18 abril 2009

Música na Gonçalo de Carvalho!


Foi com emoção que soubemos, pelo caderno ZH Moinhos, que dia 22 de abril será inaugurada a Casa da Música, na rua Gonçalo de Carvalho.

Do caderno ZH Moinhos:
Espaço para recitais na Gonçalo de Carvalho

O belo sobrado do número 22 da rua Gonçalo de Carvalho abrigará, a partir do dia 22, a Casa da Música, um projeto da cantora Angela Diel. A residência foi construída em 1931 e tem influência art-déco. Os vizinhos serão brindados com sons de instrumentos de sopros e cordas, além do canto. A Casa terá instalações para ensaios, recitais, oficinas, cursos e palestras.
A abertura será no dia 22 de abril, às 19h, com a série Recitais da Casa da Música, com Duo Balbinder/Cordella (Javier Balbinder, no oboé, e Fernando Cordella, na espinetta), com obras de Johann Sebastian Bach, e Trio para harpa, flauta e viola (Norma Rodrigues, na harpa, Artur Elias na flauta e Cosmas Grieneisen, na viola) com obras de Debussy, Villa-Lobos e Saint-Saëns.
O ambiente está adornado com imagens que homenageiam a arte. Mais informações pelo e-mail casadamusicapoa@hotmail.com



Parabéns para a Angela Diel e parabéns para todos os que apreciam a arte, a beleza e as árvores da Gonçalo. A Casa da Música não poderia ter escolhido melhor cenário para se instalar.

13 abril 2009

A Coréia e os Rios

Vídeo indicado pelo Eduíno de Mattos, do "Movimento de Luta em Defesa da Orla Pública do Rio Guaíba". Quem sabe isso estimula nossos governantes e legisladores a preservarem a orla do nosso Guaíba?

O governo declarou guerra contra a poluição do rio HAM e a ocupação fora de controle e sem critérios na faixa de orla, o rio mais importante da coréia, que corta a cidade de Seul ao meio, a primeira iniciativa foi a demolição das construções existentes na orla do rio, após a limpeza das encostas e a revitalização com arborização nativa e a recomposição da mata ciliar, com a proibição total de construções para moradia e indústrias em toda sua extensão, a política do governo é, ao mesmo tempo em que, despolui o rio devolve integralmente para uso público da população, em forma de um parque continuo, a próxima etapa é a retirada de circulação dos barcos em ancoradouros irregulares, marinas, etc. e a retirada dos veículos nas vias próximas ao rio, foi Instituido um grupo de trabalho especifico para tratar da questão da mobilidade da cidade e da retirada de circulação dos veículos que poluem o rio nas vias mais próximas, onde um dos projetos é construir uma via subterrânea para reduzir o impacto visual e controlar a poluição do ar do solo e da água.


Fonte: reportagem especial da TV GLOBO 13 abril 2009.

06 abril 2009

MURO do PONTAL

Orla do Guaíba - foto: Eduino de Mattos

MURO do PONTAL
Edmundo Füller

No passado, diante de freqüentes invasões, as cidades eram protegidas por espessas e altas muralhas. A cidade de Jericó -8500 aC- na terra de Canaã, além da muralha, era envolvida por um fosso. Mênfins no Egito, Khorsabad na Assíria, Ur na Caldéia, de onde partiu o patriarca Abraão em direção a Harã, ao norte do atual Iraque, porque era, então, eminente um ataque da tribo dos elemitas vinda do Irã.
No presente, a cidade “sorriso” das trágicas carroças, cresce cercada de toneladas de aço, cercas eletrônicas, portões automáticos que fazem a alegria dos seus fornecedores. Condomínios verticais, horizontais, residências uni familiares, bancos, escolas, verdadeiros presídios, procuram proteger-se cada vez mais dos constantes assaltos. Uma das causas é o desemprego que se acentua diante do estouro da bolha do sistema financeiro previsto no horizonte liberal. Seus saqueadores acham-se em liberdade e o grito de socorro obriga a intervenção do estado, numa ciranda sem fim. Pobreza, miséria, desemprego e mais violência.
O pontal do estaleiro, área de vocação humanista está sendo invadida pelo homem, e para se proteger das cheias do rio - que por sua vez busca por justa causa natural respirar, banhando suas margens – irá construir não uma muralha espessa, mas uma dupla cortina de concreto, a fim de evitar inundações, principalmente para as garagens com capacidade para 500 carros. Bombas de recalque, transformadores e geradores, uma parafernália técnica, armas prontas para atacarem.
Em 10 set/62 o prefeito Loureiro da Silva assinou um decreto humanista, de desapropriação. É criado o Parque M de Vento em substituição ao antigo prado (11,5 ha). O jornalista Alberto André, os vereadores Germano Petersen Filho e Marino dos Santos tiveram atuação marcante. E hoje temos o Parcão, um oásis cercado por uma alta carga viária – ruídos, buzinaços e CO2 – constituindo-se num verdadeiro pulmão verde. Um espaço físico rico, criativo com uma tipologia variada de árvores, copas coloridas, arbustos, plantas, flores e lago animado por aves, promovendo um ambiente que estimula o convívio, o relacionamento humano e acima de tudo o equilíbrio físico-mental.
Mas, para o pontal da desesperança, num primeiro momento, sem consulta popular acrescentou-se o uso comercial. Insatisfeitos, os incorporadores agora querem adicionar o uso residencial. Uma área que poderia receber cinco bosques zoneados a partir do ipê roxo, amarelo, rosa, flamboyant e coníferas, que acolheriam equipamento cultural e de recreação. Uma parcela de um patrimônio ecológico maior, a orla do Guaíba que por sua vez vem sendo progressivamente invadida.
Em 1976 o estaleiro Só incendiou. Tanques de óleo de dois navios cargueiros ancorados para reparos explodiram morrendo cerca de 140 operários. Um sinistro ocorrido fruto da imprudência, negligência, e hoje a área adquirida por um valor simbólico de R$ 7,6 milhões não estaria correndo o risco de um novo sinistro: a ocupação intensiva?
A população deverá responder não sob forma de adágio, mas num vibrante allegro com fuoco: NÃO ao pontal da desesperança!


Edmundo Füller é arquiteto e professor da UFRGS