13 novembro 2008

A vitória do ATRASO.

Protestos durante a votação do projeto Pontal do Estaleiro
Foto: CMPA/Elson Sempé Pedroso

Representantes da construção civil e "distintos" edis que representam o atraso para nossa cidade comemoram a aprovação do nefasto projeto que coloca Porto Alegre na contramão da história.
Foto: CMPA/Elson Sempé Pedroso

Votaram a favor do Pontal do Estaleiro os vereadores Alceu "Brasinha" (PTB), Almerindo Filho (PTB), Bernardino Vendruscolo (PMDB), Dr. Goulart (PTB), Elias Vidal (PPS), Ervino Besson (PDT), Haroldo de Souza (PMDB), João Carlos Nedel (PP), João Antônio Dib (PP), João Bosco Vaz (PDT), José Ismael Heinen (DEM), Luiz Braz (PSDB), Maria Luiza (PTB), Maristela Meneghetti (DEM), Maurício Dziedricki (PTB), Mauro Zacher (PDT), Nereu D´Avila (PDT), Nilo Santos (PTB), Sebastião Melo (PMDB) e Valdir Caetano (PR).

Contrários ao projeto votaram os vereadores Adeli Sell (PT), Aldacir Oliboni (PT), Beto Moesch (PP), Carlos Todeschini (PT), Cláudio Sebenelo (PSDB), Dr. Raul (PMDB), Guilherme Barbosa (PT), José Valdir (PT), Marcelo Danéris (PT), Margarete Moraes (PT), Maria Celeste (PT), Mauro Pinheiro (PT), Neuza Canabarro (PDT) e Professor Garcia (PMDB).

Os vereadores Elói Guimarães (PTB) e Maristela Maffei (PCdoB) se abstiveram.

Grande número de manifestantes CONTRA a aprovação da alteração da lei que irá beneficiar alguns setores da construção civil, presentes na área externa da Câmara Municipal.
Fotos: Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho


11 novembro 2008

O PONTAL DA HIPOCRISIA

O PONTAL DA HIPOCRISIA

Juremir Machado da Silva

Publicado no jornal CORREIO DO POVO em 11/11/2008

Está marcada para amanhã, se a Justiça deixar, a votação, na Câmara dos Vereadores, do projeto Pontal do Estaleiro. A malandragem costuma adotar expressões modernosas para enganar os incautos: revitalização, embelezamento, criação sustentável de empregos, adoção de um perfil urbanístico de Primeiro Mundo. Tudo conversa fiada. A mesma turma que pretendia se apropriar de quase toda a orla do Guaíba na época do governo Collares, com um papinho semelhante, voltou ao ataque para tentar o golpe do novo milênio. Comprou a área do antigo Estaleiro Só por míseros R$ 7,2 milhões, preço vil em função da lei que impede a construção de prédios residenciais no local, e pretende, mudando a lei, ganhar rios de dinheiro. Estrategicamente, os vereadores deixaram a votação para depois das eleições. A manobra não passou.

Depois que escrevi sobre esse assunto, há alguns dias, tenho recebido toneladas de insultos de pretensos modernos. Por favor, mandem mais. Dizem-me que a área é privada. Pois devia ter sido comprada por essa merreca pelo município de Porto Alegre ou pelo Estado. É um espaço que deve ser público. Mais de 20 entidades vêm protestando contra essa privatização do pôr-do-sol. Indicam que haverá engarrafamento na avenida Padre Cacique, bloqueio do sol e do vento e aumento da produção cloacal. A lei estabelece que a orla é área de proteção permanente. O pessoal da grana, que sonha com um janelão à beira do rio, acha que basta mudar a lei. Afinal, eles têm os meios que movem o mundo. Eu já pensei em ter uma cabana no meio do Parcão. Só para deitar na rede e olhar as patricinhas correndo. Não tenho dinheiro para eliminar os obstáculos ao meu projeto. Além disso, teria de ver também as peruas. Outra idéia genial seria um espigão de 50 andares no meio da Redenção. Tudo pela modernidade.

Dá para embelezar o Pontal do Estaleiro com jardins, quadras de esportes, bares, restaurantes, teatros, museus e uma infinidade de equipamentos de interesse coletivo. A verdade é que há um novo mecanismo de chantagem na praça. Internacional e Grêmio querem estádios novos ou reformados para a Copa do Mundo de 2014. Só atingirão esse objetivo vendendo os Eucaliptos e o Olímpico. Quem pode comprar condiciona o negócio à mudança da lei para que seja possível construir arranha-céus de mais de 30 andares. O Estaleiro é apenas a ponta de uma jogada para pisotear as leis de proteção ambiental e alterar o perfil urbanístico de Porto Alegre de modo a saciar enfim o apetite vertical dos ganhadores de dinheiro como esporte principal. Atenção, o mundo mudou. Aquilo que se podia fazer 30 anos atrás agora não desce mais redondinho.

O cartel dos espigões terá de enfrentar a resistência da população. Estudantes e ambientalistas devem acorrentar-se ao longo do território ameaçado para defendê-lo do avanço inimigo. Parte da mídia faz ouvidos de mercador aos que gritam. Afinal, interesses imobiliários conjugados podem reduzir a liberdade de expressão sem que isso faça corar os jornalistas. Por trás de cada discurso sobre os benefícios da modernidade, sempre tão arrogantes e especializados, esconde-se a mais velha das ambições: ganhar dinheiro fácil e levar vantagem em tudo. A Câmara dos Vereadores vai virar uma Bombonera. Os representantes do povo sentirão o bafo da massa na hora de votar.