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05 agosto 2015

70 anos da destruição de Hiroshima e Nagasaki

Nuvem atômica sobre a cidade de Nagasaki

Nos dias 6 e 9 de agosto de 1945 as duas cidades japonesas foram vítimas de bombardeios atômicos.

Em Hiroshima foi jogada a bomba atômica “Little Boy” e, três dias depois, a bomba “Fat Man” em Nagasaki. Até hoje, as duas bombas foram as únicas armas nucleares utilizadas de fato numa guerra. Estima-se que cerca de 140.000 pessoas morreram em Hiroshima e 80.000 em Nagasaki, além das mortes ocorridas posteriormente aos ataques em decorrência da exposição radioativa.

Hiroshima destruída após o bombardeio em 6 de agosto de 1945
 
A imensa maioria dos mortos era composta por civis, mulheres, idosos e crianças, pessoas que não estavam combatendo na guerra.

Hiroshima - fotógrafo japonês desconhecido

Hiroshima - fotógrafo japonês desconhecido

Sobreviventes da bomba de Hiroshima pedem atendimento
a dois quilômetros do epicentro, pouco após a explosão - Matsushige Yoshito
 
Ruínas de templo budista em Nagasaki - 24/9/1945 - Lynn P. Walker, Jr.

Vítima do bombardeio atômico em Nagasaki - agosto de 1945

Sobreviventes do bombardeio atômico - Matsushige Yoshito
Desde 1944 o Japão era atacado com bombas incendiárias.
Tóquio, 1945 - Ishikawa Kouyou
 

Existe História?

Existe memória?

Hiroshima 1945
 

No documentário abaixo sobre a destruição de Hiroshima e Nagasaki perguntam a jovens japoneses se sabiam o que teria acontecido em 6 de agosto de 1945. Uma garota responde que não sabe, pois não é muito boa em História...


11 janeiro 2015

Biocidas “matam vidas”

11 de janeiro -
Dia do Controle da Poluição por Agrotóxicos

Biocidas “matam vidas” 

Precisamos nos certificar se a nossa ação é sustentável, isto é, se não implica demolição dos suportes da Vida no planeta, e se está orientada para a justiça social, se não pisa muita gente. Eu não gostaria de ver a humanidade desaparecer, e dentro da humanidade eu gostaria de ver mais equilíbrio. Eu não posso considerar progresso aquilo que não prevê a manutenção da integridade da Vida e o aumento da soma da felicidade humana. (LUTZENBERGER).

Aquilo que as indústrias transnacionais do setor dos venenos agrícolas e o agronegócio chamam eufemisticamente de “defensivos agrícolas” são nada menos do que armas químicas.

“O Brasil continua sendo o maior consumidor de venenos agrícolas do mundo. Infelizmente, cada habitante consome hoje mais de cinco litros por ano desses produtos. Se fosse consumido em um único dia, estávamos todos mortos”. Cerca de 1 bilhão de litros são utilizados anualmente nas lavouras brasileiras, o que representa mais de cinco litros de venenos agrícolas por habitante ao ano. Muitos destes venenos como herbicidas, fungicidas, inseticidas estão proibidos em quase todo mundo pelo risco que representam à saúde pública. O perigo ameaça todos trabalhadores, que manipulam os venenos, bem como todos os cidadãos que consomem os produtos agrícolas.

“No Brasil o consumo de venenos agrícolas não é apenas em excesso, como também existem os proibidos, os desconhecidos, o que pode indicar contrabando”.

“Se já não obedeciam à antiga legislação, imaginem agora. Vivenciamos pulverizações até nos quintais das residências, nos quintais das escolas, nos passeios e vias públicas, nas periferias das cidades”.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que ocorram no mundo cerca de três milhões de intoxicações agudas por agrotóxicos com 220 mil mortes por ano. Dessas, cerca de 70% ocorrem em países do chamado Terceiro Mundo. Além da intoxicação de trabalhadores que tem contato direto ou indireto com esses produtos, a contaminação de alimentos tem levado ao grande número de intoxicações, há mortes dos consumidores mundiais e, muitas vezes, requisitos básicos de segurança para a aplicação, armazenamento e a disposição final dos mesmos não são cumpridos. Diante disso os serviços de informações toxicológicas notificaram ao Ministério da Saúde 193 casos de intoxicação por pesticidas agrícolas, domésticos e raticidas, em 1993.

Constitui-se esse, portanto, um grave problema de saúde pública, demandando intervenção em diversas esferas, inclusive a implantação de um sistema de vigilância da saúde de populações expostas a venenos agrícolas.

Como não dispomos de dados que reflitam a realidade do número de intoxicações e mortes por venenos agrícolas, porém é fácil supor que o tamanho do problema não é pequeno, sendo um dos maiores.

Os biocidas são os principais poluentes do modelo agrícola industrial. Por seu vasto espectro deletério, os venenos organossintéticos não se limitam a um determinado local, apesar de serem aplicados numa área, translocam-se por vários caminhos. A translocação das substâncias tóxicas pode se realizar por meio biológico, pelos processos químicos e físicos, através da atmosfera, do solo, das águas subterrâneas e superficiais.

O uso de venenos agrícolas não pode ser entendido como um problema exclusivamente do meio rural, pois a irradiação desses produtos tóxicos, no meio urbano, é em decorrência do crescente uso nas lavouras, como também, da expansão das áreas de cultivo e áreas urbanas, com sua consequente aproximação de ambas. Por consequência disso, as substâncias chegam muito facilmente à cidade, contidas nos alimentos, nas fontes de água de abastecimento público, ou presentes no ar.

Algumas causas podem ser apontadas para explicar esse alto consumo de biocidas, tais como: imediatismo financeiro, ignorância dos efeitos tóxicos nos animais e no Homem e, mesmo, inconsequência.

Aos agricultores cabe ressaltar o papel de utilizador deste conjunto de produtos e técnicas, muitas vezes sem a real noção do perigo que enfrenta todos os dias. São também vítimas de um modelo que perpetua dependência, no campo financeiro e econômico, pelos financiamentos, pela necessidade de alta produtividade, pelos passivos sociais e ambientais que cabem aos agricultores e a sociedade administrar.

A dimensão têmporo-espacial do uso de biocidas é muito mais complexa do que parece, porque possui diversas interações que se ligam a aspectos políticos, econômicos, sociais, culturais e ambientais. Para entender esta detalhada trama é necessários outros trabalhos científicos que possam aprofundar a compreensão num determinado seguimento e encaixá-los no todo.

A contaminação humana e dos recursos naturais, pelo uso indevido e até excessivo de biocidas, constitui grave problema de saúde pública, podendo levar a intoxicações e óbitos dos seres humanos, causados pela falta de conhecimentos, de cuidados preventivos e manejo agrícola inadequado.

A realidade da aplicação indiscriminada dos venenos agrícolas no meio agrícola. Apesar de a demanda por produtos mais saudáveis estar crescendo, a população ainda está pouco informado sobre essas questões, na medida em que o alimento de boa aparência causa impressão de ser mais saudável.

Urge a necessidade de quebrarmos esse paradigma da aparência do alimento, sob pena de o preço por esse consumo desenfreado e insustentável ser altamente prejudicial para as atuais e futuras gerações.

Os custos ambientais gerados pela utilização indiscriminada de veneos agrícolas, ou seja, pela “política de alimento barato” ou “política do alimento em massa”, podem ser caracterizados pela contaminação dos corpos de água, do solo e do ar, pela perda da biodiversidade e de solos agricultáveis por salinização, acidificação ou erosão e pela redução da qualidade de vida da população.

Estudos muito bem fundamentados continuam comprovando o avanço dos casos de câncer nas mais diversas faixas etárias, resultado do uso de agroquímicos. Os números crescem, sobretudo entre agricultores e populações rurais em localidades onde há um alto índice de aplicação dos venenos.

No dia 21 de março de 2011, pesquisa denunciou a contaminação do leite materno por agrotóxicos usados em plantações no município de Lucas do Rio Verde, a 350 km de Cuiabá (MT). As amostras foram colhidas de 62 mulheres atendidas pelo programa de saúde da família do município. Em 100% das amostras foi encontrado pelo menos um tipo de veneno agrícola e em 85% dos casos foram encontrados entre dois e seis tipos. A substância com maior incidência é conhecida como DDE, um derivado de outro veneno agrícola, DDT, proibido pelo Governo Federal em 1998 por provocar infertilidade no homem e abortos espontâneos nas mulheres.

Sabemos que ao nos alimentarmos estamos nutrindo não apenas o nosso corpo, mas também os sentidos, o espírito, a mente, a nossa alma. Ao prepararmos nossa alimentação, com certeza são necessários vários ingredientes, como história, cultura, poesia, amor, sentimento, que vão muito além do sal e da pimenta.

A alimentação natural e ecológica faz parte da nova visão de mundo, estabelecendo novas relações, dando à vida o seu significado verdadeiro, que é a própria natureza e a alimentação.

Vivemos a cultura de supermercado, onde tudo está a nossa disposição. Consumimos alimentos industrializados e frutas que não são da época, produzidas de maneira forçada, com grande quantidade de insumos químicos e venenos agrícolas.

Hipócrates, dizia “somos o que comemos”. Nosso corpo não deixa de ser uma máquina, muito delicada por sinal, e para funcionar precisa de um bom combustível. Que tipo de alimento está consumindo? Quais as doenças que estamos desenvolvendo?
A ética como tônica no combate aos venenos agrícolas

Mas comida sustentável, além da saúde, estamos tratando de outros diversos temas relacionados à cozinha, como o cuidado com o meio ambiente, o compromisso com a produção local e regional, a consciência ecológica, o consumo de hortaliças e frutas da época e ecológicos. Assim o sistema alimentar ideal seria semelhante ao de nossos avós e bisavós, quanto mais natural melhor, o nosso cardápio diário deveria ser composto de pelo menos 60% de alimentos crus e 40% de alimentos cozidos.

Que tipo de influência e impacto tem sobre o ambiente em que vivemos o alimento que nós consumimos? Como ele é preparado? Como ele é produzido? Internamente, no corpo, o alimento tem uma influência direta nas células vivas, que vivem em perfeita harmonia, quando permitimos; externamente é a nossa casa, o bairro, a cidade, o planeta. Por isso qualquer mudança alimentar que seja feita, dando a devida atenção no que estamos ingerindo, irá trazer muitos benefícios, assim ao cuidar de você, da sua alimentação, automaticamente, estará cuidando do planeta.

Independente de sermos consumidores ou agricultores, todos precisamos de sistemas produtivos sustentáveis, valorizando a sabedoria e as culturas locais, em especial os hábitos alimentares, garantindo a segurança alimentar, gerando renda e um novo olhar sobre o sistema de produção e a vida.

O agronegócio, as transnacionais, as monoculturas, a degradação ambiental em função da busca incessante pelo lucro e pelo acúmulo de riquezas, a prioridade dada às exportações em detrimento da alimentação do povo brasileiro, os transgênicos e o latifúndio, todas essas ameaças e fatores têm avançado bastante na sociedade brasileira nos últimos anos.

Leonardo Boff, na sua sabedoria, nos adverte: “ocorre que a Terra não aguenta mais este tipo de guerra total contra ela. Ela precisa de um ano e meio para repor o que lhe arrancamos durante um ano. O aquecimento global é a febre que denuncia estar doente e gravemente doente”.

São evidentes os sinais da insustentabilidade ecológica do modelo civilizacional pautado no domínio da natureza pelo homem, e sejam adotadas diversas medidas de ordem política e jurídica no intuito de promover uma adequação do exercício das liberdades humanas aos limites da natureza sem prejudicar a continuidade do processo vital, os resultados têm sido pífios.

A insustentabilidade está posta, traduz-se na monocultura da mente que a humanidade vem eficientemente estabelecendo nos últimos séculos. Trata-se do limite intransponível do que se compreende por humano.

A ética acompanha o homem desde os primórdios da civilização, e vem moldando-se com a história da humanidade. Conceber, racional e emocionalmente, finalidades para o agir humanas, a partir de um quadro de incerteza e de uma crise ambiental sem precedentes, que expõe as fragilidades do conhecimento humano e de sua capacidade de interagir ecologicamente, é um desafio que compete à economia, à sociologia, ao direito, mas, sobretudo, à ética.

A ética promove uma reflexão sobre a escolha dos valores da sociedade. É a partir dos valores exsurgentes com a crise ecológica que vive a sociedade de risco, que os danos próprios dessa sociedade, como os danos ambientais, podem vir a serem evitados. Valores como dignidade, justiça, democracia, são valores cujos fundamentos a nova ética deve conformar. Que justiça é pertinente à sociedade pós-moderna, ela implica pensar no futuro? Que compromisso essa compreensão de justiça coloca para os homens do nosso tempo? Reflexões dessa ordem servirão para nortear o futuro da humanidade e, eventualmente, afastá-la das contundentes ameaças que a acompanham neste século. A ética ecológica é, sobretudo, e independentemente das concepções antropocêntricas ou biocêntricas, a ética que tem por finalidade a preservação da Vida.


A ética se relaciona com os venenos agrícolas na medida em que o uso destes gera uma série de implicações nos seres humanos e na natureza. Os venenos agrícolas liberados no ambiente podem causar uma larga escala de efeitos ecológicos e na saúde humana. Vários são carcinógenos comprovados ou suspeitos e podem ter efeitos tóxicos em seres humanos e em espécies aquáticas. Os efeitos na saúde provocados pela exposição crônica, em longo prazo ou a nível baixo de concentrações traço dos agrotóxicos são desconhecidos. Outros interesses incluem efeitos sinergísticos de agrotóxicos múltiplos e também os processos de bioacumulação, bioconcentração e biomagnificação que envolvem a acumulação de substâncias químicas por organismos através da cadeia alimentar.

A responsabilidade ética para com as gerações presentes e futuras, com a qualidade de vida que só se concretiza com a preservação do equilíbrio ecológico, é o cerne da ética. A ética da responsabilidade compreende a cumulatividade das ações humanas e tem a preocupação em resguardar a humanidade dos efeitos cumulativos da tecnologia. Sua proposta requer ação coletiva e tem um apelo a uma cidadania planetária, na medida em que deve estar presente na prática cotidiana de cada indivíduo e nas políticas públicas promovidas pelo Estado, bem como na das organizações supranacionais.

Toda essa mudança de paradigma permite que a humanidade deixe de ser compreendida como portadora de uma condição especialmente deslocada e superior à natureza. Ao contrário, passa a integrá-la e a tornar-se responsável por mantê-la viva, porque dessa nova ótica é possível entender que o homem está irmanado a ela e que a sua própria existência e a de seus descendentes são interdependentes.

É por meio do conhecimento ecologicamente pertinente, da ética consequente e da recuperação do político, que em meio à aparente desconstrução, podem surgir novos sentidos, que não se confundem com as antigas verdades, mas estimulam a solidariedade e a responsabilidade pela Vida.

Infelizmente não há meio termo nesse setor. É impossível garantir a qualidade, a segurança e o volume da produção de alimentos dentro desse modelo degradante. Não há como incentivar o uso correto de venenos agrícolas. Isso não é viável em um país tropical como o Brasil, em que o calor faz roupas e equipamentos de segurança, necessários para as aplicações, virarem uma tortura para os trabalhadores.

A ética ecológica ou ambiental está longe de ser estéril, perdida nas nuvens, metafísico; pelo contrário, ela destina-se a tirar conclusões práticas como a criação de políticas de proteção ao meio ambiente, de solução do conflito entre o homem e a natureza; não é fácil que o homem aceite que a natureza também tem valor intrínseco e que esse já não é um privilégio a ele reservado.

Há que buscar solução na transição agroecológica, ou seja, na gradual e crescente mudança do sistema atual para um novo modelo baseado no cultivo orgânico, mantendo o equilíbrio do solo e a biodiversidade, redistribuindo a terra em propriedades menores.

Assim facilita a rotatividade e o consórcio de culturas, o controle natural às pragas e o resgate das relações entre os seres humanos e a natureza, valorizando o clima e as espécies locais.

Existem muitas experiências bem sucedidas no mundo e no Brasil, que comprovam a viabilidade desse modelo. Até em assentamentos da reforma agrária há exemplos de como promover a qualidade de vida, a justiça social e o desenvolvimento sustentável.

“A agroecologia não é apenas um sistema de produção agrícola, mas também um ato político contra a agricultura predatória e contra as condições de trabalho injustas para o agricultor. Além disso, ajuda na melhoria da qualidade de vida, permitindo tanto ao agricultor quanto ao consumidor não terem contato com agroquímicos. Enfim, mais que uma série de práticas, a agroecologia é uma filosofia de vida”.

A lógica de combater às pragas, insetos, ervas daninhas, pestes implica no principio de que se há de matar o inimigo e, por isso, inseticidas, herbicidas, pesticidas, praguicidas entre outros venenos agrícolas matam, não só o inimigo, mas, também, pessoas, plantas, peixes e outros animais.

A educação agroambiental deve ser uma forma de “regenerar” a mão de obra do campo, tanto no que diz respeito aos efeitos negativos da escravidão, quanto ao desejo de autonomia gerado pela imensa fronteira agrícola. Por isso mesmo, à medida que a campanha abolicionista avança, vão surgindo propostas de ensino agrícola.

A questão é a maneira de viver daqui em diante sobre o planeta, no contexto da aceleração das mutações técnico-científicas e do considerável crescimento demográfico. Em função do contínuo desenvolvimento do trabalho maquínico, redobrado pela revolução informática, as forças produtivas vão tornar disponível uma quantidade cada vez maior do tempo de atividade humana potencial. Mas com que finalidade? A do desemprego, da marginalidade opressiva, da solidão, da ociosidade, da angústia, da neurose, ou da cultura, da criação, da pesquisa, da reinvenção do meio ambiente, do enriquecimento dos modos de vida e de sensibilidade?

Finalmente, devemos lembrar que, antigamente, a Agroecologia era uma prática sagrada. Era ligada ao culto da natureza, vista como divina. Hoje, redescobrimos na Terra, na Água e em todo ser vivo, um sinal da presença do mistério amoroso que envolve o universo. O amor que faz do universo uma comunidade de vida. Que se denomine Deus ou não, esta energia amorosa nos chama a cada um de nós a sermos nós mesmos sementes e mudas fecundas desta amorização do planeta. Cada vez mais as pessoas que seguem algum caminho religioso sabem que a religião só vale a pena se ajudar a humanidade a viver este processo de amorização.

“O grande problema do setor é realmente o déficit de informações, as quais precisam chegar à população, principalmente a quem manipula esses venenos agrícolas”.

Assim não podemos continuar a envenenar cada vez mais o nosso belo Planeta e a nós mesmos. Devemos repudiar a flexibilização no sistema de saúde e meio ambiente no processo de avaliação e autorização de venenos agrícolas.


Texto recebido de Julio Cesar Rech Anhaia - Engº Agrº - Alegrete – RS  - 11/01/2014

22 dezembro 2014

26 anos do assassinato de Chico Mendes



70 ANOS DO CHICO - 26 ANOS DE SEU ASSASSINATO
 
Chico Mendes completaria, no dia 15 de dezembro, 70 anos. Impossível não se lembrar desta data com saudades do Chico, mas também com gratidão por tudo que o Chico deixou para todos nós e para a floresta que ele tanto defendeu.



Hoje, dia 22 de dezembro, há 26 anos atrás, na boca da noite, um tiro no peito tirou a vida de Chico Mendes, líder seringueiro que mostrou ao mundo inteiro o drama que se desenrolava na floresta.

Mas, seu sacrifício não foi em vão. Sua obra, seus ideais e seu legado estão vivos em todos que lutam em defesa da floresta e de seus povos tradicionais.

Como homenagem a essa data tão importante compartilhamos o depoimento de Raimundo Barros, primo e companheiro de luta de Chico, gravado no projeto “Um dia em que a terra parou”, do Silvio Margarido.

É um depoimento breve mas emocionante. Vale a pena assistir e refletir sobre a luta desse homem extraordinário para o Acre, o Brasil e o mundo.

 
Obrigado Chico Mendes!


(do perfil de Jorge Viana - senador do Acre - no Facebook)



Leia mais sobre Chico Mendes:
23 anos sem Chico Mendes

25 anos do assassinato de Chico Mendes 

20 anos da morte de Chico Mendes

22 de dezembro de 1988 - o assassinato de Chico Mendes

21 maio 2014

Quantas Copas (de árvores) por uma copa (de futebol)?

No The Guardian, Reino Unido:

Crime Scene in Porto Alegre
On the morning of February 6, 2013, the eve of the carnival - when many retire from the city to the beaches - Prefecture teams arrived with their chainsaws and started cutting trees without informing the press, the residents or the city council. Hearing the noise of chainsaws youth tried to prevent the cutting of some trees and climbing them and prompting environmentalists press. The population was able to prevent the cutting of more trees and a Motion was created specifically to address this issue, the group " How many cups ( trees) by a canopy ( football)?"

How many Treetops for one World Cup Soccer?

28 março 2014

DAMOCRACY - hidreletrecidade é uma energia limpa?


Realizado durante o ano de 2012, o filme Damocracy mostra a realidade e as lutas dos atingidos pelas hidrelétricas de Belo Monte, no Brasil, e de Ilisu, na Turquia, e desconstrói o mito de que a hidreletrecidade é uma energia limpa.

Assim como Belo Monte, a história do barramento do rio Tigre na região de Ilisu data da década de 1980, quando o governo turco iniciou o projeto da hidrelétrica, com capacidade projetada de 1.200 megawatts. Desde então, da mesma forma que Belo Monte, a usina é foco de uma intensa batalha judicial em função dos seus enormes impactos, principalmente a inundação e destruição de um dos maiores tesouros arqueológicos do mundo: a vila de Hasankeyf.

Dirigido pelo premiado documentarista canadense Todd Southgate, narrado em português pela atriz Letícia Sabatella e produzido pela organização turca Doga Denergi, com apoio das ONGs International Rivers e Amazon Watch e do Movimento Xingu Vivo para Sempre, o filme traça paralelos sobre os impactos dos dois projetos nas populações locais e o meio ambiente, colocando em cheque o discurso que aponta a hidreletrcidade como fonte de energia limpa.



DAMOCRACY: A documentary that debunks the myth of large-scale dams as clean energy and a solution to climate change. It records the priceless cultural and natural heritage the world would lose in the Amazon and Mesopotamia if two planned large-scale dams are built, Belo Monte dam in Brazil, and Ilisu dam in Turkey. DAMOCRACY is a story of resistance by the thousands of people who will be displaced, and a call to world to support their struggle. 



More info at http://www.damocracy.org



06 fevereiro 2014

Não é para comemorar

É para nunca esquecer!


No Jornal do Comércio de hoje:

Ato celebra resistência a corte de árvores no entorno do Gasômetro

Fernanda Bastos

Movimentos sociais e ambientalistas fazem hoje um ato alusivo ao início do movimento que tentava impedir a retirada de árvores do entorno da Usina do Gasômetro em Porto Alegre. Organizado pelos ativistas do Quantas Copas Por Uma Copa, do Largo Vivo e do Orla Autônoma, a reunião prevê diversas atividades, como shows e debates, a partir das 18h, na Praça Júlio Mesquita e arredores, onde ainda restam oito árvores.

As sobreviventes foram protegidas por liminar do Ministério Público, que alega que uma lei municipal que cria o Parque do Gasômetro protege esses vegetais. As árvores envolvidas nesse imbróglio judicial e que ainda não foram derrubadas foram marcadas pela organização do encontro com tecido vermelho.

A ideia do encontro de hoje é reunir todos os envolvidos no movimento, além de simpatizantes, para evitar mais cortes. Para o grupo, as árvores ainda preservadas simbolizam a resistência que marcou todas as atividades desde 6 de fevereiro do ano passado, quando moradores constataram que vegetais estavam sendo cortados e subiram nos restantes para evitar o prosseguimento da ação.

A derrubada de 115 árvores, que era prevista no projeto de duplicação da avenida Edvaldo Pereira Paiva (Beira-Rio) - preparatório para que a cidade receba a Copa do Mundo neste ano - tornou-se alvo de protesto. Naquele dia, por conta da mobilização, apenas 14 das 115 marcadas foram abatidas.


O movimento iniciado em fevereiro culminou no Ocupa Árvores, um acampamento ao lado da Câmara Municipal de Porto Alegre, que permaneceu em vigília por mais de um mês, ancorando-se em liminar obtida pelo Ministério Público para interromper as obras.

O grupo só foi retirado do local por força policial na madrugada do dia 29 de maio do ano passado, quando 200 policiais recolheram as barracas e prenderam os ativistas por desobediência e desacato.

Na ocasião, a prefeitura havia conseguido junto à Justiça um pedido de reintegração de posse, que estipulava o prazo de 48h para que os ativistas deixassem o local. O próprio Executivo chegou a retirar o documento, mas, na madrugada do dia 29, surpreendeu os ativistas com a ação policial. Recentemente, 13 dos 27 manifestantes que foram presos durante a operação conjunta da Brigada Militar e de órgãos da prefeitura de Porto Alegre entraram com uma ação contra o governo do Estado e o Executivo municipal por abuso de poder na desocupação.


Apesar de a reunião celebrar o ato de resistência dos ativistas, o balanço é negativo. “Não tem como compensar uma árvore plantada há anos com uma muda”, lamenta a integrante do movimento, Inês Chagas. A compensação proposta pelo Executivo para os cortes foi de um plantio de 401 mudas, que ainda não foi concluído.

“O governo tem rabo preso com as empreiteiras, que até passaram asfalto em raízes de árvores cortadas. Pelo menos estamos conseguindo levar essa resistência longe, porque, em outros locais, arrancam as árvores e pronto. Conseguimos adiar”, avalia ainda Inês.

 
Para divulgar o ato, o grupo criou eventos nas redes sociais. No Facebook, pelo menos 300 pessoas já confirmaram presença e mais de 3 mil estão convidados. O empresário Flavio Sachs Beylouni, que também integra o movimento, defende que é importante a reunião para manter a fiscalização aos supostos abusos decorrentes de obras na Capital.

Link para a matéria: http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=153343

Atualização em 06/2/2014: às 11h haviam 982 confirmações para o Ato, apenas via Facebook

30 dezembro 2013

Não esqueça 2013

Defenda a sua rua, o seu bairro, a sua cidade,  a sua cidadania, a justiça para todos,
a preservação da natureza e - fundamentalmente - o seu direito de ser ouvido.

06 agosto 2013

6 de agosto de 1945

A cidade de Hiroshima após o bombardeio
Hiroshima
No dia 6 de agosto de 1945, numa segunda-feira, a cidade japonesa de Hiroshima foi destruída pela bomba atômica “Little Boy”.

Às 8h15min, o avião americano Enola Gay largou a bomba nuclear sobre o centro de Hiroshima. Ela explodiu a cerca de 600 m do solo, com uma explosão de potência equivalente a 15 mil toneladas de TNT, matando um número estimado de 70.000 a 80.000 pessoas instantaneamente. Foi estimado que mais de 90% dos prédios foram danificados ou completamente destruídos.
Morte em Hiroshima - fotógrafo japonês desconhecido
Segundo informações mais recentes de Hiroshima, em 6 de agosto de 2005, o número total de mortos entre as vítimas do bombardeio eram de 242.437. Esse número inclui todas as pessoas que estavam na cidade quando a bomba explodiu, ou que foram mais tarde expostas a cinza nuclear e posteriormente morreram.


29 junho 2013

Um mês da ação que envergonhou Porto Alegre!


Ativistas NÃO SÃO BANDIDOS!
Porque a Brigada Militar os tratou como se fossem?
Apenas querem preservar árvores e deixar uma vida melhor para as próximas gerações!


Vídeo com trechos de telejornais que mostram cenas do corte inicial em 6 de fevereiro, impedido pela subida nas árvores de jovens, audiência pública e a vergonhosa ação da prefeitura e Polícia Militar na madrugada do dia 29 de maio de 2013. Os jovens dormiam, nenhum reagiu, mas foram algemados, presos e expostos como bandidos.

Às 4,20 da madrugada do dia 29 de maio, a Brigada Militar do estado do Rio Grande do Sul com mais de 200 homens de suas tropas de elite, inclusive cavalaria, invade o acampamento dos ativistas em Defesa das Árvores, prendem e algemam 27 jovens ativistas, atiram os pertences dos acampados em um caminhão e a prefeitura municipal de Porto Alegre inicia imediatamente o corte das árvores. Curiosamente a prefeitura não respeita a Lei do Silêncio que TODOS são obrigados a cumprir, mas isso não surpreende ela já não havia apresentado alternativas para uma obra, exigível para o licenciamento ambiental, que com a "desculpa" da Copa do Mundo cortaria mais de uma centena de árvores. As propostas que entidades ambientalistas apresentaram, nem foram consideradas, mesmo tendo CUSTO ZERO para a prefeitura. O que realmente há por trás disso? Apenas teimosia de nosso executivo municipal ou algo que só muito mais adiante teremos uma visão mais clara?

Jovens impedem a continuidade dos cortes em 6 de fevereiro
Foto: Cesar Cardia/Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho

A obra de alargamento das vias não solucionarão o alardeado engarrafamento (que não existe) de tráfego, mas corta árvores que propiciam melhor qualidade de vida para a cidade. Cada uma das árvores de grande porte cortadas captura carbono de 100 carros ao dia! A prefeitura arranca os "filtros naturais" que combatem a poluição e pretende colocar mais carros nas vias. Isso é realmente "progresso"?

No dia 6 de fevereiro 14 árvores foram cortadas antes da ação dos ativistas
Foto: Cesar Cardia/Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho

A prefeitura municipal de Porto Alegre havia desistido no dia 29 da Ação Judicial que dera 48h para os ativistas desocuparem o local, então sob que ordens a Brigada Militar atuou? Ordens da prefeitura ou do governo do estado? Até o presente momento o governo do estado silencia, não emitiu nenhuma esclarecimento sobre o ocorrido nem para tentar justificar "operação de guerra" de sua polícia militar. Desde o dia 30 de maio pedimos esclarecimentos ao governo do estado e nenhuma resposta recebemos, talvez por constrangimento.

Protesto contra o corte de árvores no dia 7 de fevereiro, na Praça Júlio Mesquita
Foto: Cesar Cardia/Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho
A ação na madrugada do dia 29 de mais foi mais que uma Operação de Guerra, um planejamento típico de crime, como nos filmes de gangsters.

Jovens acampados e ambientalistas discutem problemas ambientais
e a importância das árvores na captura de carbono, em 20 de abril, no acampamento
das árvores - Foto: Cesar Cardia/Amigos da Gonçalo de Carvalho
Jovens foram levados para sede de batalhão da Brigada Militar
e só foram liberados perto das 9h da manhã do dia 29 de maio
Foto: Cesar Cardia/Amigos da Gonçalo de Carvalho

Nada justifica a maneira como trataram os ativistas, como se fossem perigosos bandidos, eles NÃO SÃO BANDIDOS, são nossos HERÓIS e temos muito ORGULHO deles!

Os jovens detidos, antes de assinarem "termo circunstanciado"
Foto: Cesar Cardia/Amigos da Gonçalo de Carvalho
Depois de liberados foram recolher seus pertences que estavam
amontoados como "lixo" em um caminhão da prefeitura municipal de Porto Alegre,
que por ironia era da Secretaria do Meio Ambiente
Foto: Cesar Cardia/Amigos da Gonçalo de Carvalho

Não nos calarão. Vivemos em um regime democrático e temos o direito de lutar pela vida e pela preservação ambiental. Se a grande mídia silencia ou distorce nossos argumentos, estamos pedindo auxílio na mídia do exterior, mídia alternativa e entidades que defendam a democracia. Exigimos também que seja retirada a expressão "Copa Verde" da Copa do Mundo de Futebol de 2014.

Na manhã do dia 29, mesmo com chuva, a prefeitura retalhava as árvores
depois da prisão dos ativistas - Foto: Cesar Cardia/Amigos da Gonçalo de Carvalho

As futuras gerações é que sofrerão com a irresponsabilidade dos que poderiam fazer algo hoje, mas infelizmente se omitem...

Matéria no Sul 21, em 29 de maio de 2013:

Operação prende manifestantes e começa a derrubar árvores no Gasômetro


Árvores já são derrubadas nas proximidades da Usina do Gasômetro: operação para desmontar o acampamento em que manifestantes resistiam e iniciar o corte teve início na madrugada desta quarta-feira | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Samir Oliveira, Iuri Müller, Ramiro Furquim e Igor Natusch
Atualizado às 14h20min

Na madrugada desta quarta-feira (29), a prefeitura municipal de Porto Alegre e a Brigada Militar do Rio Grande do Sul deram início à operação para derrubar as árvores próximas à Usina do Gasômetro e desmontar o acampamento em que manifestantes resistiam à medida, localizado ao lado da Câmara Municipal. Pelo menos 27 pessoas foram presas e conduzidas para a sede do 9º Batalhão de Polícia da Brigada Militar, localizado em frente ao Mercado Público, no Largo Glênio Peres.
Leia mais:
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- CHARGE: Latuff vê a derrubada das árvores do Gasômetro
- Para comandante, prisão dos acampados em Porto Alegre foi “rápida e cirúrgica”
A operação começou entre as 3h e as 4h desta madrugada. Enquanto a polícia se dirigia ao acampamento, a EPTC realizava a interdição de todas as vias que davam acesso ao trecho onde estavam as mais de 100 árvores a serem cortadas.
Segundo informações da Brigada Militar, 27 manifestantes foram presos
durante a operação | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Na noite de ontem (29), os manifestantes foram surpreendidos por uma ordem judicial que previa a reintegração de posse do acampamento para reiniciar as obras de duplicação da via – ordem retirada pela própria Prefeitura poucas horas depois. O poder municipal havia alegado que buscaria outra solução para o impasse. No entanto, na madrugada desta quarta-feira, por volta das 3h, a operação teve início na Avenida Beira-Rio e pôs fim à resistência que os acampados mantinham há mais de quarenta dias.
As vereadoras Sofia Cavedon (PT) e Fernanda Melchiona (PSOL), presentes nas últimas marchas sobre o tema, acompanharam a situação dos ativistas, que tiveram que assinar termos circunstanciados no 9º BPM. Eles foram acusados dos crimes de desobediência, desacato e resistência. Segundo o Tenente Claudio Bayerle, do 9° Batalhão da Brigada Militar, três pessoas foram liberadas já no início da manhã por serem menores de idade. Antes do final da manhã, todos os demais foram liberados.
O procurador-geral do Município, João Batista Linck Figueira, afirmou ao Sul21 que as tratativas para reiniciar a obra foram conjuntas: ”A decisão obviamente partiu da prefeitura, mas quem encaminha o momento mais adequado e as questões de segurança é a Brigada Militar”.
A advogada Karen Becker, a primeira a conseguir ingressar dentro do 9º BPM, ainda por volta das 5h30min, afirma que houve truculência no trabalho policial: “Eles foram algemados indevidamente e alguns tiveram lesões. Além disso, alguns pertences do grupo foram quebrados”. Ela conta que os manifestantes presos não puderam recolher seus documentos para comparecer identificados à delegacia.
Ativistas relatam agressões sofridas por policiais militares
Os manifestantes que estavam detidos no 9º Batalhão de Polícia Militar foram liberados por volta das 7h50min e se dirigiram a um caminhão que estava estacionado próximo ao local com todos os pertences e equipamentos recolhidos no acampamento. A todo momento, eles exibiam materiais que foram danificados durante a operação.
“Éramos no máximo 30 pessoas dormindo no acampamento e chegaram mais de 150 policiais do Choque batendo nas pessoas e derrubando as barracas. Tiraram um cachorro que estava no meu colo e me jogaram no chão. Eram três policiais em cima de cada um”, relata a ativista Laís Miranda.
Outro manifestante afirma que a operação foi “extremamente rápida” e que, além das agressões físicas, os policiais insultaram os acampados com xingamentos como “vadia” e “cadela”.
Rodrigo Alberto estava dormindo quando a Brigada Militar chegou e conta que foi arrancado à força de sua barraca. “Eu estava dormindo e me puxaram para fora da barraca e me deram um soco na barriga”, recorda.
De acordo com o relato dos manifestantes, eles foram algemados já no acampamento. Durante cerca de 20 minutos a polícia teria reunido o grupo em um espaço do acampamento e os algemado.
Após o recolhimento dos pertences, os ativistas se dirigiram ao Hospital de Pronto-Socorro (HPS) para realizar o exame de corpo de delito. A maioria deles apresentava arranhões, lesões e escoriações no braço e nos pulsos por conta das algemas. Em seguida, o grupo pretende organizar um protesto em frente à prefeitura da Capital.
Abaixo, veja mais fotos da operação:

Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

30 abril 2013

Polícia Federal PRENDE secretários do Meio Ambiente

Perguntas que teriam que ser feitas ao Sr. prefeito municipal:
Por que motivo uma pessoa como Luiz Fernando Záchia, que não tinha nenhuma intimidade com Meio Ambiente, ex-chefe da Casa Civil do governo passado, investigado por irregularidades na Operação Rodin, foi alocado na Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMAM)?
Mesmo com reclamações de inúmeros ambientalistas e denúncias de má gestão ambiental, inclusive de atuar contra o Meio Ambiente, ele foi mantido no cargo após a reeleição do prefeito. Por competência na área ambiental, não foi. Era apenas um citador de números de ações da secretaria e de muitas polêmicas, como o famoso documento que dizia que "as árvores dos Túneis Verdes fariam mal à Copa do Mundo".
Em 2012 a Lei dos Túneis Verdes foi votada e sancionada pelo prefeito, que deve ter repensado melhor a "trapalhada" causada pela SMAM em 2011. 
Que qualidade tão secreta tem o Sr. Záchia, e que apenas o prefeito reconhece, pois após sua prisão foi afastado temporáriamente?
Ora, um secretário que nada entende de Meio Ambiente, acusado pelo MP de trocar plantios compensatórios por equipamentos e até motosserras, tem tanto "prestígio" assim?
Por que?

À direita na foto, secretário Záchia e prefeito Fortunati em 5 de junho de 2012

Para quem não acompanhou na ocasião, vale a pena ver e ouvir os pronunciamentos de vereadores citando a administração da SMAM na Câmara Municipal, que se posicionou CONTRA a aprovação da Lei dos Túneis Verdes:
A SMAM não é mais a mesma!





Do portal Sul 21:

O secretário do Meio Ambiente do Estado, Carlos Niedersberg, o secretário municipal do Meio Ambiente, Luiz Fernando Záchia, e o ex-secretário do Meio Ambiente, Berfran Rosado foram presos na madrugada desta segunda-feira (29) em uma operação da Polícia Federal.

Eles são alvo da Operação Concutare, que, de acordo com nota divulgada pela PF, tem o objetivo de reprimir crimes ambientais, crimes contra a administração pública e lavagem de dinheiro. A operação está cumprindo 29 mandados de busca e apreensão e de prisão temporária expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Até o momento, 16 pessoas já foram presas.

Segundo a PF, os indiciados – um grupo criminoso formado por servidores públicos, consultores ambientais e empresários – atuam na obtenção e na expedição de concessões ilegais de licenças ambientais e autorizações minerais junto aos órgãos de controle ambiental.

Conforme a nota, os investigados serão indiciados por corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, crimes ambientais e lavagem de dinheiro. O nome de todos os presos será divulgada ainda na manhã desta segunda-feira.

As ordens judiciais estão sendo cumpridas nas cidades de Porto Alegre, Taquara, Canoas, Pelotas, Caxias do Sul, Caçapava do Sul, Santa Cruz do Sul, São Luiz Gonzaga, no Rio Grande do Sul, e em Florianópolis, em Santa Catarina.

Em Tel Aviv, o governador Tarso Genro anunciou o afastamento do secretário Carlos Niedersberg. O prefeito José Fortunati também afastou temporariamente o secretário Záchia.

Leia na íntegra a nota divulgada pela Polícia Federal sobre a operação Concutare:

“Porto Alegre/RS – A Polícia Federal deflagrou na manhã de hoje, 29 de abril, a Operação Concutare, com o objetivo de reprimir crimes ambientais, crimes contra a administração pública e lavagem de dinheiro.

A operação iniciou em junho de 2012 e identificou um grupo criminoso formado por servidores públicos, consultores ambientais e empresários. Os investigados atuam na obtenção e na expedição de concessões ilegais de licenças ambientais e autorizações minerais junto aos órgãos de controle ambiental.

Cerca de 150 policiais federais participam da Operação para executar 29 mandados de busca e apreensão e de prisão temporária expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região. As ordens judiciais estão sendo cumpridas nos municípios de Porto Alegre, Taquara, Canoas, Pelotas, Caxias do Sul, Caçapava do Sul, Santa Cruz do Sul, São Luiz Gonzaga, no Rio Grande do Sul, e em Florianópolis, Santa Catarina.

A operação foi denominada Concutare, termo com origem no latim, que significa concussão. Os investigados serão indiciados por corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, crimes ambientais e lavagem de dinheiro, conforme a participação individual de cada envolvido.

As investigações foram conduzidas pela Delegacia de Repressão a Crimes contra o Meio Ambiente e ao Patrimônio Histórico (DELEMAPH) e pela Unidade de Desvios de Recursos Públicos da Polícia Federal no Rio Grande do Sul”.

Leia mais: 
Desmontada rede para fraude na emissão de licenças ambientais no RS (Sul 21)

PF apreende mais de R$ 500 mil na Operação Concutare (Correio do Povo)

Sem privilégios, presos pela PF estão no Presídio Central (Correio do Povo)

20 março 2013

Copa VERDE em Porto Alegre?

Acreditamos ser necessário, para não passar por propaganda enganosa da FIFA e Governo do Brasil, que se retire a expressão "Copa Verde" em tudo o que se refere a Copa do Mundo de 2014 no Brasil.

No Sul 21:

Após audiência, prefeitura de Porto Alegre diz que vai retomar derrubada de árvores

Rachel Duarte
Após três horas de debate na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, na noite desta segunda-feira (18), a situação sobre o corte de centenas de árvores nativas para ampliação da Avenida Edvaldo Pereira Paiva (Beira-Rio) não se resolveu. O Executivo municipal anunciou a retomada dos cortes, assumindo o compromisso de ampliar as medidas compensatórias, devido à nova pressão contrária da sociedade. O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS), que investiga o caso, pediu que fossem aguardados mais alguns dias para a decisão sobre os cortes, o que não teve a concordância do vice-prefeito Sebastião Melo, que representou a prefeitura. Com a decisão, considerada arbitrária por ambientalistas presentes, a promessa é continuar os protestos e impedir o corte nas ruas.
“Existia um acordo de suspendermos o corte até a audiência pública. Isso foi cumprido. Agora a SMOV poderá seguir o trabalho. O Melo disse que a Prefeitura vai continuar”, alegou o secretário municipal do Meio Ambiente, Luiz Fernando Záchia.
Apesar do vice-prefeito Sebastião Melo (PMDB) ter anunciado a retomada dos cortes, o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) alega que o diálogo com o poder público segue em aberto. Presente na mesa de debates, a promotora Ana Maria Moreira Marchesan pediu que o município suspendesse o corte das arvores por mais alguns dias. “Tenho certeza de que o Executivo não vai se furtar a discutir este tema com o Ministério Público. Vamos tentar fazer uma mediação, pois o progresso implica opções. Ficou claro que a sociedade está bastante dividida, mas temos uma amarração legal que não pode ser atropelada”, disse.
Os cortes começaram em fevereiro, na Praça Júlio Mesquita, em frente a Usina do Gasômetro, mas foram suspensos após manifestações populares. A pressão resultou em um inquérito no MP-RS e na audiência desta segunda. Na ocasião, os ânimos ficaram alterados devido à grande contrariedade de ambientalistas e outros setores da cidade. Contrapondo os cartazes e palavras de ordem pedindo alternativas para evitar o corte de árvores, um grupo que fazia coro favorável ao projeto da Prefeitura foi acusado de ser constituído de cargos comissionados (CCs) da gestão Fortunati.
Os críticos alegam que a falta de diálogo prévio e deficiências no projeto viário comprometem o desenvolvimento da cidade. O Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-RS), com o qual o prefeito José Fortunati (PDT) se comprometeu durante a eleição em realizar apenas obras de desenvolvimento sustentável, apresentou alternativas simples para evitar o corte. “Ainda falta um bom projeto”, criticou o presidente do IAB-RS, Tiago da Silva. Segundo ele, “é impossível que em pleno Século 21 uma gestão priorize cortar árvores nativas para colocar asfalto na cidade”.
“Não devemos seguir os projetos de empreiteiras”, alertou IAB-RS
Para o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB/RS), Tiago da Silva, “não devemos seguir os projetos doados por empreiteiras, que são as maiores interessadas na realização das obras. Está claro que o projeto está errado. Técnicos já afirmaram que não há necessidade de uma ampliação da via rápida”. Ainda assim, os secretários presentes na audiência e o vice-prefeito de Porto Alegre seguiram irredutíveis.
“Teve claque. Muitos secretários da prefeitura estavam na audiência. Tudo isso demonstra o peso que tem esta obra para a administração”, criticou a vereadora Fernanda Melchionna. Segundo ela, a postura da Prefeitura na audiência foi de seguir irredutível no planejamento que prevê a derrubada de 101 mudas nativas na Edvaldo Pereira Paiva. “Queríamos mais tempo para discutir. O IAB trouxe contribuições ontem, outras sugestões já haviam surgido nos outros debates, como passarelas de pedestres para evitar os cortes. Mas não houve flexibilidade. Infelizmente, uma audiência de ouvidos mortos não resolve muita coisa”, lamentou.
O presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), Francisco Milanez, cobrou a realização de estudos alternativos. “Se não há comparação, como dizer que esta é a melhor alternativa? A cidade não existe para atender aos automóveis. Nunca haverá vias suficientes para a quantidade de carros que está sendo vendida. A solução é deixar eles fora do Centro, investir em transporte coletivo e mais lazer”.
O texto completo aqui:  
 http://www.sul21.com.br/jornal/2013/03/apos-audiencia-prefeitura-de-porto-alegre-diz-que-vai-retomar-derrubada-de-arvores/

Fotos da Audiência Pública na Câmara Municipal de Porto Alegre em 18 de março de 2013:

Ativistas e líderes comunitários protestaram contra a ação da prefeitura.
Questionando o conceito de "progresso" defendido pelo executivo municipal.
Movimento "Defenda a Orla" também presente na Audiência.
Cortar árvores para colocar mais carros nas ruas? Não!
Momento que foram apresentadas imagens de sites de todo o mundo sobre o
reconhecimento global das árvores da Rua Gonçalo de Carvalho na Audiência Pública.
O prefeito não teve coragem de aparecer na Audiência. Mandou o vice e secretariado.
Vice-prefeito Sebastião Melo enrolou na Audiência
e depois anunciou a retomada dos cortes de árvores.
Já que o prefeito não compareceu, o recado foi para seu vice, Sebastião Melo.
(Fotos: Câmara Municipal de Porto Alegre e Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho)