschmidt, chegou quase na véspera do ato, não foi possível comparecer. Porém em fevereiro de 2007 entramos em contato com eles para tentar auxiliar o novo Movimento, que como nós estavam preocupados com o Meio Ambiente, problemas urbanísticos e a qualidade de vida na cidade.

Teresa na Escadaria da João Manoel
Na realidade o Movimento não existia, haviam feito um ato de protesto e algumas poucas pessoas se reuniam para trocar ideias sobre o que poderiam fazer, mas sem nenhuma estrutura nem planejamento. Na primeira reunião que compareci, levando material da AMABI e Amigos da Gonçalo de Carvalho, conheci pessoalmente a Jacqueline, Christian, Breno (artesão e vizinho da Jacqueline) e apareceu a Teresa, moradora da Rua Fernando Machado, que já comparecia para essas conversas em frente da Praça do Aeromóvel. Já nesse primeiro dia ela reclamou do estado da escadaria da João Manoel, disse que a tradicional escadaria estava toda pichada, suja, tinha virado ponto de tráfico e consumo de drogas, refúgio de malfeitores e que a prefeitura nada fazia para mudar esse estado deplorável. Disse que com a chegada de gente e mais experiente o Movimento poderia decolar e então atuar também para melhorar a escadaria da João Manoel, mesmo que ela não ficasse tão "pertinho" do Gasômetro.

Escadaria no dia 18/4/2007

Moradores de rua, pichações e muita sujeira

Muitos nem percebem a beleza que está escondida no Centro

DMLU lavou a escadaria de alto a baixo

Muito lixo retirado e muita água foi usada

Outras reuniões aconteceram depois, algumas sugestões para tornar o Movimento visível - como a criação de endereço de e-mail, Blog, estrutura organizacional, lista de prioridades e peças gráficas de divulgação - foram aceitas. Porém foi decidido que o Movimento não teria uma única pessoa na coordenação, quase todos os participantes seriam considerados oficialmente como coordenadores, menos eu que recusei por já participar ativamente da AMABI e dos Amigos da Gonçalo. Então a coordenação do novo Movimento era composta por Jacqueline, Christian, Teresa, Breno, uma jornalista chamada Suzana e a arquiteta Mara Gazola. 

Na Duque de Caxias, esquina com João Manoel, o hoje abandonado palacete da família Chaves Barcellos

Em abril de 2007 a Teresa Flores insistiu que o Movimento Viva Gasômetro participasse da limpeza da escadaria, já havia tretado do assunto com alguns moradores da região e donos de um restaurante que então existia na João Manoel, bem no limite da escadaria. Até a data já estava acertada, bastava o Movimento participar para dar mais visibilidade ao ato e pedir o auxílio do DMLU para recolher o lixo e lavar todo o local.

No dia 21/4/2007 iniciou a pintura com cal

A cidadania em ação

Teresa acompanhava tudo, muito contente

Vai ficar bonita novamente, dizia o pessoal do restaurante

Deu trabalho, mas os voluntários estavam muito satisfeitos

Arquiteta Mara Gazola também fez sua parte

Isso foi feito. No dia 18 de abril o Departamento Municipal de Limpeza Urbana limpou e lavou a escadaria e no dia 21 integrantes do antigo Movimento Viva Gasômetro, moradores e o pessoal do Restaurante Autêntico Sabor pintaram com cal toda a escadaria. Saiu até matéria na capa no jornal Correio do Povo. 
"Mutirão limpa escadaria", foi a manchete do Correio do Povo

Com o exemplo dado pela cidadania, a prefeitura passou a limpar e lavar a escadaria mais seguidamente e em 5 de janeiro de 2008, aconteceu um ato simbólico de "energização" com ervas e pétalas de flores, pela Ialorixá Cenira do Xangô na escadaria pintada pela prefeitura municipal, sempre com o acompanhamento da Teresa Flores, a "madrinha" da Escadaria da Rua João Manoel.

Trecho da João Manoel entre a escadaria e Duque de Caxias

A escadaria no dia 5 de janeiro de 2008

A escadaria no dia 5 de janeiro de 2008

A escadaria no dia 5 de janeiro de 2008

Energização com ervas e pétalas de flores em 05/1/2008

Energização com ervas e pétalas de flores em 05/1/2008

Energização com ervas e pétalas de flores em 05/1/2008

Energização com ervas e pétalas de flores em 05/1/2008
O problema é que esse tipo de ação pontual não resolve o estado de abandono da escadaria da João Manoel. Se mais pessoas se envolvessem, cuidando, denunciando os atos de vandalismo e pressionando as autoridades, tudo seria mais fácil. Os "cuidadores da cidade", na sua grande maioria são pessoas com mais idade e os jovens parecem ter outras prioridades, poucos participam desse tipo de ações.

(Cesar Cardia - integrante do Movimento Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho)
Todas as fotos das ações na Escadaria: Cesar Cardia/Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho


A história da Escadaria

Na época de sua construção, sem os altos prédios no entorno

Durante a administração de Alberto Bins foram implantadas várias melhorias, buscando resolver os problemas viários, sanitários e de embelezamento da cidade de Porto Alegre seguindo o “Plano Geral de Melhoramentos” proposto em 1914 por Moreira Maciel. Uma das estratégias do plano consistia no saneamento e adaptação do antigo centro colonial às novas condições urbanas, levando em conta higiene e circulação. A área colonial de Porto Alegre se configurava entre o Mercado Público e a ponta da península, tendo como centro a Praça da Matriz, no ponto mais alto da cidade. Algumas ruas, em áreas de grande declive, se tornaram impossíveis de transitar, gerando becos que não permitiam a circulação e ainda acabavam servindo como depósitos clandestinos de lixo.


Este era o caso da Rua General João Manoel, no trecho de ligação entre a Rua Fernando Machado e a Duque de Caxias, que terminava em um barranco intransitável no antigo Morro da Formiga. Do arruamento original da Vila de Porto Alegre, a ladeira preocupava o município desde 1883, quando surgiu a proposta de urbanizar o trecho. Porém o alto custo inviabilizou o projeto de ser executado, “sendo feita, entretanto, a demarcação para evitar que se construa qualquer obra”. Em 1922, conforme relatório do Intendente José Montaury, foram plantados 20 jacarandás.
Em 1929, um local para apreciar a paisagem


A Rua Duque de Caxias era uma das mais elegantes da capital, onde se localizavam as residências das famílias mais abastadas da cidade, o Palácio Piratini e a Catedral Metropolitana. O beco localizado naquela área trazia imenso prejuízo ao saneamento e visual da região, como explicou Alberto Bins no Relatório de 1929:

“A zona compreendida entre o alto do morro e a rua Fernando Machado, aberta e abandonada, era receptáculo de clandestinos despejos de lixo e de juncções de toda a natureza, com grave danno a hygiene daquella zona.”

A solução foi criar um belvedere com escadaria, uma vez que o barranco exigia rampas com mais de 25% de inclinação O projeto, elaborado em 1928, ficou a cargo da Seção de Desenhos da Comissão de Obras Novas, chefiada por Christiano de La Paix Gelbert, que assina o projeto. O Plano de 1914 previa o alargamento da Rua Gal. João Manoel para 18 metros, mas no relatório apresentado pelo prefeito ele justifica que seria mais conveniente deixar a rua como era e alargar e prolongar a Travessa Araújo. Ele explica que essa ideia surgiu depois do projeto pronto, já que esta seria a solução mais econômica. Nem no projeto, nem no Relatório de Moreira Maciel existe citação sobre o prolongamento da Rua Gal. João Manoel até a Rua Fernando Machado, o que provavelmente foi uma melhoria proposta pela Comissão de Obras Novas.
Nos anos 60 a cidade crescia e a escadaria se deteriorava

O projeto da escadaria se divide em três partes, sendo o seu início na Rua Duque de Caxias formado por um lance de escadaria central, com largura de dois metros, ladeado por dois taludes de grama. O acesso à escadaria se dá por duas praças laterais, com uma balaustrada geométrica, na qual dois bancos permitiam que se contemplasse a vista da Orla do Guaíba, numabela paisagem que hoje é interceptada por altos edifícios e pelo aterro. O primeiro lance chega a um amplo patamar do qual a escada é dividida em dois lances mais estreitos, contornando um grande terraço de 36 metros quadrados e criando um pórtico em forma de arco conformado pelo desnível da escada. Nesta parte, a balaustrada é substituída por um corrimão de ferro, também com linhas retas, proporcionando uma visão mais ampla da paisagem que se descortina para quem circula.
Altos prédios vão escondendo a escadaria

A terceira parte é formada por mais três lances centrais com largura de dois metros interceptados por patamares “naturais”, sem calçamentos e com inclinção de 5% que, segundo Bins, eram cobertos com areia grossa. A mesma balaustrada fechada, que acompanha o último lance da escadaria, faz o fechamento na chegada à Rua Cel. Fernando Machado.

A obra foi executada pela firma de Theo Wiederspahn, que venceu a concorrência, tendo início em 28 de agosto de 1928 e fim em 3 de fevereiro de 1929. A tradicional família Chaves Barcellos custeou um terço da despesa total da obra, uma vez que eram donos de dez terrenos na Rua Fernando Machado, atingindo toda a extensão da rua, queriam murá-los e edificar no alinhamento.

A escadaria foi tombada pelo Município como Patrimônio Histórico, com a intenção de preservar a identidade do centro de Porto Alegre. Além da importância arquitetônica, o belvedere teve importante influência na vida da população de Porto Alegre, conforme Instrução de Tombamento da EPAHC:
“Ele proporcionou a artistas plásticos e poetas inspiração para seus trabalhos. Os moradores da redondeza e os transeuntes se detinham a admirar a paisagem, principalmente pelo belo pôr-do-sol do Guaíba.”

O crescimento da cidade influenciou o entorno da escadaria, que passou a abrigar edifícios altos, mudando completamente sua percepção. Nestes anos, muita história envolveu a escadaria. O Plano Diretor de 1959 previa a construção de um túnel que demoliria a obra, mas o projeto foi abandonado pela municipalidade devido a sua inviabilidade. Uma paineira que se localiza junto à escadaria, hoje entre dois edifícios, conseguiu sobreviver às mudanças após movimentos em prol desua preservação. Hoje, bastante escura e deteriorada por limo e pichações, pouco mostra de seu aspecto original que se criou na década de 30, mas resiste como parte de uma época na qual seu percurso estava ligado ao desfrute visual da paisagem.


Fonte: trabalho de Taísa Festugato, em setembro de 2012 – "A arquitetura de Christiano de La Paix Gelbert em Porto Alegre (1925 – 1953)" – Programa de Pesquisa e Pós-graduação em Arquitetura – PROPAR

Link para acessar ao trabalho completo da Taisa Festugato: 

17 novembro 2014

Foi retirada a postagem "A fraude no Pontal do Estaleiro"

O texto de autoria do jornalista Najar Tubino postado no site da EcoAgência e repostado em nosso Blog em 29 de janeiro de 2009, foi retirado de nosso Blog.
O motivo?
Segundo o e-mail recebido do Sr. Rui Pizzato, da BM PAR Empreendimentos, ele contém inverdades relacionadas ao leilão da área do antigo Estaleiro Só. Como o Sr. Najar Tubino não respondeu ao nosso pedido de esclarecimentos, nem se dignou a acusar o recebimento de nosso e-mail e também pelo fato da matéria não estar mais disponível no site da EcoAgência, julgamos que as colocações do Sr. Pizzato são plenamente aceitáveis. Tudo nos leva a crer que foram colocadas algumas inverdades no texto publicado em janeiro de 2009.
Repetindo o que postamos em 29 de outubro de 2014, julgamos fundamental a busca da verdade e o direito ao contraditório. Não apoiamos inverdades mesmo que venham ao encontro de nossas posições de não permitir construções na Orla do Guaíba.

(Cesar Cardia - administrador do Blog Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho)


Leia mais sobre o polêmico projeto "Pontal do Estaleiro":
Audiência pública rechaça Pontal do Estaleiro

A Polêmica da Orla do Guaíba

Três anos da vitória do NÃO ao Pontal

31 outubro 2014

Árvore é cortada para dar lugar a propaganda sobre preservação ambiental?

Peça de publicidade sobre o Dia da Árvore foi instalada no lugar da árvore derrubada em São José do Rio Preto, em São Paulo

Árvore é cortada para dar lugar a propaganda sobre preservação ambiental e gera polêmica
Peça de publicidade sobre o Dia da Árvore foi instalada no lugar da árvore derrubada em São José do Rio Preto, em São Paulo
por Renato Onofre - Jornal O Globo - 29/10/2014

SÃO PAULO — “Uma criança abraça uma árvore com o sorriso no rosto. No fundo verde, uma mensagem exalta a importância da preservação da natureza e lembra do Dia da Árvore”. O que seria um roteiro padrão para uma peça publicitária virou motivo de revolta e indignação em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. Isso porque a empresa de outdoor Interdoor derrubou uma árvore centenária em um terreno na Vila Aurora para a instalação de outdoor. Por coincidência, a primeira peça de publicidade instalada no local foi uma propaganda de um plano de saúde exaltando o Dia da Árvore.

A polêmica começou em julho com a derrubada da árvore no terreno localizado na Avenida Alberto Andaló. No local, já havia dois outdoors instalados. E com o corte da árvore, outros três foram instalados. Em uma das propagandas, uma cooperativa de saúde incentivava a preservação das árvores como forma de melhorar a saúde. A história foi parar na internet e ganhou repercussão internacional.

— Fiquei sem palavras diante de tamanha ironia e falta de bom senso — reclamou Carina Crisi Cavalheiro sobre a derrubada da árvore.

Nesta quarta-feira, o GLOBO tentou contato com a empresa responsável pelo outdoor. O atendente da Interdoor, que se identificou como Wagner, disse que só os proprietários poderiam falar sobre o assunto. Ao “Bom Dia Brasil”, da TV Globo, a empresa teria informado que tinha autorização da prefeitura e Polícia Ambiental para cortar a árvore. Sobre a propaganda, a empresa disse que foi “uma infeliz coincidência” já que não sabia o que iria ser anunciado.

Em nota, a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), ligada à Secretaria do Meio Ambiente do governo paulista, informou que não há nenhuma autorização em nome da Interdoor para o corte de árvore. Segundo o órgão, em nome dessa empresa, há uma autuação da Polícia Militar Ambiental, por corte de árvore, porém a Cetesb não confirma se é o mesmo endereço.

De acordo com a legislação municipal, a multa, segundo a Polícia Ambiental, varia entre R$ 100 a R$ 1.000 por árvore ou planta. Já a multa da prefeitura por erradicar árvores sem autorização é de R$ 247, 55.

Não é a primeira vez que a população de São José do Rio Preto se revolta com a derrubada de uma árvore. Há cinco meses, um grupo de moradores tentou impedir que um guapuruvu de mais de 80 anos e 30 metros de altura para dar lugar a construção de dois prédios. A mobilização levou o caso à justiça.

Link para a matéria: http://oglobo.globo.com/brasil/arvore-cortada-para-dar-lugar-propaganda-sobre-preservacao-ambiental-gera-polemica-14398152#ixzz3HisMRG00


29 outubro 2014

Ainda sobre o polêmico assunto "Pontal do Estaleiro"

Recebemos no dia 21 de outubro de 2014 um e-mail do Sr. Rui Pizzato, diretor da BM PAR Empreendimentos. No e-mail o Sr. Pizatto  afirma que no texto publicado pelo Blog em 29 de janeiro de 2009 o jornalista Najar Tubino cita inverdades.
No texto "A Fraude do Pontal do Estaleiro" foi colocado que o Sr. Blairo Maggi e/ou o Grupo Maggi como se tivessem participado do Leilão da área do antigo Estaleiro Só - na Ponta do Melo - e que o Grupo Maggi participaria da empresa BM PAR Empreendimentos Ltda. Na mensagem do Sr. Pizzato ele também diz que é inverdade que o Sr. Fischel Báril seja ou tenha sido diretor do Grupo Maggi.
Essa matéria foi publicada originalmente no site da EcoAgência e postado aqui no Blog Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho. Tentamos um contato com o jornalista Najar Tubino, mas não obtivemos resposta.
Como sempre julgamos fundamental a busca da verdade e o direito ao contraditório achamos que o Sr. Pizzato e a BM Par tem o direito de questionar a matéria escrita pelo jornalista Najar Tubino.

Eis a mensagem do Sr. Rui Carlos Pizzato na íntegra:

Prezados senhores

Segue abaixo e-mail enviado ao Sr. Najar Tubino.
Solicitamos que o blog Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho retire este artigo pelas razões expostas.
Aguardamos seu pronto retorno.

Atenciosamente,

Rui Calos Pizzato
BM Par Empreendimentos

Sr. Najar Tubino.
Mais uma vez dirigimo-nos ao senhor para que, atenta sua inequívoca responsabilidade,  adote providências objetivando erradicar um problema que ainda persiste, decorrente da publicação em vários blogs de um artigo de sua autoria veiculando uma série de inverdades sobre a arrematação da área antes pertencente ao Estaleiro Só S/A.
E isso ocorre porque, pela pesquisa de hoje, foi possível constatar que dito artigo ainda permanece vivo nas páginas dos blogs dos Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho, do Movimento Ambientalista Os Verdes dos Tapes e Porto Alegre Resiste.
Assim, pedimos que o senhor determine aos três blogs acima mencionados (bem como a outros que não conseguimos identificar) a imediata retirada do seu artigo por conter (como já afirmamos e o senhor sabe) uma série de inverdades. Pedimos também que o senhor não mais autorize a divulgação desse seu artigo em quaisquer outros blogs, sob pena de se sujeitar às conseqüências legais pertinentes.
E, novamente esclarecendo os fatos, abaixo reiteramos as razões principais que lhe impõem fazer com que cessem as inverídicas declarações veiculadas no seu censurável artigo.
·                    O terreno situado na Rua Padre Cacique nº 2.893, nesta Capital, foi arrematado por SVB Participações e Empreendimentos Ltda. em leilão promovido pelo Juizado da Vara de Falências e Concordatas, portanto depois de passar pelos crivos do Síndico da Massa Falida, do Ministério Público Estadual e do Judiciário, que concluiram pela inegável correção do certame licitatório por estarem atendidas todas as exigências legais, o que permite afirmar e assegurar que o negócio é totalmente legítimo.
·                    Considerando a plena observância dos requisitos legais, não houve oposição dos credores da Falida, das várias classes, nem dos trabalhadores credores da Massa, muitos dos quais presenciaram ao ato judicial do leilão e aplaudiram o lance vencedor, como forma de mitigar as suas agruras. E foi proferida decisão, hoje coberta pelos efeitos da coisa julgada, conferindo a carta de arrematação em favor de SVB Participações e Empreendimentos Ltda. que, no exercício regular de direito, transferiu o imóvel à BM-Par Empreendimentos Ltda.
·                    O Sr. Blairo Maggi e/ou o Grupo Maggi não teve qualquer participação, direta ou indireta, no leilão e não integra a sociedade BM-Par Empreendimentos Ltda. Tampouco o Sr. Fischel Báril é ou foi diretor do Grupo Maggi, cabendo, ainda, frisar que o tema relativo à edificação de prédios residenciais já está superado, inclusive tendo sido manifestado há bastante tempo nosso desinteresse de construir prédios residenciais no terreno.
·                    Concluindo, a condição de proprietária do terreno da BM-Par Empreendimentos Ltda. é inconteste e seus estatutos estão regularmente registrados na Junta Comercial, onde, antes de se lançar à aventura de produzir e veicular o artigo em tela, contendo afirmações inverídicas, o senhor poderia e deveria ter pesquisado e obtido cópia para evitar o desencadeamento de prejuízos.
Em vista do exposto e contando com seu retorno ao exercício do bom senso, reiteramos o pedido que lhe fizemos para que adote imediatas providências visando vedar e impedir a divulgação do deturpado e inverídico artigo de sua autoria.
Atenciosamente,
Rui Carlos Pizzato
BM Par Empreendimentos

01 outubro 2014

Pense bem, antes de votar!

Cuidado com "lobos em pele de carneiro"

Quem é realmente o candidato?
O que ele defendeu antes?
Como se comportou em questões fundamentais?
É daqueles que realmente tem palavra e assumem posições claramente ou é daquele tipo que só fica “enrolando” e foge na hora das decisões?
Qual a relação dele com os poderosos? Acovarda-se ou enfrenta as campanhas que a grande mídia impõe?

Por tudo isso este blog assume a citação de alguns políticos que destacaram-se nos apoios e lutas dos Movimentos e Associações de Moradores, Entidades Ambientalistas, dos direitos humanos e da cidadania.

Estes candidatos nós apoiamos! 
Pessoal, em época de eleições muitos se melindram em tomar partido, em demonstrar apoios a candidatos. Nós não!

Sabemos que devem existir políticos bons e políticos ruins em todos os partidos.
Sempre que mandamos e-mails próximo das eleições, significa que isso é fruto de contínua observação e fiscalização dos atos de políticos que já exercem mandato ou dos que pretendem disputar algum cargo eletivo.

Por favor, pensem bem em quem irão votar no dia 5 de outubro. Procurem informações sobre os candidatos. O que fizeram antes, quais as propostas que REALMENTE defendem. Precisamos eleger as pessoas certas, pessoas responsáveis, pessoas honestas, pessoas que não causem decepções nos próximos quatro anos.

Nós avaliamos estas pessoas que conhecemos - por seu trabalho na Câmara Municipal de Porto Alegre e em ações de apoios à cidadania - e que apoiam as causas que defendemos. Certamente outros poderiam estar nessa lista, mas estes, destacados abaixo, são pessoas que apoiaram nossas causas e que não podemos deixar de elogiar. Nem citamos seus partidos, pois eles são políticos que estão acima de partidos.

Sofia (à esquerda) participando de ato pela
preservação da Rua Gonçalo de Carvalho em 15/10/2005.
Sofia Cavedon é vereadora em Porto Alegre. Defensora da Educação e Cultura na Câmara, nunca deixou de apoiar as causas ambientais e da cidadania.
Foi a única pessoa que exercendo cargo eletivo (em 2005/2006) nos apoiou na Preservação da Rua Gonçalo de Carvalho, participando presencialmente em nossos atos de protestos e mobilizações, quando todos davam nossa causa como perdida. Éramos tão poucos que outros políticos achavam perda de tempo e também  risco de arranharem suas imagens públicas para defenderem árvores contra interesses econômicos tão poderosos que estávamos enfrentando.
Se atualmente a Rua Gonçalo de Carvalho é conhecida no exterior como a "Rua Mais Bonita do Mundo", a Sofia nos apoiou muito, quando muitos outros que poderiam apoiar não apoiaram, para que nossa vitória fosse alcançada!

Pedro Ruas nunca deixou de nos receber, mesmo quando
tinha algum tipo de discordância sobre os assuntos.
O advogado e vereador de Porto Alegre, Pedro Ruas, é um político de posições muito firmes, que tem defendido em nossa Câmara Municipal os direitos da população mais desassistida e tem sido um grande aliado das entidades formais e informais que lutam pela qualidade de vida e defesa da cidadania.​

Fernanda (à esquerda) antes mesmo de assumir
na Câmara Municipal já apoiando nossas causas.
Protestando contra o projeto imobiliário "Pontal do
Estaleiro", em 12/11/2008.
A jovem vereadora Fernanda Melchionna tem a garra da juventude e sempre está apoiando a população e trabalhadores. Mesmo antes de tomar posse na Câmara Municipal de Porto Alegre participou ativamente da luta de jovens e de ambientalistas contra o projeto imobiliário Pontal do Estaleiro, um condomínio residencial de luxo às margens do nosso Guaíba. Posteriormente aconteceu uma Consulta Pública com nossa vitória por mais de 80% dos votos.

Sofia Cavedon participando de ato em Defesa
da Orla do Guaíba com o "Movimento em Defesa da Orla"
no dia 25/01/2010.
Sempre que há luta em defesa de causas ambientais, podemos contar com a Sofia Cavedon.
Na Assembleia Legislativa não será diferente, temos absoluta certeza!

Essa manifestação de apoio aos que nos apoiam, foi definida pela maioria dos integrantes do núcleo que criou o Movimento Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho em 2005. Caso concordem com nossa opinião, peçam voto para eles também.

(Cesar Cardia - administrador do Blog)

01 junho 2014

5 de junho - dia Mundial do Meio Ambiente

5 de junho - dia Mundial do Meio Ambiente e da preservação da Rua Gonçalo de Carvalho
Foi num dia 5 de junho, em 2006, que conseguimos que a Rua Gonçalo de Carvalho fosse declarada Patrimônio Histórico, Cultural, Ecológico e Ambiental de Porto Alegre.

5 de junho de 2006 - Prefeito José Fogaça e Beto Moesch, secretário
do Meio Ambiente, assinam o decreto que preserva a Rua Gonçalo de Carvalho
Foto: PMPA
Foi o primeiro caso de uma via urbana ser declarada Patrimônio Ambiental de uma cidade, pelo que sabemos. Foi uma vitória da cidadania, não apenas de Porto Alegre mas também de nossos apoiadores no Brasil e de tantos lugares distantes ao redor do mundo, que conseguimos graças a essa fabulosa ferramenta de comunicação chamada internet.

Ato em 15/10/2005 pela preservação da Rua Gonçalo de Carvalho
Foto: Arquivo Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho

Em setembro de 2005 iniciou o movimento de resistência, pela preservação das árvores do Túnel Verde da Gonçalo de Carvalho. Muitos pensaram que o nosso objetivo era evitar a construção de uma sala sinfônica para a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, a OSPA, em área de um shopping vizinho. Errado!

Panfleto chamando para a segunda Audiência Pública, pois a primeira foi divulgada apenas
em um anúncio de jornal num sábado comunicando uma Audiência na segunda-feira.
Nenhum morador compareceu por não terem conhecimento da Audiência.
Na realidade foi a autorização para construir um grande edifício garagem (estacionamento de carros) no shopping vizinho, com a saída de todo o trânsito de veículos do shopping pela estreita e arborizada rua que motivou a campanha para defender a rua e suas árvores. Pretendiam posteriormente alargar a via com retirada de parte das árvores e ASFALTAR o leito da rua que é calçada com pedras. O calçamento de pedras da rua permite que a água da chuva penetre no solo e chegue até as raízes das árvores, asfaltar a rua causaria danos irreparáveis às árvores.

Mesmo tendo que enfrentar a prefeitura municipal, um tradicional grupo de mídia, o Shopping Center, uma poderosa indústria de óleos e um dos maiores símbolos de nossa cultura - a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre - decidimos resistir e pedir apoios no exterior por internet, pois éramos poucos.

Na segunda Audiência Pública, em 20/12/2005, moradores, ambientalistas e defensores
do direito do cidadão ser ouvido, dividiram espaço com os apoiadores da obra.
Muitos não conseguiram entrar no salão que estava lotado. Foto: Ricardo Stricher/PMPA
Muitos diziam concordar conosco, mas que era constrangedor ficar contra a OSPA e o edifício garagem estava no projeto da Sala Sinfônica. Outros diziam que enfrentar grupos tão poderosos, como a prefeitura, o tradicional grupo de mídia, uma indústria de óleos e um shopping center era perda de tempo, a derrota era certa. Nosso pedido de apoio na Câmara Municipal de Vereadores não foi ouvido, salvo por uma única vereadora.

Dias terríveis. Em 9 de janeiro de 2006 perdemos Haeni Ficht,
uma de nossas principais lideranças
Foram meses terríveis, praticamente todas as licenças já tinham sido concedidas pela prefeitura. A última, que autorizava a construção, foi emitida quando se realizava a missa em memória de nossa principal liderança, Haeni Ficht, falecido dias antes. Fomos chamados de "inimigos do progresso e da cultura", muitos de nós eram ameaçados e até insultados, como fez o então vice-prefeito Eliseu Santos. O Ministério Público já tinha atirado a toalha, dizia que nada mais poderia fazer, mas que fiscalizaria todas as possíveis irregularidades da construção.

Ataques do vice-prefeito: chama dois resistentes de "cornos"
Apesar de tudo nós resistimos, as reuniões aconteciam, as estratégias eram revisadas, novas ideias eram apresentadas. Desde outubro de 2005 criamos esse Blog e um endereço de e-mail para tentar alguma visibilidade ao que estava ocorrendo e, lógico, pedir apoios fora da cidade. No início de 2006 já recebíamos mensagens de apoios que perguntavam como poderiam auxiliar nossa luta e com o tempo isso foi aumentando, tanto do restante do Brasil como - para nossa surpresa - do exterior.

Atualmente a Rua Gonçalo de Carvalho é chamada no exterior como "a rua
mais bonita do mundo", pelas árvores e pela vitoriosa luta de seus defensores.
Até uma publicação da ONU destaca o exemplo da Gonçalo.
Felizmente vencemos, a rua foi a primeira via urbana tornada Patrimônio Ambiental de uma cidade na América Latina e foi chamada na Europa de "rua mais bonita do mundo", pela beleza de suas árvores e pela vitória de uns poucos cidadãos comuns que teimaram em resistir.

Pedido de apoios mandados por e-mail e também xerocados na copiadora da esquina.

Poster da Unep para o Dia Mundial do Meio Ambiente de 2014