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30 dezembro 2014

Estatutos do Homem - The statutes of man - Los Estatutos del Hombre


Estatutos do Homem (Ato Institucional Permanente)
Thiago de Mello (a Carlos Heitor Cony)
The statutes of man (a permanent act of law)
Thiago de Mello
Los Estatutos del Hombre
Thiago de Mello (Traducción de Pablo Neruda)

Marcha em defesa das árvores no entorno do Gasômetro em maio de 2013

Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade, agora vale a vida e de mãos dadas marcharemos todos pela vida verdadeira.

Article I
It is hereby decreedthat now what counts is truth,that now what count is lifeand that, hands joined,we will all work for what life really is.

Artículo 1
Queda decretado que ahora vale la vida, que ahora vale la verdad, y que de manos dadas trabajaremos todos por la vida verdadera.


Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive as terças-feiras mais cinzentas, têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Article II
It is hereby decreed that every weekday,even the grayest Tuesday,has the right to become a Sunday morning.

Artículo 2
Queda decretado que todos los días de la semana, inclusive los martes más grises, tienen derecho a convertirse en mañanas de domingo.

Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante, haverá girassóis em todas as janelas, que os girassóis terão direito a abrir-se dentro da sombra; e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro, abertas para o verde onde cresce a esperança.

Article III
It is hereby decreed that, from now on,there will be sunflowers on every windowsill,that sunflowers have the rightto blossom in the shade;and that windows will be open all day longto the green in which hope grows.

Artículo 3
Queda decretado que, a partir de este instante, habrá girasoles en todas las ventanas, que los girasoles tendrán derecho a abrirse dentro de la sombra; y que las ventanas deben permanecer el día entero abiertas para el verde donde crece la esperanza.

Crianças da antiga Vila Chocolatão - no centro de Porto Alegre - janeiro de 2008

Artigo IV
Fica decretado que o homem não precisará nunca mais duvidar do homem. Que o homem confiará no homem como a palmeira confia no vento, como o vento confia no ar, como o ar confia no campo azul do céu.

Article IV
It is hereby decreed that manwill never more doubt man.That man will trust manlike the palm tree trusts the wind,like the wind trusts the air,like the air trusts the blue field of the sky.

Artículo 4
Queda decretado que el hombre no precisará nunca más dudar del hombre. Que el hombre confiará en el hombre como la palmera confía en el viento, como el viento confía en el aire, como el aire confía en el campo azul del cielo.

Parágrafo único
O homem confiará no homem como um menino confia em outro menino.

Paragraph I
Man will trust manas one child trusts another.

Parágrafo:
El hombre confiará en el hombre como un niño confía en otro niño.

Protesto na Câmara Municipal quando da votação do Pontal do Estaleiro

Artigo V
Fica decretado que os homens estão livres do jugo da mentira. Nunca mais será preciso usar a couraça do silêncio nem a armadura de palavras. O homem se sentará à mesa com seu olhar limpo porque a verdade passará a ser servida antes da sobremesa.

Article V
It is hereby decreed that men are freeof the yoke of lies.No one will ever have to wearthe armor-plate of silence,the weapon of words.Man will sit at the tablewith a pristine eyefor he will be served truthbefore dessert.

Artículo 5
Queda decretado que los hombres están libres del yugo de la mentira. Nunca más será preciso usar la coraza del silencio ni la armadura de las palabras. El hombre se sentará a la mesa con la mirada limpia, porque la verdad pasará a ser servida antes del postre.

Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos, a prática sonhada pelo profeta Isaías, e o lobo e o cordeiro pastarão juntos e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Article VI
The practice dreamed of by Isaiah the prophetis, for ten centuries, hereby decreed:the wolf will pasture together with the lamb,and their food will taste as the spring of live.

Artículo 6
Queda establecido, que durante diez siglos, el lobo y el cordero pastarán juntos y la comida de ambos tendrá el mismo gusto de aurora. De acuerdo a lo soñado por el profeta Isaías.

Ativistas presos por tentarem impedir o corte de árvores em Porto Alegre. 295/2013

Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido o reinado permanente da justiça e da claridade, e a alegria será uma bandeira generosa para sempre desfraldada na alma do povo.

Article VII
The permanent reign of justice and clarityis, by irrevocable decree, hereby established,and happiness will be a generous flagforever waving in the people´s soul.

Artículo 7
Por decreto irrevocable queda establecido el reinado permanente de la justicia y de la claridad. Y la alegría será una bandera generosa para siempre enarbolada en el alma del pueblo.

Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor sempre foi e será sempre não poder dar-se amor a quem se ama e saber que é a água que dá à planta o milagre da flor.

Article VIII
It is hereby decreed that the worst painalways was and always will bethe inability to give love to a loved oneand knowing it is water gives the plantthe miracle of flowers.

Artículo 8
Queda decretado que el mayor dolor siempre fue y será siempre no poder dar amor a quien se ama, sabiendo que es el agua quien da a la planta el milagro de la flor.

Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia tenha no homem o sinal de seu suor. Mas que sobretudo tenha sempre o quente sabor da ternura.

Article IX
Our daily bread is hereby allowedto bear the trademark of man´s sweat.But, above all, it must always havethe warm taste of tenderness.

Artículo 9
Queda permitido que el pan de cada día tenga en el hombre la señal de su sudor. Pero, que sobre todo tenga siempre el caliente sabor de la ternura.

Primeiro ato público em defesa das árvores da Rua Gonçalo de Carvalho - 15/10/2005

Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa, qualquer hora da vida, uso do traje branco.

Article X
Every person is hereby allowed,at any time in life,to wear his Sunday best.

Artículo 10
Queda permitido a cualquier persona a cualquier hora de la vida el uso del traje blanco.

Artigo XI
Fica decretado, por definição, que o homem é um animal que ama e que por isso é belo, muito mais belo que a estrela da manhã.

Article XI
It is hereby decreed that man,by definition, is an animal that lovesand so is beautiful, more beautiful than any morning star.

Artículo 11
Queda decretado, por definición, que el hombre es un animal que ama, y que por eso es bello, mucho más bello que la estrella de la mañana.

Jovens sobem em árvore para impedir seu corte pela prefeitura em fevereiro de 2013

Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado nem proibido, tudo será permitido, inclusive brincar com os rinocerontes e caminhar pelas tardes com uma imensa begônia na lapela.

Article XII
Be it decreed that nothingwill be ordered or forbidden.All things will be permitted,including playing with a rhinocerosand walking in the afternoonwith an immerse begonia in the lapel.

Artículo 12
Decretase que nada estará obligado ni prohibido. Todo será permitido. Inclusive jugar con los rinocerontes, y caminar por las tardes con una inmensa begonia en la solapa.

Parágrafo único
Só uma coisa fica proibida: amar sem amor.

Paragraph I
Only one thing will be forbidden:to love and feel no love.

Parágrafo:
Sólo una cosa queda prohibida: amar sin amor.

Ato do MST pelo direito à terra e por alimentos sem venenos - 16/10/2013

Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro não poderá nunca mais comprar o sol das manhãs vindouras. Expulso do grande baú do medo, o dinheiro se transformará em uma espada fraternal para defender o direito de cantar e a festa do dia que chegou.

Article XIII
It is hereby decreed that moneywill no longer be able to buythe sun of dawns to come.Cast out of fear´s coffers,money will become, a fraternal swordwith which to defend the right to singand celebrate the day that´s come.

Artículo 13
Queda decretado que el dinero no podrá nunca más comprar el sol de las mañanas venideras. Expulsado del gran baúl del miedo, el dinero se transformará en una espada fraternal, para defender el derecho de cantar y la fiesta del día que llegó.

Polícia Militar prende ativistas acampados ao lado da Câmara Municipal
de Porto Alegre que impediam o corte de árvores - 29/5/2009

Artigo final
Fica proibido o uso da palavra liberdade, a qual será suprimida dos dicionários e do pântano enganoso das bocas. A partir deste instante a liberdade será algo vivo e transparente como um fogo ou um rio, e a sua morada será sempre o coração do homem.

Final article
The use of the word freedom is hereby prohibited,and will be struck from every dictionaryand from the deceptive mires of the mouth.Henceforthfreedom will be something living and transparentlike a fire or a river,like a grain of wheat,and its home will always bewithin the heart of man.

Artículo Final
Queda prohibido el uso de la palabra libertad, la cual será suprimida de los diccionarios y del pantano engañoso de las bocas. A partir de este instante, la libertad será algo vivo y transparente, como un fuego o un río, o como la semilla del trigo y su morada será siempre el corazón del hombre.

Thiago de Mello*
(Santiago do Chile, abril de 1964)

Traducción de Pablo Neruda

English translation by Robert Márquez & Trudy Pax

*Thiago de Mello é o nome literário de Amadeu Thiago de Mello, nascido a 30 de março de 1926, na pequenina cidade de Barreirinha, fincada à margem direita do Paraná do Ramos, braço mais comprido do Rio Amazonas, no meio do pedaço mais verde do planeta: a Amazônia.

Seu poema mais conhecido é Os Estatutos do Homem, onde o poeta chama a atenção do leitor para os valores simples da natureza humana. Seu livro Poesia Comprometida com a Minha e a Tua Vida rendeu-lhe, em 1975, ainda durante o regime militar, prêmio concedido pela Associação Paulista dos Críticos de Arte e tornou-o conhecido internacionalmente como um intelectual engajado na luta pelos Direitos Humanos.

19 junho 2013

17 de junho: muita gente no protesto em Porto Alegre


O início do conflito, quando os manifestantes se dirigiam para protestar na frente do grupo de comunicação RBS.
A ótima e isenta matéria do Sul 21 sobre o protesto em Porto Alegre:
Protesto em Porto Alegre tem multidão nas ruas e forte confronto com a polícia
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Iuri Müller, Samir Oliveira, Igor Natusch, Débora Fogliatto, Ramiro Furquim
Nesta segunda-feira (17), Porto Alegre viu passar pelas suas ruas uma das maiores manifestações dos últimos tempos. Estima-se que mais de dez mil pessoas foram às ruas para protestar contra o possível aumento da tarifa de ônibus, as restrições sociais geradas por megaeventos esportivos e contra a violência que marcou outras marchas em distintas capitais do Brasil. No entanto, quando adentrou a noite, o protesto se modificou tanto que mais parecia outra manifestação – outra vez, houve diversos confrontos com a Brigada Militar, ataques a prédios públicos e discrepâncias entre os próprios manifestantes.
A partir das 18 horas, centenas de pessoas se concentraram na Praça Montevidéu, em frente à Prefeitura Municipal. Diferentemente de outros dias, nesta segunda-feira os próprios cartazes mostravam que a caminhada seria distinta. As mensagens lembravam novas reivindicações, como a crítica aos episódios recentes de corrupção e a impunidade histórica que acreditam pairar sobre a classe política.  Um cartaz dizia “Não à PEC-37”, adesivos lembravam a CPI da Telefonia e uma faixa deixava uma pergunta retórica no ar: “1964, é você?”. Nos cânticos e nas mensagens, estava clara a referência – e a solidariedade – com os atos que tinham início, quase na mesma hora, em outras cidades do Brasil como Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte. Aqui ou ali, os militantes que se concentravam logo seriam milhares e, depois, dezenas de milhares.
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Para Marcelo, ativista que rumou à Praça Montevidéu no início da noite, “o movimento quer é mudanças profundas”. Ele dizia que o aumento nas tarifas do transporte público foi “apenas a gota d’água” de uma série de episódios de descaso com a população brasileira. As bandeiras nacionais, aliás, estiveram presentes durante o trajeto como nunca: assim como o hino do Rio Grande do Sul foi cantado com força em alguns momentos. Ana, outra militante que se juntava ao movimento, afirmou que a população estava encontrando “formas de mostrar um descontentamento coletivo”. A aglomeração multitudinária de pessoas em distintos lugares do Brasil mostraria, mais do que nada, “a insatisfação geral com todos os problemas que o país enfrenta há muito tempo”.
Os manifestantes deixaram as proximidades do Largo Glênio Peres e passaram a caminhar pelas ruas de Porto Alegre por volta das 19 horas. Com o rosto tapado, um manifestante lembra que não costuma sair assim nos atos, mas que achou necessário por conta das detenções recentes. Assim como ele, houve quem dissesse estar “marcado” pela Brigada Militar e buscaram formas de evitar outra detenção. Quando a passeata entrou na Avenida Salgado Filho, o grupo já era formado por milhares, e não parava de crescer. A manifestação era inteiramente pacífica e emocionava a muitos dos que viam de fora. A extensão do ato, no entanto, só foi compreendida na Avenida João Pessoa, quando todos passavam por uma mesma e visível rua: a multidão era maior do que na quinta-feira passada (13), e ultrapassava o número de dez mil pessoas.
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Porto Alegre viveu uma só marcha, mas houve momentos tão distintos que mais pareceram duas
Em muitas janelas, panos, bandeiras e toalhas brancas mostravam aos manifestantes que ali havia apoio – da mesma forma que pessoas abanavam dos prédios, aplaudiam nos carros e nas calçadas. Em um dos edifícios, uma faixa anunciava que os moradores haviam liberado a internet sem fio para os manifestantes, repetindo algo que aconteceu também na Turquia. O grito mais ouvido enquanto a marcha passava pela Avenida João Pessoa era: “o povo acordou!”. Para Gilberto, que não compartilhava da mesma faixa etária que a maioria dos presentes, o protesto foi um dos maiores das últimas décadas. “Acho que desde a época da ditadura, quando as pessoas também enchiam as ruas, eu não via uma passeata tão grande”, disse. Mesmo quando a marcha passou pelo mesmo cenário em que, no último protesto, houve confronto aberto entre manifestantes e a polícia militar, a caminhada parecia pacífica.
Foi no instante em que a manifestação optou por dobrar em direção à Avenida Ipiranga, no entanto, que as situações se transformaram. A parte dianteira do grupo se aproximava da sede do Grupo RBS, na esquina com a Avenida Érico Veríssimo, quando se ouviram os primeiros disparos e bombas da noite. A Brigada Militar havia entrado em confronto com os manifestantes pela primeira vez, conflito que se repetiria em vários momentos e lugares no decorrer da manifestação. A imensa maioria dos manifestantes parou de caminhar imediatamente. No outro lado da avenida, uma concessionária de motos foi atacada e houve quem corresse para dentro do local. Minutos depois, bombas e rojões atravessavam o Arroio Dilúvio: o cenário havia mudado completamente, e o enfrentamento permaneceria vigente por mais de uma hora nas proximidades entre a Ipiranga e a Azenha.
Manifestantes que encabeçavam a marcha recuaram com o passar do tempo, muitos buscando água para aliviar os efeitos das bombas de gás lacrimogêneo que foram jogadas aos montes. Enquanto recuavam, alguns gritavam “sem violência!” e “a luta não se reprime, protesto não é crime!”. A reportagem do Sul21 presenciou casos em que os ativistas tiveram que ser levados para casas próximas a fim de receber auxílio, e até ambulâncias do Samu tiveram que resgatar pessoas na multidão. Na medida em que a onda de gás lacrimogêneo – constantemente alimentada por novas bombas – crescia pela região, os manifestantes recuavam pela Avenida João Pessoa. Por trás da cortina branca de fumaça, a batalha entre alguns ativistas e a polícia se mantinha com força: balas de borracha eram disparadas sem parar, e as pessoas que corriam tentavam entender a dimensão do conflito.
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Protesto termina em confronto aberto e perseguição pelas ruas do Centro
Quando a permanência na Avenida João Pessoa se tornou inviável em função do gás e dos tiros, a marcha se dirigiu para a Cidade Baixa e, consequentemente, se fragmentou. Neste momento, havia o temor de que a polícia bloqueasse os acessos e cercasse os manifestantes, como no protesto da última quinta-feira. De tempos em tempos, mais pessoas deixavam o principal foco de confronto e caminhavam para o Largo Zumbi dos Palmares, junto à Perimetral. Um grupo de manifestantes permanecia resistindo às investidas da Brigada Militar, que buscava desocupar a via, mas em algum momento foi necessário correr em retirada. No caminho, contêineres de lixos foram queimados, outros vidros racharam e um ônibus foi incendiado. Uma longa e dispersa perseguição teve início.
Entre os militantes que já haviam alcançado a Cidade Baixa, difundiu-se a ideia de retornar à Avenida João Pessoa. O grupo permaneceu parado na Perimetral durante cerca de dez minutos, e em seguida praticamente todos aderiram ao chamado de voltar. Enquanto isso, outra parte do grupo retornava pela Rua Lima e Silva e teve de se refugiar em bares para evitar os efeitos da perseguição. A Brigada Militar, pouco a pouco, tentava diminuir o espaço e estar a poucos metros da manifestação. A violência observada nas vias já mencionadas deixou consequências: 38 manifestantes foram detidos e cinco ficaram feridos.
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Parte da multidão voltou a se concentrar e, por volta das 23 horas, cruzou a Avenida Borges de Medeiros, por baixo do viaduto. Houve quem derrubasse as luminárias que contornam a passagem, impondo riscos aos demais manifestantes: as esferas caíram sobre a multidão que caminhava logo abaixo. Naquele local, um carro de uma empresa de segurança ficou trancado em meio aos ativistas e o motorista foi ameaçado pelos manifestantes. Numa ação perigosa, o veículo abandonou o local em marcha ré e por pouco não atropelou com gravidade um ciclista. Pouco antes, ainda na Perimetral, a motorista de um táxi que rompeu o bloqueio do protesto viveu momentos de terror psicológico. Foi cercada por um reduzido grupo que a insultou e tentou furar os pneus do carro.
No final da noite, quase início da madrugada, o palco dos confrontos foi o Centro de Porto Alegre. A cavalaria da Brigada Militar, com sabres em punho, passou correndo pela Duque de Caxias, enquanto manifestantes tentavam alcançar o Palácio Piratini e a Assembleia Legislativa. Prédios da Praça da Matriz, como o Theatro São Pedro e o Palácio da Justiça, tiveram os vidros quebrados, mas o grupo não chegou aos locais pretendidos. A partir daí, a polícia bloqueou ruas centrais e abordou manifestantes que passavam com mochilas, ao passo em que os bombeiros circulavam para apagar o fogo de contêineres. Durante parte da noite, Porto Alegre teve o serviço de ônibus suspenso em função dos acontecimentos.
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Tarso Genro: “temos que transformar o momento em algo favorável”
Em entrevista coletiva concedida no final da noite de segunda-feira (17), o governador gaúcho Tarso Genro disse respeitar as manifestações ocorridas em Porto Alegre e em outras cidades do Brasil, as quais atribui a um sentimento de insatisfação popular com as instituições políticas. “É preciso analisar bem a situação, chamar as pessoas para que continuem se manifestando, mas faço um apelo ao movimento para evitar atos violencia”, afirmou o governador, acrescentando que “ainda está monitorando” os acontecimentos. “É um momento que requer muita ponderação”, descreveu Tarso.
Segundo ele, os acontecimentos violentos na noite de Porto Alegre são obra “de uma parte restrita” dos manifestantes, que acaba prejudicando a compreensão do restante da população quanto aos objetivos do movimento. Tarso afirma que a BM interveio quando “as depredações se dirigiam para ameaça de integridade física” e que a barreira policial foi necessária para evitar que o confronto “descambasse para violência generalizada”.
De acordo com ele, a orientação era para que a Brigada Militar “usasse de toda ponderação” quanto aos protestos. “O que chegou a mim é que foi cumprido. Mas se constatarmos que houve ato inadequado, vamos responsabilizar”, garantiu. “Temos a Corregedoria, a própria estrutura de segurança pública, e faremos uso dessas estruturas para apurar excessos”.
Ainda segundo Tarso, é possível “transformar o momento desfavorável em algo favorável”, a partir de uma mudança política nacional. “Temos que aproveitar esse acontecimento para uma profunda reforma das instituições e dos partidos políticos”, defendeu. “Há depredações em toda parte (do Brasil). Esperamos que os parlamentos dê respostas a essa juventude, promovendo a reforma de um sistema que está marginalizando milhares e milhares”, concluiu.
Veja mais fotos do ato desta segunda-feira:
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
| Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Fonte: http://www.sul21.com.br/jornal/2013/06/protesto-em-porto-alegre-tem-multidao-nas-ruas-e-forte-confronto-com-a-policia/



Mais fotos da manifestação:

Povo se reunindo em frente da prefeitura - Foto: Cesar Cardia
Bandeiras de partidos eram vaiadas - Foto: Cesar Cardia

Não era apenas um protesto de jovens - Foto: Cesar Cardia

"Uma cidade para pessoas, não para carros"- Foto: Cesar Cardia

Cavalaria e Tropa de Choque sempre acompanhando a Marcha - Foto: Cesar Cardia

Inicia a Marcha, tomando a Av. Borges de Medeiros - Foto: Cesar Cardia

Muitos aplausos e acenos vinham dos prédios - Foto: Cesar Cardia

"Não existe escudo grande o suficiente para cobrir a VERGONHA de
machucar inocente", está escrito no cartaz - Foto: Cesar Cardia

Na concentração do Ato de Protesto no dia 17 de junho em Porto Alegre, manifestantes cantam o Hino Rio-grandense em frente da prefeitura municipal. (vídeo feito por ZH).