21 março 2007

E o Aeromóvel?

Em todo o mundo se discute o gravíssimo problema do aquecimento global e suas terríveis conseqüências para o futuro do planeta.
Reduzir as emissões de carbono é o tema atual.
Aqui em Porto Alegre há anos existe um projeto piloto de transporte coletivo, em via elevada, movido a... AR! Ou seja, emissão ZERO. E, por mais incrível que pareça, está esperando desde 1983.
Não seria o momento de viabilizar o projeto?
Desde abril de 1983 iniciou a operação experimental, em Porto Alegre, do novo sistema de transporte desenvolvido pela Coester, batizado de aeromóvel.
Ele é constituído por veículos com 25 metros de comprimento que poderiam transportar 300 passageiros, transitando em via elevada. Ele possui baixo custo de implantação e operação, além de ser totalmente automatizado.
Segundo informações do inventor do sistema, "as vantagens de custo e desempenho decorrem do reduzido peso morto do veículo, proporcionado pela propulsão pneumática. Por operar um veículo leve, a energia necessária na operação é otimizada, sendo que a carga útil transportada em relação ao peso morto é muito superior ao observado em sistemas convencionais."
Se o aeromóvel é econômico, seguro, de fácil implantação por ser em via elevada, e não polui, por que motivo completará 24 anos esperando para ser implantado?
Será por medo?
Por não usar diesel?
Por não usar pneus?
Existem coisas que a gente não entende mesmo...

Veja:
Aeromóvel - A História de um Ideal

Veja o vídeo de uma TV japonesa que mostra o "incrível trem sem motor de Porto Alegre":
http://www.youtube.com/watch?v=5O63_UPG2XE

08 março 2007

Viva Gasômetro!



Surge mais um movimento popular na capital gaúcha. É o Movimento VIVA Gasômetro.

Tendo à frente Jacqueline Sanchotene e Christian Lavich Goldschmidt, se posicionam em favor da revitalização da área central de Porto Alegre, em especial da região próxima à Usina do Gasômetro. Nós, Amigos da Gonçalo de Carvalho, também apoiamos essa causa e participaremos de ações que possam dar visibilidade ao Movimento e suas demandas.

Dia 5 de março, já estiveram presentes na Discussão do Plano Diretor da cidade (Fórum Regional de Planejamento 1).



22 fevereiro 2007

Mentes estreitas?

No “Segundo Caderno” do jornal Zero Hora de 20/02/07 o professor Luís Augusto Fischer descreve sua indignação em ver uma foto de pessoas dando um abraço simbólico na área destinada pela prefeitura para a construção da Sala Sinfônica da OSPA, no Parque da Harmonia, às margens do Guaíba. Claro que sobrou para nós também.


Para quem não é de Porto Alegre, cabe esclarecer que o autor da coluna é uma das pessoas mais respeitadas no círculo intelectual gaúcho. No último parágrafo de sua coluna ele escreve:

"O senhor certamente vai lembrar que, faz pouco, uma estranha associação de moradores e amigos, composta de pouquíssimos residentes e amigos por sinal, associação de apenas uma rua da cidade, conseguiu obstar a construção de um teatro para a Ospa na antiga Brahma, atual Shopping Total (me diz uma coisa: não haveria nome melhor para o empreendimento, falando nisso? Shopping Floresta ou Continental seria realmente muito ruim?), acabando com um sonho que daria uma casa para a nossa orquestra e um fôlego novo para aquela parte da cidade. Agora outras pessoas, da mesma estreiteza mental, querem impedir o mesmo na beira do Guaíba, onde se circula de carro com facilidade e onde certamente muita gente verá mais de perto a Ospa mesma? Tenham a santa paciência."


Luís Augusto Fischer nasceu em 1958, em Novo Hamburgo, RS, mas vive em Porto Alegre desde antes de completar um ano. Cursou Letras e História na UFRGS. Fez Mestrado e Doutorado na UFRGS, onde leciona Literatura Brasileira desde 1985, tendo antes trabalhado em alguns colégios de Porto Alegre (Anchieta, Israelita e Militar) e em alguns cursinhos.

Escreve regularmente para veículos de imprensa, como a Zero Hora, de Porto Alegre, o ABC Domingo, de Novo Hamburgo, e a revista Estilo Zaffari. Colabora para outras publicações, como a revista Bravo!, a revista Superinteressante e a Folha de São Paulo. Tem publicados vários livros, entre os quais o Dicionário de porto-alegrês (Artes e Ofícios), o Dicionário de palavras e expressões estrangeiras (L&PM), Literatura gaúcha - História, formação e atualidade (editora Leitura XXI). Publicou também ficção: O edifício do lado da sombra, contos, Rua desconhecida, contos também, ambos pela Artes e Ofícios, e a novela Quatro negros, pela L&PM. (http://www.viapolitica.com.br/curriculos/curriculo_la_fischer.htm)


O professor Fischer como tantas outras personalidades gaúchas é um de nossos orgulhos. E por isso nos sentimos chocados com sua coluna, ao contrário de outras que apenas nos faziam dar gargalhadas, apesar das ofensas pessoais. E nos faz pensar o que levou o Fischer a agir assim.

Aqui no Rio Grande as disputas sempre são terrivelmente apaixonadas. Quem é colorado, não apenas torce pelo Inter como torce contra o Grêmio ( e vice-versa). Ou se está a favor do governo ou contra o governo ( ainda há quem diga que a seca que atingiu o Rio Grande no ano passado é castigo divino pelo fato do antigo governo do PT ter mandado a Ford embora). Mas o professor Fischer além de ser muito culto é extremamente inteligente, ele não escreveria um artigo atacando pessoas que não conhece, apenas tomado pela paixão.

Então o que houve?

Mesmo que tenha tão grande simpatia pela OSPA, sua simpatia não é maior que a nossa. Ele também não precisa de apoio do SINDUSCON, pois não é político. É um renomado professor e escritor de grande sucesso. Só pode ser uma coisa: falta de informações.

Desde o início da “pendenga” tivemos grandes dificuldades em tornar públicos nossos argumentos. Não tivemos acesso à grande mídia que muitas vezes nos tachava de “inimigos da cultura”, “xiitas”, e até chamados de “cornos” como disse o vice-prefeito. Sem conhecer nossos argumentos, sem conhecer os fatos reais que estavam por trás da briga, como teria alguma simpatia por essa gente?

Não lembro de ter visto o professor Fischer na Audiência Pública realizada na Igreja Batista, logo ele não pode ver que os “baderneiros” eram pessoas como ele, que tem opiniões e querem ter o direito de expressá-las. Como ele não soube de nossas reuniões, não ouviu nossos questionamentos aos secretários municipais que compareceram, nem as solicitações de esclarecimentos feitas à direção e ao engenheiro da OSPA.

Ele não soube que nossa pouquíssima gente na Audiência Pública era equivalente ao lado contrário, descontado o grande número de pessoas levada pela Associação Cristóvão Colombo (que disseram inúmeras vezes que a tal garagem era invenção nossa, ela não seria construída) e que nem sabiam porque estavam lá, além de nos vaiarem. Claro que também tinham familiares dos músicos da OSPA, mas isso é óbviamente compreensível.

O professor Fischer nunca foi convidado a colaborar com o pagamento de cópias xerox nem com a “vaquinha” para pagar o convite na ZH para a missa quando da morte do nosso líder Haeni Ficht.

Ele não devia estar na Redenção no sábado e domingo antes da Audiência Pública quando fomos ameaçados por sermos “elementos subversivos e anti-culturais”.

Não creio que leu algum de nossos panfletos, pois eles eram poucos e mal distribuídos. Talvez tenha assistido o programa Conversas Cruzadas onde tivemos a oportunidade de, pela primeira vez, expor nossas posições para o grande público, mas o Haeni estava só e nunca havia comparecido a um programa de rádio ou TV. Felizmente o Lasier Martins fez os questionamentos que o Haeni, muito nervoso por se sentir atacado, não fez.

Será estreiteza mental ser contra uma “venda casada” onde, para se construir a Sala Sinfônica teria que ser construído um edifício-garagem para cerca de 600 veículos junto uma das mais belas, arborizadas e pacatas ruas da cidade? Seria muito “estreito” desconfiar que as fundações da garagem seriam para posteriormente ser ampliado até a altura máxima permitida pelo Plano Diretor? E pedir para ver a planta do tal edifício-garagem e não poder ver? Até hoje não vimos, só o da Sala Sinfônica...

Será estreiteza insuportável seguir a lei e entrar no Ministério Público para pedir o respeito de seus direitos de cidadãos, questionar a segurança dos prédios antigos que seriam abalados pela dinamite (o terreno é um pedreira)?

Será indigno descobrir que o Shopping é locatário do terreno por 25 anos e que toda e qualquer benfeitoria executada passará a ser, findo o contrato, de propriedade do real proprietário do terreno?

Será mentalidade estreita denunciar que dinheiro público (Lei Rouanet) seria usada para que a construção passasse a ser propriedade de um grande grupo empresarial (mídia inclusive) e após os 20 anos restantes do contrato a OSPA estaria sem teatro novamente?

Seria condenável ouvir ofensas e ataques de tantos lados, ter seus argumentos respeitados no Ministério Público e Ministério da Cultura e ver a Rua Gonçalo de Carvalho decretada Patrimônio Cultural, Histórico e Ecológico de Porto Alegre, pela mesma prefeitura que havia anteriormente aprovado a construção em prazo recorde de 30 dias?

Será muito estreito mentalmente gostar de passear na Gonçalo de Carvalho - mesmo não residindo nela - ouvindo seus pássaros e o barulho do vento em suas frondosas árvores?

Temos certeza que caso o professor Luís Augusto Fischer tivesse conhecimento disso e de outras coisas mais, ainda pouco divulgadas, não usaria estes termos em sua crônica.