29 setembro 2014

Não jogue fora seu voto! (5)

Que "desenvolvimento" os candidatos defendem?
Muitos candidatos pregam o "desenvolvimento" com a promessa de obras, como se o desenvolvimento fosse feito apenas com concreto, aço e vidros fumê.
O verdadeiro desenvolvimento passa pela Educação, Cultura e respeito ao Meio Ambiente!



27 setembro 2014

Não jogue fora seu voto! (4)

Não vote em quem coloca ainda MAIS VENENO em nossa comida!

O brasileiro é quem mais consome veneno na alimentação.
Quase SEIS LITROS ao ano!

Não vote em políticos que aprovaram a liberação de Transgênicos, quando votaram a Medida Provisória em 2006.
Independente dos problemas à saúde que os transgênicos podem apresentar, tem mais uma coisa de fundamental importância a ser considerada: o Brasil é o campeão mundial em consumo de venenos agrícolas - agrotóxicos - e os transgênicos usam ainda mais venenos!

Transgênicos usam mais venenos!
Quem aprovou os transgênicos e colocou ainda MAIS venenos em nossos pratos?

Veja quem votou SIM na MP dos Transgênicos na Câmara dos Deputados (2006), o relator foi o deputado Paulo Pimenta do RS:
Como votaram os deputados do Rio Grande do Sul na Câmara dos Deputados

24 setembro 2014

Não jogue fora seu voto! (3)

Muitos deputados que votaram pela destruição de nosso antigo Código Florestal agora tentam conseguir votos, alguns até dizendo que AGORA irão defender o Meio Ambiente. Lembram como eles votaram em 2011?
VEJA QUEM VOTOU CONTRA O CÓDIGO FLORESTAL (relatório Aldo Rebelo):
http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/921040-veja-quem-votou-contra-e-a-favor-de-codigo-florestal-de-relator.shtml

Como votaram os deputados gaúchos:
(Sim é pela revogação do antigo Código Florestal e aprovar um novo Código menos restritivo e protetor ao Meio Ambiente. Não significa manter o antigo Código, mais restritivo, e contra o relatório que "flexibilizava" a proteção ambiental. Desde o início pedimos o voto no NÃO)


18 setembro 2014

Não jogue fora seu voto! (2)

A maior irresponsabilidade que VOCÊ pode fazer com o futuro é votar em políticos irresponsáveis com a qualidade de vida das gerações que ainda nem nasceram. 
Pense bem antes de votar!

Prefeitura derruba 74 árvores para carros "fluírem" melhor
Veja a matéria no Blog Vá de Bici!
http://vadebici.wordpress.com/2014/09/17/prefeitura-derruba-74-arvores-para-carros-fluirem-melhor/



17 setembro 2014

Não jogue fora seu voto!

A maior irresponsabilidade que VOCÊ pode fazer com o futuro é votar em políticos vigaristas. 
Pense bem antes de votar!

15 setembro 2014

Obrigado Nestor Nadruz!

Hoje, 15 de setembro, é aniversário do arquiteto, urbanista e grande defensor da cidadania de Porto Alegre: Nestor Ibrahim Nadruz.
Um grande abraço do Movimento que ele apoiou desde o início em 2005, até sua grande vitória com a preservação do Túnel Verde da Rua Gonçalo de Carvalho.

Nadruz defendendo a Gonçalo em outubro de 2005.

Na nova Audiência Pública o arquiteto Nadruz foi vaiado pelos defensores do edifício
garagem quando se pronunciou. Quando cortaram o som do microfone, antes
de terminar sua fala, os defensores da Gonçalo - que eram minoria na Audiência -
protestaram tanto que permitiram que o velho arquiteto pudesse concluir seu
pronunciamento, com calorosos aplausos dos defensores da Gonçalo
e um silêncio constrangedor dos que queriam a obra.

07 agosto 2014

Que Rio Grande queremos?



Não se omita!
Participe do Agapan Debate no dia 11 de agosto às 19h, no auditório da Faculdade de Arquitetura da UFRGS.

Debatedores:
Alfredo Gui Ferreira – .Biólogo, mestre em Botânica na UFRGS, doutor em Ciências na USP, pós-doutorado nos Estados Unidos. Professor e pesquisador aposentado da UFRGS. Tem perto de cem publicações científicas, foi orientador de mestres e doutores na UFRGS, UnB e UFSCar. Sócio fundador da Agapan e atual presidente da entidade.

Nilvo Luiz Alves da Silva – Diretor Presidente da Fepam

Paulo Brack – Biólogo, mestre em Botânica e doutor em Ecologia. Professor do Departamento de Botânica do Instituto de Biociências da UFRGS. Pesquisador da flora do RS e envolvido em temas de políticas públicas em biodiversidade, com representações em conselhos de meio ambiente, pelo Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais (InGá), onde é um dos coordenadores.

Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/736180523104955/

15 julho 2014

"Abobados da enchente"

Rua dos Andradas entre a rua Uruguai e rua General Câmara em 1941
Publicado na edição impressa do Jornal do Comércio de 29/03/2010:
Abobados da enchente
Claudio Dilda*

A enchente de abril e maio de 1941 - há quase sete décadas - resultou de precipitações de 791 milímetros. O lago Guaíba atingiu a cota de 4,75 metros, inundando Porto Alegre. Tal foi o impacto sobre a população que gerou a expressão ‘abobados da enchente’. A construção do Muro da Mauá, no início dos anos 1970, com 2.647 metros de comprimento e três metros a partir da superfície, constituiu-se em proteção e em obstáculo para o acesso e a visão, dos pedestres, de um dos mais belos cenários naturais do Parque Delta do Jacuí. Daí também ser conhecido como muro da discórdia.

Rua Uruguai, próximo da Sete de Setembro, durante a enchente de 1941.

Há tempo vem sendo discutida a revitalização do Cais Mauá. Projetos e propostas entraram e saíram do Piratini e do Paço municipal. Afinal, trata-se de área portuária sob administração do Estado em território do município de Porto Alegre. Há um Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental. Puerto Madero, em Buenos Aires, tem sido a referência por excelência. Estudos e projetos. O Cais Mauá precisa ser revitalizado (rentável), segundo os investidores. Edifícios para hotéis, escritórios, lojas, mercados, restaurantes, bares, oportunidades de lazer para a população em geral. Como em Puerto Madero?

Cais do Porto em abril de 1941.

Será que a revitalização do Cais Mauá não seria mais consequente se reativados os transportes fluviais e lacustres, de cargas e passageiros? Em momento crucial em que a lógica mostra a necessidade de mudança da matriz de logística no País - hoje dependente do transporte rodoviário, com sucateamento das ferrovias e hidrovias - não pode ser desprezada estrutura existente e apta à dinamização.

Enchente de 1941 no Centro de Porto Alegre.
Como ficará o trânsito de veículos na região Central e em uma Mauá já engasgada? Essa área corresponde a uma das regiões de Porto Alegre com problemas de qualidade do ar provocados pela intensidade do tráfego de veículos. Por que não adequar o espaço do antigo Estaleiro Só para os fins propostos para o Cais Mauá? Continuamos abobados da enchente!

*Professor e assessor de meio ambiente. 
De 28/5/2013 até a presente data é Secretário do Meio Ambiente de Porto Alegre (SMAM).

Enchente de 1941.

Sobre a expressão "abobado da enchente", na Wikipédia:
A expressão "abobado da enchente" (que significa besta), muito conhecida dos gaúchos, teria surgido devido a famosa enchente de 1941.

A Usina durante a Enchente de 1941.
(Fotos da Enchente de 1941, disponíveis na internet)

02 julho 2014

Para nossa prefeitura LER antes de pensar em CORTAR mais árvores em nossa cidade

Como salvar muitas vidas com parques urbanos
As áreas com árvores reduzem a quantidade de perigosas partículas de poeiras de 2,5 mícron.
Todas as árvores urbanas contribuem para um ar mais limpo e ambiente mais saudável.(usar o tradutor do Google, o artigo está em húngaro):

http://365.postr.hu/eletet-ment-a-varosi-park-szallopor-szennyezes-legtisztitas




No artigo tem link para o documento do IOP Science: "Global premature mortality due to anthropogenic outdoor air pollution and the contribution of past climate change "

http://iopscience.iop.org/1748-9326/8/3/034005/

12 junho 2014

Por que carros são mais importantes que árvores nas ruas?

Quantas COPAS de ÁRVORES por uma copa de futebol?
Essa pergunta continua sem uma única resposta razoável...


01 junho 2014

5 de junho - dia Mundial do Meio Ambiente

5 de junho - dia Mundial do Meio Ambiente e da preservação da Rua Gonçalo de Carvalho
Foi num dia 5 de junho, em 2006, que conseguimos que a Rua Gonçalo de Carvalho fosse declarada Patrimônio Histórico, Cultural, Ecológico e Ambiental de Porto Alegre.

5 de junho de 2006 - Prefeito José Fogaça e Beto Moesch, secretário
do Meio Ambiente, assinam o decreto que preserva a Rua Gonçalo de Carvalho
Foto: PMPA
Foi o primeiro caso de uma via urbana ser declarada Patrimônio Ambiental de uma cidade, pelo que sabemos. Foi uma vitória da cidadania, não apenas de Porto Alegre mas também de nossos apoiadores no Brasil e de tantos lugares distantes ao redor do mundo, que conseguimos graças a essa fabulosa ferramenta de comunicação chamada internet.

Ato em 15/10/2005 pela preservação da Rua Gonçalo de Carvalho
Foto: Arquivo Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho

Em setembro de 2005 iniciou o movimento de resistência, pela preservação das árvores do Túnel Verde da Gonçalo de Carvalho. Muitos pensaram que o nosso objetivo era evitar a construção de uma sala sinfônica para a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, a OSPA, em área de um shopping vizinho. Errado!

Panfleto chamando para a segunda Audiência Pública, pois a primeira foi divulgada apenas
em um anúncio de jornal num sábado comunicando uma Audiência na segunda-feira.
Nenhum morador compareceu por não terem conhecimento da Audiência.
Na realidade foi a autorização para construir um grande edifício garagem (estacionamento de carros) no shopping vizinho, com a saída de todo o trânsito de veículos do shopping pela estreita e arborizada rua que motivou a campanha para defender a rua e suas árvores. Pretendiam posteriormente alargar a via com retirada de parte das árvores e ASFALTAR o leito da rua que é calçada com pedras. O calçamento de pedras da rua permite que a água da chuva penetre no solo e chegue até as raízes das árvores, asfaltar a rua causaria danos irreparáveis às árvores.

Mesmo tendo que enfrentar a prefeitura municipal, um tradicional grupo de mídia, o Shopping Center, uma poderosa indústria de óleos e um dos maiores símbolos de nossa cultura - a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre - decidimos resistir e pedir apoios no exterior por internet, pois éramos poucos.

Na segunda Audiência Pública, em 20/12/2005, moradores, ambientalistas e defensores
do direito do cidadão ser ouvido, dividiram espaço com os apoiadores da obra.
Muitos não conseguiram entrar no salão que estava lotado. Foto: Ricardo Stricher/PMPA
Muitos diziam concordar conosco, mas que era constrangedor ficar contra a OSPA e o edifício garagem estava no projeto da Sala Sinfônica. Outros diziam que enfrentar grupos tão poderosos, como a prefeitura, o tradicional grupo de mídia, uma indústria de óleos e um shopping center era perda de tempo, a derrota era certa. Nosso pedido de apoio na Câmara Municipal de Vereadores não foi ouvido, salvo por uma única vereadora.

Dias terríveis. Em 9 de janeiro de 2006 perdemos Haeni Ficht,
uma de nossas principais lideranças
Foram meses terríveis, praticamente todas as licenças já tinham sido concedidas pela prefeitura. A última, que autorizava a construção, foi emitida quando se realizava a missa em memória de nossa principal liderança, Haeni Ficht, falecido dias antes. Fomos chamados de "inimigos do progresso e da cultura", muitos de nós eram ameaçados e até insultados, como fez o então vice-prefeito Eliseu Santos. O Ministério Público já tinha atirado a toalha, dizia que nada mais poderia fazer, mas que fiscalizaria todas as possíveis irregularidades da construção.

Ataques do vice-prefeito: chama dois resistentes de "cornos"
Apesar de tudo nós resistimos, as reuniões aconteciam, as estratégias eram revisadas, novas ideias eram apresentadas. Desde outubro de 2005 criamos esse Blog e um endereço de e-mail para tentar alguma visibilidade ao que estava ocorrendo e, lógico, pedir apoios fora da cidade. No início de 2006 já recebíamos mensagens de apoios que perguntavam como poderiam auxiliar nossa luta e com o tempo isso foi aumentando, tanto do restante do Brasil como - para nossa surpresa - do exterior.

Atualmente a Rua Gonçalo de Carvalho é chamada no exterior como "a rua
mais bonita do mundo", pelas árvores e pela vitoriosa luta de seus defensores.
Até uma publicação da ONU destaca o exemplo da Gonçalo.
Felizmente vencemos, a rua foi a primeira via urbana tornada Patrimônio Ambiental de uma cidade na América Latina e foi chamada na Europa de "rua mais bonita do mundo", pela beleza de suas árvores e pela vitória de uns poucos cidadãos comuns que teimaram em resistir.

Pedido de apoios mandados por e-mail e também xerocados na copiadora da esquina.

Poster da Unep para o Dia Mundial do Meio Ambiente de 2014


21 maio 2014

Quantas Copas (de árvores) por uma copa (de futebol)?

No The Guardian, Reino Unido:

Crime Scene in Porto Alegre
On the morning of February 6, 2013, the eve of the carnival - when many retire from the city to the beaches - Prefecture teams arrived with their chainsaws and started cutting trees without informing the press, the residents or the city council. Hearing the noise of chainsaws youth tried to prevent the cutting of some trees and climbing them and prompting environmentalists press. The population was able to prevent the cutting of more trees and a Motion was created specifically to address this issue, the group " How many cups ( trees) by a canopy ( football)?"

How many Treetops for one World Cup Soccer?

08 maio 2014

Dayrell em Porto Alegre

Dayrell em 1975: +VERDE  -CONCRETO - Foto: Carlinhos Rodrigues/ZH
Ativista que virou símbolo nacional na luta pela defesa das árvores visitará a Rua Gonçalo de Carvalho
Carlos Alberto Dayrell, o jovem ativista mineiro da AGAPAN que em plena ditadura - 1975 - subiu em uma árvore para evitar seu corte, está no Rio Grande do Sul. Veio participar de um seminário na Unisinos e aproveitará para visitar parentes, matar as saudades dos companheiros da Agapan e também visitar a "rua mais bonita do mundo".

A placa alusiva ao decreto que preservou o Túnel Verde foi colocada no local onde
ocorreram muitas manifestações em defesa da Rua. Bem no acesso ao shopping!
Foto: Cesar Cardia/Amigos da Gonçalo

Na sexta-feira, 9 de maio, irá na Rua Gonçalo de Carvalho às 17h. O encontro foi marcado no local da placa alusiva ao tombamento da Rua.

Alunos do Colégio Bom Conselho na Rua Gonçalo de Carvalho
em 5 de junho de 2012 - Foto: Cesar Cardia/Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho

Depois da visita ao Túnel Verde da Gonçalo ele participará de um bate-papo - aberto a todos que queiram participar - que está sendo organizado pela Agapan - Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural - em local ainda não definido.

Dayrell e seus colegas na árvore em plena ditadura militar - Foto: Arquivo AGAPAN


Matéria do site AgirAzul, de 1998:

AgirAzul 13
HISTÓRIA

Carlos Alberto Dayrell é Cidadão de Porto Alegre

O então estudante que salvou a Tipuana na frente da Faculdade de Direito da UFRGS, em 1975, recebeu o título de representantes da Câmara de Vereadores que foram à Faculdade de Direito. Ele não abandonou a luta ecológica.

Por Roberto Villar  

Carlos Alberto Dayrell recebeu o título de Cidadão Honorário de Porto Alegre. Lembram dele? Na manhã do dia 25 de fevereiro de 1975, uma grande multidão se formou na frente da Faculdade de Direito da UFRGS, em uma das principais vias da cidade, a avenida João Pessoa.

Funcionários da Secretaria Municipal de Obras estavam cortando dezenas de árvores para construir o viaduto Imperatriz Leopoldina. Um estudante de engenharia elétrica, sócio da Agapan - Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural, subiu numa Tipuana (Tipuana tipu) para impedir o trabalho das motosserras.

Ela está lá até hoje. O protesto terminou na delegacia de polícia política. Foi notícia nos principais jornais. A foto ganhou destaque de capa no diário O Estado de São Paulo. Naquela época, impedir o corte de árvores era crime contra a segurança nacional. "De minha parte, colocaria como marco inicial de um movimento ecopolítico no Brasil o caso Carlos  Dayrell", escreveu Alfredo Sirkis no apêndice da edição brasileira do livro Rumo ao Paraíso — A história do movimento ambientalista, de John McCormick.

Mais do que um símbolo, Dayrell é um herói sempre citado pelos ecologistas gaúchos. "O protesto do Dayrell foi o fato que mais sacudiu a opinião pública na época", reconhece o primeiro presidente da Agapan, José Lutzenberger, atual mentor e dirigente da Fundação Gaia.

Por recomendação médica, e por receio de alguma represália por agentes do Governo, em 1976 o jovem estudante mineiro, natural de Sete Lagoas, fugiu do clima frio e úmido da capital gaúcha e voltou para Minas Gerais. Ele nunca mais foi visto em Porto Alegre. Ficaram apenas as histórias do protesto que marcou o início do movimento ecológico brasileiro.

"O protesto do Dayrell foi um marco para nós. Naquele dia, toda a imprensa do Rio Grande do Sul e do Brasil nos conheceu", recorda o presidente da Pangea, Augusto Carneiro, fundador da Agapan, naquela época militando nesta entidade.

Dias antes do protesto, Dayrell tinha viajado para Torres com um grupo de ambientalistas da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural, criada em 1971. O corte das árvores no Parque da Redenção já era assunto dos ecologistas. Carneiro recorda que numa reunião José Lutzenberger chegou a sugerir que os jovens subissem nas árvores para impedir a derrubada.

Dayrell estava presente, ouvindo com atenção. Quem mandou derrubar as árvores para construir o viaduto foi o prefeito Thompson Flores. Lutzenberger não esquece: — Ele mandou derrubar as árvores durante as férias, pensando que não iria haver estudantes lá. Esqueceu que era dia de matrícula. Surpreso, o prefeito argumentou que iria derrubar 25 árvores para melhorar o tráfego, mas estava plantando 20 mil nos bairros.
Aí, preparamos um manifesto que começava mais ou menos assim: "Argumentar que não tem importância derrubar 25 árvores velhas, porque estão sendo plantadas 20 mil novas, seria como dizer não importa que morra o nosso velho e sábio prefeito, estão nascendo tantos bebês".

A placa em homenagem a Dayrell na Faculdade de Direito da UFRGS
Foto em 15/10/2011: Cesar Cardia/Amigos da Gonçalo de Carvalho

O atual diretor da Faculdade de Direito da Ufrgs, professor Eduardo Kroeff Carrion, conselheiro da Agapan, decidiu fazer uma homenagem a Carlos Dayrell. No dia 20 de novembro, Carrion reuniu em seu gabinete representantes de importantes entidades ecologistas de Porto Alegre — Agapan, Pangea, Coolméia, e União pela Vida, que resolveram co-organizar os eventos e solicitar ao vereador Gerson Almeida (PT) fosse encaminhado ao Dayrell o título de Cidadão de Porto Alegre.

Quase 23 anos depois, Dayrell participou de dois atos públicos no dia 28 de abril de 1998, um dia após a data do aniversário de 27 anos da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural.

Foi implantada num dos pilares da cerca da Faculdade de Direito, em frente à árvore salvada,  placa de metal para lembrar à posteridade o protesto de 1975.  Carlos Dayrell também recebeu de representantes da Câmara de Vereadores o título de Cidadão Honorário de Porto Alegre, proposto por Almeida, em sessão realizada no auditório da própria Faculdade.

Carlos Alberto Dayrell foi localizado em Montes Claros, no norte de Minas Gerais. Está com 44 anos e três filhos. O mais velho, Luciano, com 16 anos, e a mais nova, Luana, com 10, além de sua mãe, a simpática Dona Alexandrina, também vieram à Porto Alegre.

Matéria da revista Veja em 1975
Após o episódio, trocou a engenharia elétrica pela agronomia e está trabalhando como consultor do Centro de Agricultura Alternativa.  Nesta entrevista, Dayrell fala do seu trabalho em Minas Gerais e recorda detalhes do mais importante protesto ecológico de Porto Alegre.

O que você está fazendo em Minas Gerais?
Eu trabalho numa entidade chamada Centro de Agricultura Alternativa. É uma Organização Não-Governamental que presta assistência a pequenos produtores rurais, dentro desta proposta de desenvolver uma agricultura mais sustentável.
Então você não abandonou a luta ecológica?
Realmente. Naquela época do protesto em Porto Alegre, era muito um sentimento que a gente tinha de preocupação com a vida. E este sentimento vem se aprofundando. Hoje, a gente tenta de outras formas, continuar esta busca por uma vida mais digna e sustentável, não só pra gente, mas para as gerações futuras.
Por que você subiu naquela árvore em 1975?
Naquela época eu morava em Porto Alegre e entrei na Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural. Eu morava na Casa do Estudante, na frente da Faculdade de Direito. Naquele dia eu estava saindo de casa para fazer minha matrícula na Universidade e fiquei chocado com o que vi. Um monte de árvores já no chão. Me chamou muito a atenção porque todo mundo passava indiferente. Eram árvores belas, que davam uma sombra muito agradável. Foi algo meio instintivo. Como você fez para subir tão alto naquela árvore? Eu tava na rua pensando o que fazer... aí passou um amigo meu, o Marcos Sarassol. A árvore realmente era muito alta. Os funcionários da Prefeitura estavam utilizando uma escada para cortar os galhos, e depois o tronco. Eu pedi a escada emprestada e coloquei na primeira árvore.
Quanto tempo você ficou lá em cima?
Eu nem lembro direito. Eu sei que era de manhã, pois eu iria fazer minha matrícula na Faculdade. A gente ficou lá até umas três ou quatro horas da tarde. O pessoal passava lanche pra gente. Logo uma multidão ficou em volta. Teve dois companheiros que subiram pra me apoiar, logo no começo, o Marcos e a Teresa Jardim.
Qual foi o papel da imprensa naquele episódio?
Se não fosse a imprensa naquele momento, talvez o pessoal teria derrubado a gente. Tinha jornal, televisão e rádio lá. O fato foi sendo divulgado e a população foi chegando em volta. Porto Alegre estava vivendo naquela época um processo de transformação importante. Era uma cidade que estava crescendo o número de carros, as ruas precisavam ser ampliadas. Mas havia muita preocupação com a qualidade do ambiente urbano. De certa forma, foi uma reflexão. Eu lembro que saiu muita matéria sobre a questão do desenvolvimento e da qualidade de vida.
Quanto tempo você morou em Porto Alegre?
Eu cheguei em Porto Alegre em 1970 para trabalhar no Banco Mineiro do Oeste, que depois foi comprado pelo Bradesco. Entrei na Ufrgs para estudar Engenharia Elétrica. Depois fiz novo vestibular para Agronomia. Morei em Porto Alegre até 1976. Por problema de saúde, voltei para Minas Gerais. Consegui uma transferência para a Universidade Federal de Viçosa. Me formei em Agronomia em 1980. E desde então, trabalho com agricultura alternativa, com agroecologia.
O que você faz em Montes Claros?
Atualmente eu trabalho no Centro de Agricultura Alternativa. Eu estou fazendo um curso de mestrado na Espanha, em agroecologia e desenvolvimento rural sustentado. Aqui a gente dá assistência a pequenos produtores rurais. A nossa grande preocupação aqui no norte de Minas Gerais é com o Cerrado.

A imagem de Dayrell na árvore está em um dos banners da AGAPAN

As palavras de Dayrell

Caros Amigas e Amigos:
Eu fico aqui pensando se por acaso vocês aqui estão, vereadores da Câmara Municipal de Porto Alegre, representantes da Faculdade de Direito que está comemorando o centenário de fundação da instituição, militantes do movimento ecológico gaúcho representados pela Coolméia, Pangea, União pela Vida, Núcleo dos Ecojornalistas, Fundação Gaia e Agapan, que merece lembrar, ontem, fez 27 anos de fundação, com uma trajetória reconhecida não só aqui no Estado, mas em todo Brasil e inclusive no Exterior.
Eu fico pensando se, por acaso, vocês que aqui estão   presentes, possam ter idéia do que representa este momento para o cidadão Carlos Dayrell, um desconhecido nos sertões de Minas Gerais, que saiu de Montes Claros, no norte do Estado, um sertanejo que se define no dizer de Guimarães Rosa: “Sou só um sertanejo. Nestas altas idéias, navego mal”.
E quem é o sertanejo?
O sertanejo é um homem criado num ambiente onde o contrato natural que ele estabelece com o seu meio é mediado pelo respeito com a natureza. E pode ter sido um fragmento deste sentimento, lapidado pelo sentimento gaúcho na sua relação com a imensidão dos pampas, que fez o ainda menino mover-se por um sentimento natural, tornar-se sem saber e sem querer, através de um gesto coletivo, um símbolo de uma sociedade que se propõe estabelecer um novo contrato com o seu meio.
Pois é um destes sertanejos que está aqui nesta cerimônia, que está aqui hoje para receber o título de Cidadão de Porto Alegre onde, com muita responsabilidade e carinho, vai levar de volta para o lugar onde vive, quem sabe um elo invisível traçado hoje por vocês, um elo invisível mas permanente de amor por uma causa que é muito maior que a soma de todos nós.
Vocês não podem imaginar a emoção que isto faz comigo e na verdade é até difícil entender como hoje estou aqui nesta cerimônia. Certamente, para eu estar aqui hoje muita coisa mudou nos corações das pessoas que lidam diariamente com decisões que influenciam a vida de centenas de milhares de cidadãos. Inclusive com a minha. Muita coisa mudou pois, quando sai daqui em 1976, de volta a Minas Gerais, um ano e meio após o episódio da subida na árvore, minha mãe ainda carregava consigo a tensão de uma possível represália da ditadura militar contra o seu filho.
Episódio que compartilho com Marcos Sarassol, Teresa Jardim, com a imprensa de Porto Alegre, com os militantes da Agapan, com centenas de pessoas, estudantes populares que anonimamente lutaram naquele dia pela preservação da árvore, não se curvaram diante do aparato militar e que, de lá para cá provocaram um salto na luta pela defesa, não só das árvores isoladamente, mas em defesa da vida em seu sentido mais amplo. Esta homenagem compartilho com todos vocês.
Eu não poderia estar aqui se não fossem os ensinamentos de meus pais, que, em 1970, ainda com 17 anos, permitiram que saísse de Sete Lagoas para estudar e trabalhar em Porto Alegre.
Eu não poderia estar aqui se não fosse o carinho do meu irmão Geraldo Dayrell Filho e de toda a família Hiwatashi, ilustres horticultores de Porto Alegre, que me acolheram como membro da família, e me estimularam na profissão que segui.
Eu não poderia estar aqui se não fossem pessoas como José Lutzenberger, Augusto Carneiro, Caio Lustosa, Magda Renner, e muitos outros que colaboraram no desenvolvimento da percepção de solidariedade não só com a vida no planeta Terra de hoje, mas uma solidariedade intergeneracional, solidariedade para coma vida das gerações que estão por vir, solidariedaade para com gerações anteriores que souberam nos legar um planeta amplo de possibilidades e de potencialidades.
Solidariedade que se traduz não em grandes feitos, mas de um construir diário na busca de sociedades sustentáveis. Sociedades que incluem a intricada e maravilhosa teia de seres vivos onde suas mais de 30 milhões de diferentes espécies de seres vivos a que denominamos de biodiversidade, nos garante a possibilidade de continuidade da vida no planeta Terra.
Biodiversidade que está ameaçada pela ganância de uma economia baseada na exploração dos seres vivos (e entre eles o homem), na dilapidação dos recursos naturais, onde poucas empresas transnacionais conseguem impor os seus interesses numa escala global, corrompendo governos e legisladores. Temos exemplo no Brasil a Lei das Patentes, que se curva ao permitir a difusão de novos seres vivos criados pelo homem cujos riscos de sua manipulação na natureza ainda são desconhecidos. Biodiversidade que está ameaçada por alguns setores prepotentes ligados à ciência que avalizam sem assinar nenhuma promissória. Afinal, ao contrário dos produtos químicos, os produtos da engenharia genética não podem ser retirados do mercado. Me vem à mente a imagem do Titanic, saudados pelos setores sociais dominantes da época como insubmergível. Um iceberg o afundou. O mundo ficou perplexo. A engenharia genética está aí. Mal conhecemos a ponta deste iceberg.
Então eu me pergunto: o que podemos fazer além de homenagear as pessoas que lutam em defesa da vida em seu sentido mais amplo?
O que podemos fazer além de subir nas árvores?

Link para a matéria do AgirAzul: http://www.agirazul.com/eds/ed13/dayrell1.htm

05 maio 2014

Prefeito sanciona os limites do Parque do Gasômetro. Comemorar o que?

Prefeito sanciona os limites do Parque do Gasômetro no dia 2 de maio:
Jornal Zero Hora - Prefeitura criará parque sem saber o que fazer com ele
Jornal do Comércio - Grupo discute uso e atividades do Parque do Gasômetro
Rádio Guaíba - Fortunati sanciona lei do Corredor Parque Gasômetro e afirma que não está no plano rebaixamento da Av. João Goulart


Você quer o VERDADEIRO PARQUE DO GASÔMETRO ou o FALSO?

Desde 2007 foi pedido um PARQUE no Gasômetro que unisse as duas Praças já existentes com a Orla.
A Av. João Goulart tem tráfego muito pesado e de alta velocidade, com apenas um semáforo em frente da Usina do Gasômetro.
Crianças, idosos e deficientes correm sérios riscos ao tentarem atravessar essa avenida, agora já alargada pela prefeitura com o corte de dezenas de árvores.

Por incrível que pareça tem pessoas que estão comemorando essa grande derrota para a cidadania de toda a cidade, não apenas para moradores do entorno.

Como podem verificar nos links abaixo, a ideia original veio da RP1 e foi abraçada pelo então existente Movimento Viva Gasômetro - que integrei do início de 2007 até meados de 2008 - que o incluiu entre suas reivindicações para a Revisão do Plano Diretor de Porto Alegre.
A proposta foi apoiada pelo Fórum de Entidades que discutiu a Revisão do PDDUA e para ter maiores chances de aprovação - a quase totalidade das emendas do Fórum de Entidades, cerca de 200, foi rejeitada pelos vereadores - um vereador (Comassetto/PT) a apresentou como sua emenda e nela constava a premissa fundamental: rebaixamento da Av. João Goulart.

Praticamente todos os integrantes do Viva Gasômetro saíram, como eu, ou foram saídos do Movimento, ficando uma única pessoa que agora apoia esse absurdo: um Parque que não será Parque.

A prefeitura criará um Grupo de Trabalho que certamente não contará com o Instituto de Arquitetos do Brasil/RS nem com a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural - AGAPAN - pois essas entidades já se manifestaram contrárias ao que a prefeitura pretende. Os integrantes do GT deverão ser entidades e pessoas "mais amigas" da prefeitura, que entoarão loas ao que for apresentado a eles e depois será dito que o resto do mundo tem muito que aprender com a nossa "democracia".

Pobre Porto Alegre...

Reunião na Câmara Municipal de Porto Alegre em 05/4/2013. O presidente da Câmara, vereador Thiago Duarte, e o vice-prefeito Sebastião Melo não gostaram de ouvir que criar um PARQUE com uma via de alta velocidade cortando esse Parque seria uma "insanidade". Tempos depois apresentaram a proposta de apenas trocar os nomes de duas praças, já existentes, com o pomposo nome de "Parque do Gasômetro":

A Agapan defendeu um Parque de verdade... (Francielle Caetano/CMPA)
...não a simples troca de nome das praças já existentes. (Francielle Caetano/CMPA)
Vice-prefeito disse ser "inviável" rebaixar a Av. João Goulart.
(Francielle Caetano/CMPA)
Inês Chagas, moradora do Centro Histórico, defende um Parque
que dê livre acesso à Orla. (Cesar Cardia/Amigos da Gonçalo de Carvalho)
Arquiteta Mara Gazola (ao fundo) fez a pergunta que deixa nossos políticos
atrapalhados: "que cidade queremos, uma cidade para as todas as pessoas ou
para os veículos de algumas pessoas?" (Cesar Cardia/Amigos da Gonçalo de Carvalho)
O vice-prefeito e o presidente da Câmara (com a mão no rosto) já mostrando
irritação com os questionamentos feitos. (Cesar Cardia/Amigos da Gonçalo de Carvalho)



Av. João Goulart atualmente – imagem do projeto da RP1/arquiteto Rogério Dal Molin
Isso é coisa de meia dúzia?
http://poavive.wordpress.com/2013/02/17/isso-e-coisa-de-meia-duzia/



Charge de Edgar Vasques quando dos polêmicos cortes de árvores no Gasômetro
Felizmente, Porto Alegre resiste! 
 http://poavive.wordpress.com/2013/12/21/felizmente-porto-alegre-resiste/


A Copa do Mundo é nossa? Charge do Kayser
Quantas COPAS (de árvores) por uma copa (de futebol)? 
http://poavive.wordpress.com/2013/08/15/quantas-copas-de-arvores-por-uma-copa-de-futebol/

Cesar Cardia
Integrantes do Movimento Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho
Sócio benemérito da AMABI - Assoc. dos Moradores e Amigos do bairro Independência
Associado da AGAPAN
Ex-integrante do original Movimento Viva Gasômetro