16 março 2009

VERGONHA!!!

Charge de Santiago para o jornal Extra Classe

Terminada a votação do projeto imobiliário “pontal do estaleiro”, que permite a construção de espigões na orla do Rio Guaíba. A Câmara Municipal aprovou o ilegal projeto por 22 votos favoráveis contra 10 votos contrários. Ilegal porque desobedece a legislação federal que trata das APPs (áreas de preservação permanentes).

E$goto - charge de Eugênio Neves

E$goto - charge de Eugênio Neves

Também foi rejeitada a proposta do executivo que exigiria um referendo após a votação da lei. O próprio líder do governo apresentou emenda alterando o REFERENDO universal e obrigatório, que seria de responsabilidade do TRE, com espaços de propaganda em rádio e TV divididas igualitáriamente entre os dois lados, para CONSULTA POPULAR, sem espaços de propaganda e facultativo a quem bem interessar. Mas se o executivo não fizer a “consulta” em 120 dias, o projeto entra em vigor mesmo sem consulta nenhuma!

Adivinhem por que?

Quem acredita que nossos vereadores da “base do concreto” deseja que a população seja devidamente esclarecida e vote conscientemente? Isso pode ser muito perigoso a alguns interesses.

Já vimos esse tipo de “esperteza” antes, a pergunta que fica é até quando essa gente vai enganar a população…?

Para quem já esqueceu da “Audiência Pública” tão ao gosto do líder do governo e de seus aliados, veja abaixo.

O referendo - charge de Eugênio Neves

O referendo - charge de Eugênio Neves

Publicado no blog Porto Alegre RESISTE!

12 março 2009

Tragédia Urbana em Porto Alegre

Texto do arquiteto Nestor Nadruz:

UMA TRAGÉDIA URBANA

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A última peça de ordenamento urbano abrangente, em Porto Alegre, foi o Plano Diretor que gerou a L.C. 43/79. Ele tinha parâmetros de “controle real” sobre as constantes investidas especulativas imobiliárias, que sempre reivindicaram mudanças de conceitos e aplicabilidade desta ferramenta. Esta lei normatizou com regras claras, o crescimento desta cidade, com suas consolidadas interações e intervenções. Foi injustamente confundida como um programa da Ditadura Militar, então no Poder. Mas ela sofreu também, agressões.

Tanto é assim que, a partir da década de 80, de maneira sorreteira, infiltrou-se em uma ação permanente até hoje, no ambiente de discussão das questões urbanas de Porto Alegre, um forte lobby empresarial, contra a lei do Plano existente. Ao se permitir, no âmbito municipal, por volta de 1986, a duplicação das alturas dos prédios, alterando o pré-fixado por aquela lei, elaborou-se aí a primeira novidade urbanística, porem, sem nenhuma análise prévia. Com isso, iniciou-se a destruição da vocação unifamiliar de vários bairros como o caso do Bairro Bela Vista, ao se substituir as casas por grandes edificações verticais e desmontando as características morfológicas dos espaços, retirando das ruas, em sua convivência social e ambiental, os pedestres locais. Ausência de moradores e desconhecidos transeuntes, vieram substituir a usual presença naqueles lugares. Com estas edificações novas, foram agregados os automóveis: estranhos, indiferentes e poluitivos.

Mas, passados 10 anos, evoluiu-se para novos conceitos urbanísticos conhecidos como Estratégias de Desenvolvimento Urbano. O novo estudo de Plano Diretor, em andamento, foi sustentado, nestas estratégias, com a participação de grupos interessados no desmonte do antigo plano em vigor, e sem a presença popular. Marcou, no entanto, atuação forte de técnicos e empresários da construção civil. Isto significou que foi no assento deste novo agente, chamado Poder Econômico - que nasceu o atual texto da L.C. 434 - PDDUA, aprovado em 1999.

Na época, este plano notabilizou-se, por sua ampla divulgação. A posteriori, deu-se a conhecer o texto original do seu projeto, entre eles uma negociação previamente acordada em edificações, na parte conhecida como Projetos Especiais. Esta negociação foi revista por ações externas, que influíram nas decisões dos vereadores desta cidade. Desta feita, o documento final resultou eivado de interpretações dúbias e confusas, até em sua organização textual. A única parte realmente interessante como proposta é sua JUSTIFICATIVA inicial.

Uma avalanche de projetos novos da construção civil para aprovação na Prefeitura, se fizeram sentir, neste decenio. Portanto, a atual Administração Municipal, em razão do atropelo, e do jogo politico-empresarial, que se instalou nos corredores municipais, não encontrou tempo para estudos de outros projetos alertados nesta importante Lei. As diversas regulamentações necessárias previstas, deixaram muito a desejar. O que nos resta dizer é que hoje, a cidade mostra o que se exige dela: a retalhação urbana para possibilitar uma nova fisionomia urbanística. Para atingir este objetivo, provocou-se uma aceleração sem precedentes, para aprovar projetos - com suas razões não devidamente esclarecidas à população. Com diretrizes orientadas por um orgão chamado CAUGE, alem da receptividade dócil do CMDUA ao novo Sistema, forçou também uma agilização. Foram poucos os debates entre os integrantes deste Conselho, face sua composição deliberativa, com maioria esmagadora de defensores e aliados do Poder. Este procedimento não é original, ele foi copiado de muitas cidades brasileiras, principalmente São Paulo. Demonstra-se aqui o dominio do poder econômico, de maneira universal, levando às cidades a ser um produto, como uma mercadoria, para lucro e usura. É a tese do Mercado “laissez-faire”. Assim , o que mais impressiona, é que os encaminhamentos, as posturas e as exigências para viabilizar empreendimentos de grande porte, têm a mesma orientação em qualquer lugar do mundo, como um catecismo bíblico. Um exemplo: até agora aguardamos o cumprimento do Estatuto da Cidade e a lei complementar do EIV - Estudo de Impacto de Vizinhança. Os resultados desta demora, também comuns em outras comarcas, é boa para quem?

Leia o texto na íntegra, aqui: http://poavive.wordpress.com/tragedia-urbana/

06 março 2009

Nem todos CALAM

A nova Audiência Pública do projeto imobiliário "pontal do estaleiro".

Audiência Pública na Câmara Municipal de Porto Alegre - 05/03/2009
Fotos: Pedro Revillion/CMPA

Relato da Audiência Pública no Blog do CEA:

Audiência Pública sobre Orla do Guaíba por você.

por Cíntia Barenho

Era esse o questionamento que nos fizeram para participar da Audiência Pública (AP) sobre o Pontal do Estaleiro, promovida pela Câmara de Vereadores de Porto Alegre. Após o preenchimento da lista de presença, prontamente fomos entrar no plenário, mas os guardas nos impediram dizendo que precisávamos de senha. Ao buscar a senha a primeira provocação. Contra ou a favor de quê? Perguntamos ao responsável pelas listas de presença. E este prontamente: vocês não sabem do que se trata a AP? Quem era contra (o Projeto) deveria pegar as senhas com o pessoal do Fórum de Entidades, quem era a Favor (dos Espigões na Orla) pegava diretamente na mesa. Mas quem não tinha opinião formada, estava ali para ouvir as partes, não era do Fórum de Entidades, fazia o que? Não entrava?

Sendo assim, alguns omitiam sua opinião para conseguir a famigerada senha, outros davam “carteirasso”, mas ao final, todos e todas conseguiram entrar, por insistência do presidente da câmara (surpresa!Geralmente quer nos deixar de fora da democracia).

Audiência Pública sobre Orla do Guaíba por você.

Já eram mais de 19horas quando começou a AP proposta pelo legislativo para discussão do projeto de lei que propõe a alteração do uso do Pontal do Estaleiro (Ponta do Melo). O Fórum de entidades e outros, por meio de Caio Lustosa, solicitaram a suspensão da AP uma vez que deveria ter sido o poder executivo (que vem tentando “lavar” as mãos para a polêmica) a propor a mesma e não o legislativo, logo o rito legal não foi cumprido. Porém o representante do judiciário não vez objeção ao mérito do legislativo em propor a AP e a mesma segui em frente.

Os a favor e os contra (talvez num resquício de gre-nal passado) estavam divididos na assistência. Surpreendentemente os a Favor da Orla do Guaíba para tod@s estavam em maior número, mesmo com a boataria de que algumas construtoras pagaram para os funcionários participarem da AP.

Audiência Pública sobre Orla do Guaíba por você.

As intervenções foram as mais diversas e claro com várias “pérolas” proferidas, como por exemplo, a de que o Plano Diretor inferniza a cidade… e por ai vai. Por parte dos vereadores, muitas defesas veementes ao projeto do Pontal do Estaleiro, com os clássicos discursos de geração de renda, emprego e desenvolvimento para a cidade de POA. Por parte dos integrantes do Fórum de Entidades e outros, muito se questionou o fato do Guaíba não estar sendo tratado como rio, mas sim como Lago, fato que beneficia os especuladores imobiliários. Segundo a lei orgânica do município, o Guaíba é denominado rio (o que é de fato) e, portanto, precisa respeitar, pelo menos, o Código Florestal no que tange as Áreas de Preservação Permanente (APPs) que precisam ter no mínimo 200m de largura preservada (para cursos d´água entre 200 e 600 metros).

Infelizmente não pude ficar até o fim. Já passavam das 22hs quando sai e ainda havia muitas pessoas inscritas para falar. Sendo assim, ainda não sei os desdobramentos finais da AP.

Mas enfim, mais uma vez Porto Alegre, através de entidades de moradores, ambientalistas, movimento estudantil, intelectuais e pessoas comuns se mobilizaram e comparecem à Casa do Povo (?!) para repudiar, mais uma vez, esse nefasto projeto (especulativo) imobiliário na orla do Rio Guaíba.

Audiência Pública sobre Orla do Guaíba por você.

Imagens: Cíntia Barenho

Na Câmara Municipal: