07 janeiro 2006

QUESTÕES RELEVANTES

Questões relevantes que necessitam esclarecimentos:

O complexo da antiga cervejaria Brahma, tem condicionantes que é do conhecimento do proprietário mas, pasmem, é descomprida pela Prefeitura Municipal, desde a Administração anterior. A área, já na vigência da Lei Complentar 49/59 é area funcional de preservação cultural, como marco histórico da cidade de Porto Alegre.

Senão vejamos:

a - O complexo foi mantido no atual Plano Diretor, portanto lei, e foi incorporado no Estudo das Áreas Especiais de Interesse Cultural, elaborado a cêrca de tres anos pela SMC e UNIRITTER. Portanto, as novas edificações pretendidas não estão previstas e a área está protegida pelo Decreto Municipal 14.530, em vigor. Mas a SPM liberou EVU, contrariando o Decreto para edificação de um prédio para instalação da OSPA, grande aspiração dos gaúchos, e agregado a um edificio garagem. Esta é a primeira questão.

b - Com o desmembramento da área de construção da OSPA, a Prefeitura comete a segunda irregularidade. Áreas de preservação não estão sujeitas a retalhamento.

c - O terreno do complexo é privado, mas os recursos são públicos. O terreno liberado para registro no Registro de Imóveis, para edificação da OSPA ainda tem cláusula de uso por trinta anos e, após, as benfeitorias feitas, reverterão ao proprietário original ou a seus descendentes. Foi-se a OSPA. Isto tem que deixar bem claro.

d- O impacto ambiental e de vizinhança vai estar presente com a concentração de 1.500 pessoas a mais, nos dias de funcionamento da OSPA, ou outros eventos libarados pelos seus responsáveis. Mais ainda a construção de espaço vertical para cerca de 600 carros e mais o que estacionar nos arredores, em especial, na rua Gonçalo de Carvalho. São projeções muito além do previsto e o que não desejaria provavelmente a EPTC. Este é um processo delicado e de difícil avaliação, para o espaço disponível do entorno e ambiências e seus ruidosos desdobramentos.

Em nenhum momento foi acionado o Estatuto da Cidade, que exige a participação efetiva das comunidades, na participação em todas as gestões, em todos os atos e divulgação dos estudos elaborados. Isto não foi feito. Sómente a um pequeno grupo foi dado este privilégio.

Todas as explicações até agora divulgadas, foram insuficientes, evasivas e alegam que estão cumprindo a Lei.

Informamos a todos os interessados que, diante dos contraditórios, há processo em andamento no Ministério Público, para o devido exame e procedimento. Até lá nenhuma pedra poderá ser erguida para as novas construções. ISTO ESTÁ DESCARTADO. Além do mais, este projeto, por utilizar recursos públicos, tem que ser submetido a concurso público, não interessa as condições destes recursos. Vamos dar prosseguimento ao projeto vencedor já existente para a área do porto, que é bonito, espraiado e não aceitar o proposto que é encravado na parede cega de um edificio, por não haver outro local disponível no complexo do Shopping Total, ex-Patrimônio Cultural a preservar.

*Colocações do arquiteto Nestor Ibrahim Nadruz (Coordenador do Movimento Porto Alegre Vive, representando 30 Entidades Comunitárias), dia 20 de dezembro, quando da Audiência Pública promovida pela SMAN sobre o projeto OSPA.

23 dezembro 2005


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Jornal Zero Hora, 22/12/05

ZH 22/12/2005
Cultura
Vizinhança debate novo Teatro da Ospa
GABRIEL BRUST
Com a ressalva de que o local do Teatro da Ospa já estava definido, o secretário municipal do Meio Ambiente, Beto Moesch, abriu a consulta pública que debateu o tema com moradores dos bairros Floresta e Independência, na noite de terça-feira.

Segundo Moesch, a licença prévia concedida pela prefeitura em abril definiu que a construção será feita no estacionamento do Shopping Total. A discussão, a partir de agora, restringe-se apenas a decidir que ajustes devem ser feitos no projeto.

Quase 300 pessoas superlotaram o salão da Igreja
Batista, na Cristóvão Colombo, durante quatro horas, para ouvir a apresentação do projeto, feita pelas empresas responsáveis, e para ouvir representantes dos moradores e da Ospa. A polarização entre os dois grupos dividiu o salão, com militantes usando adesivos, vaiando e aplaudindo a todo momento. Moradores da Rua Gonçalo de Carvalho - que seria prejudicada pelo empreendimento - usavam tanto o adesivo do movimento que defende a rua como o do "adversário", onde se lia "Sim à cultura, sim à Ospa".

- Estamos lutando apenas contra o edifício-garagem, e não contra o teatro - explicou Haeni Ficht, um dos líderes do movimento Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho, referindo-se à construção de sete andares que acompanharia a sala sinfônica.

Os debates renderam manifestações acaloradas. O engenheiro responsável pelo projeto, Ismael Solé, e o arquiteto Nestor Nadruz, do movimento Porto Alegre Vive, bateram boca e Nadruz precisou ser contido por integrantes da mesa.

Outra discussão se deu entre o presidente da Ospa, Ivo Nesralla, e o arquiteto Julio Collares, responsável pelo projeto que previa a instalação do teatro da Ospa no cais do porto, e que foi abandonado pelo atual governo do Estado.

- Não posso imaginar um lugar pior para uma orquestra sinfônica que o estacionamento de um shopping - afirmou Collares.

Nesralla defendeu-se da acusação de que um prédio público seria construído em um terreno privado, justificando que o responsável pelo empreendimento não é o Estado ou a Fundação Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, mas a Fundação Pablo Komlós.

A afirmação intrigou a vereadora Sofia Cavedon, que questionou o fato de o terreno estar cedido pelo shopping somente por 25 anos:

- Incentivo fiscal é, sim, dinheiro público. Temos que garantir que este investimento retornará ao Estado depois deste tempo.

O secretário Beto Moesch garantiu que, com base nas reivindicações da audiência pública, mais alguns pontos do projeto serão modificados, antes da liberação da licença de instalação do empreendimento.

(Publicado no jornal ZERO HORA, dia 22 de dezembro de 2005)